Alergologia e imunologia

As vacinas COVID de segunda geração estão chegando | Colunistas

As vacinas COVID de segunda geração estão chegando | Colunistas

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É fato que existem muitos questionamentos sobre os tipos de vacinas que estão sendo disponibilizadas para a COVID-19. São tantas notícias e informações soltas que acabam gerando inúmeras dúvidas. Diante disso, este artigo vem para sanar essas dúvidas e esclarecer as diferenças entre as vacinas chamadas de “segunda geração”.

Como funcionam as vacinas de segunda geração?

As vacinas de segunda geração são as também chamadas de vacinas de subunidades, esses tipos de vacina são formulações que contêm as proteínas do patógeno, que normalmente causam a resposta desejada do sistema imunológico. Elas são constituídas de antígenos purificados e provenientes de fontes naturais ou sintéticas e antígenos recombinantes. As vacinas de segunda geração produzidas para a COVID-19 são as desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech e Moderna e a desenvolvida pela Universidade de Oxford e AstraZeneca.

Mecanismo de ação

Figura 1: Imagem ilustrativa da espícula do Coronavírus (Imagem editada).
Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2020/05/13/ciencia/1589376940_836113.html.

O vírus da COVID-19 é composto por espículas em sua superfície, que é a sua porta de entrada para as células. A fabricação dessas espículas é feita por proteínas. Foram identificadas, através do material genético do vírus, as informações para se fabricar essas proteínas, tornando-se assim a base para a fabricação dessas vacinas de segunda geração.

Vacinas da Pfizer/BioNTech e Moderna: a mensagem para a fabricação dessas proteínas é codificada em uma molécula de RNA que é encapsulada em uma membrana lipídica para que ela possa entrar nas células. A vacina é injetada no paciente, então o RNA entra nas células fazendo com que elas produzam as proteínas da espícula do Coronavírus.

Vacina de Oxford e AstraZeneca: a mensagem para a fabricação dessas proteínas é traduzida em DNA e introduzida em um adenovírus de resfriado comum de chimpanzé. A vacina é injetada no paciente, onde o DNA é transformado em RNS dentro do núcleo da célula fazendo com que a mesma produza as proteínas virais.

Após esse processo, as três vacinas têm o mesmo mecanismo, onde a espícula do vírus é localizada pelas células dentríticas (célula apresentadora de antígenos) e se apresentam ao sistema linfático levando à resposta imune, que são produzidas por dois tipos de linfócitos, os B e os T. A resposta imune pelos linfócitos B criam anticorpos que bloqueiam o vírus, e a resposta pelos linfócitos T destroem as células infectadas.

Vantagem e desvantagem da vacina de segunda geração

Vantagem: as vacinas de segunda geração utilizam determinados antígenos constituintes dos microrganismos ou toxinas inativadas liberadas por eles para induzir a imunização. Isso faz com que esse tipo de vacina se torne mais segura.

Desvantagem: por não utilizarem o próprio vírus da COVID-19, morto ou inativado, e sim antígenos purificados, a vacina de segunda geração torna-se menos potente na indução da resposta imunológica, necessitando assim da utilização de adjuvantes – que são substâncias que potenciam a resposta imune –, e de uma segunda dose, o reforço.

Diferenças entre as vacinas de segunda geração

Figura 2: Imagem ilustrativa de frascos das vacinas.
Fonte: https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-11-24/as-diferencas-abismais-entre-as-vacinas-da-oxford-pfizer-moderna-a-coronavac-e-a-sputnik-v.html.

As vacinas com essa tecnologia, as de segunda geração, são as desenvolvidas pela Pfizer/BioNTech e Moderna e a desenvolvida pela Universidade de Oxford e AstraZeneca. As duas primeiras utilizam a tecnologia genética do RNA mensageiro (mRNA), já a última utiliza um vetor viral.

Pfizer/BioNTech e Moderna

  • As duas vacinas utilizam a tecnologia do mRNA, onde os imunizantes são criados a partir da replicação de RNA.
  • A vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech precisa ser estocada a -75ºC, o que a torna de grande dificuldade para a aquisição pelos países.
  • A vacina desenvolvida pela Moderna necessita de armazenamento a -20ºC, o que também é uma dificuldade para a sua aquisição.

Oxford e AstraZeneca

  • Utilizam a tecnologia do vetor viral não replicante, ou seja, utilizam um “vírus vivo” que não tem a capacidade de replicação no organismo.
  • Essa vacina precisa ser armazenada em temperatura de 2 a 8ºC, uma geladeira comum.

Eficácia

A vacina da Pfizer/BioNTech apresentou uma eficácia de 94% no “mundo real” em Israel, nos diferentes grupos de idade dos imunizados.

A Moderna anunciou uma eficácia de 94,5%, de acordo com uma primeira análise de um ensaio com 30.000 pessoas nos EUA. Esses resultados ainda são preliminares e existem novos dados a serem somados a esses para que se alcance a potência estatística desejada.

A Universidade de Oxforde a AstraZeneca anunciaram uma eficácia de até 90% após uma análise de 2.700 pessoas que receberam primeiro meia dose e, depois de um mês, uma dose completa. Com as duas doses inteiras a eficácia caiu para 62%.

Conclusão

As vacinas de “segunda geração” são imunizantes que utilizam novas técnicas. São baseadas em proteínas virais e, embora necessitem de adjuvantes para desencadear efeito protetor, induzem respostas imunológicas consideráveis e fornecem flexibilidade quanto às vias de administração.

Diante da nossa realidade, as vacinas da Pfizer/BioNTech e Moderna têm um grande obstáculo, pois necessitam de baixíssimas temperaturas de armazenamento e isso dificulta a chegada delas em zonas rurais e em lugares mais pobres, pois essas vacinas precisam de equipamentos específicos para mantê-las refrigeradas na temperatura ideal. Nesse ponto, a mais acessível é a vacina de Oxford, pois pode ser armazenada em geladeira comum.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

As diferenças abismais entre as vacinas de Oxford, Pfizer e Moderna, a Coronavac e a Sputnik V.

https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-11-24/as-diferencas-abismais-entre-as-vacinas-da-oxford-pfizer-moderna-a-coronavac-e-a-sputnik-v.html

ccu cgg cgg gca. As doze letras que mudaram o mundo.

 https://brasil.elpais.com/brasil/2020/05/13/ciencia/1589376940_836113.html

Infectologista explica armazenamento da vacina de Oxford e da Coronavac.

https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2020/11/23/infectologista-explica-armazenamento-da-vacina-de-oxford-e-da-coronavac

Vacinas contra a COVID-19: entenda as diferenças entre 5 delas.

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2021/02/03/vacinas-contra-covid-19-entenda-a-diferenca-entre-elas.htm#:~:text=A%20efic%C3%A1cia%20geral%20da%20CoronaVac,78%25%20para%20prevenir%20casos%20leves.

A segunda geração de vacinas COVID-19 está a chegar.

Segunda geração de vacinas para COVID aposta em novas tecnologias.

Vacinas e imunidade. https://rce.casadasciencias.org/rceapp/art/2020/021/

As características intrigantes da COVID-19 em crianças e seu impacto na pandemia. https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0021-75572020000300265&script=sci_arttext&tlng=pt

Biotecnologia aplicada ao desenvolvimento de vacinas.

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext_pr&pid=S0103-40142010010400001>

Vacinas: história, tecnologia e desafios para terapia contra o SARS-CoV-2.

http://189.112.117.16/index.php/ulakes/article/view/273

Vacina COVID-19 de mRNA BNT162b2 em um ambiente de vacinação em massa em todo o país.

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2101765?query=featured_home

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