Vasculatura brônquica proeminente, hemoptise e opacidades em vidro fosco bilaterais em uma jovem com estenose mitral

Vasculatura brônquica proeminente, hemoptise e opacidades em vidro fosco bilaterais em uma jovem com estenose mitral

Autores:

Fabian Aigner,
Rudolf Speich,
Macé Matthew Schuurmans

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Pneumologia

versão impressa ISSN 1806-3713versão On-line ISSN 1806-3756

J. bras. pneumol. vol.42 no.5 São Paulo set./out. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37562016000000151

Uma mulher de 22 anos de idade apresentava hemoptise e dispneia (frequência respiratória, 38 ciclos/min; saturação periférica de oxigênio, 81%; pró-peptídeo natriurético cerebral, 2.073 ng/l), em conjunto com crepitações inspiratórias bilaterais e sopro cardíaco diastólico murmurar sobre o ápice. A imagem de TC de tórax mostrou consolidações multifocais cercadas por opacidades em vidro fosco, predominantemente nos lobos superiores (Figura 1), e sem embolia pulmonar. A broncoscopia não mostrou sangue endobrônquico mas uma vasculatura brônquica proeminente à esquerda (Figura 2). O LBA continha consistentemente sangue (90% de macrófagos alveolares com acúmulo de hemossiderina). A ecocardiografia detectou estenose mitral grave com a morfologia clássica de "bastão de hóquei" do folheto anterior e regurgitação aórtica leve. A pressão média da arterial pulmonar foi de 48 mmHg, e a pressão de oclusão da artéria pulmonar era de 32 mmHg. A reconstrução da válvula mitral foi realizada.

Figura 1 TC de tórax ao nível da carina principal evidenciando consolidações bilaterais cercadas por opacidades em vidro fosco. 

Figura 2 Em A, imagem de fibrobroncoscopia do bronco esquerdo principal. Em B, uma visão mais ampliada da carina do lobo superior secundário esquerdo. Em C, um close-up do bronco superior esquerdo mostrando a língula e segmentos do lobo superior esquerdo. A mucosa brônquica está edemaciada e contém uma rede de vasos sanguíneos proeminentes. Os vasos estão dilatados e ingurgitados em uma extensão variável. Em alguns locais, os vasos estão focalmente distribuídos, embora a maioria das partes da mucosa brônquica exiba uma rede vascular densa e parcialmente confluente. 

A estenose mitral pode provocar hemoptise.1) A dilatação da vasculatura brônquica pode ser o primeiro sinal de pressão atrial esquerda elevada. O plexo venoso brônquico resultante da circulação arterial brônquica é ligado à circulação venosa pulmonar. Dois terços do sangue do plexo venoso retorna para as veias pulmonares e, em seguida, para o átrio esquerdo.2,3) Um aumento na pressão venosa pulmonar conduz a um fluxo reverso do sangue das veias pulmonares para o plexo venoso brônquico, visível como vasculatura brônquica ingurgitada.

REFERÊNCIAS

1. Wood P. An appreciation of mitral stenosis. I. Clinical features. Br Med J. 1954;1(4870):1051-63; contd. http://dx.doi.org/10.1136/bmj.1.4870.1051
2. Ohmichi M, Tagaki S, Nomura N, Tsunematsu K, Suzuki A. Endobronchial changes in chronic pulmonary venous hypertension. Chest. 1988;94(6):1127-32. http://dx.doi.org/10.1378/chest.94.6.1127
3. Baile EM. The anatomy and physiology of the bronchial circulation. J Aerosol Med. 1996;9(1):1-6. http://dx.doi.org/10.1089/jam.1996.9.1
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.