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Asma e gravidez | Colunistas

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Lícia Moreira de Queiroga

7 minhá 49 dias

A asma é uma doença inflamatória crônica com componentes genéticos e ambientais, que se caracteriza pela obstrução transitória e reversível das vias aéreas e também pela hiper-reatividade brônquica. O quadro geralmente se manifesta através da dispneia, tosse, percepção de aperto no peito, que se relacionam com a limitação do fluxo aéreo, devido à broncoconstricção, espessamento da parede das vias aéreas e o aumento da produção de muco.

Durante a gravidez, aproximadamente um terço das mulheres podem apresentar exacerbação dos sintomas, principalmente durante o segundo trimestre.

Como a gestação pode afetar a asma?

A influência da gestação é variável, pois algumas gestantes reportam melhora dos sintomas, enquanto outras mantêm a sintomatologia, e as demais, em sua maioria, sofrem com exacerbação dos sintomas.

Durante a gestação, evidenciam-se algumas alterações que podem influenciar tanto o agravamento, quanto a melhora do quadro. São fatores que podem influenciar o agravamento da doença: o ganho excessivo de peso no primeiro trimestre, asma grave antes da gestação, aumento do refluxo gastroesofágico, redução da capacidade residual funcional (devido elevação do diafragma), aumento do consumo de O2 e produção de CO2.

Enquanto o aumento do cortisol plasmático, a broncodilatação mediada por progesterona, prostaglandina e peptídeo natriurético e reduções nos níveis de IgE são alguns fatores que podem promover melhora dos sintomas, principalmente em casos de asma leve.

Diagnóstico

O diagnóstico da asma é baseado nas condições clínicas e funcionais do paciente e avaliação de fatores desencadeantes de crises. É válido investigar a história pregressa, intensidade das crises e seus intervalos, bem como a necessidade de medicação.  

Diagnóstico clínico:

– Sintomatologia: dispneia, tosse, sibilância, desconforto na região do tórax;

– Ausculta pulmonar com evidência de sibilos à expiração forçada, em alguns casos como na manifestação leve, a ausculta pode ser normal;

– Identificação de exposição a alérgenos, mudanças climáticas, práticas de exercício físico ou infecções, que podem desencadear crises.

  • Diagnóstico funcional: Se dá através da realização da espirometria, que avalia a função pulmonar. Em alguns casos, o resultado pode ser normal ou apresentar um distúrbio ventilatório obstrutivo.

Como a asma pode influenciar a gestação?

Alguns estudos apontam que a asma pode promover um maior risco de pré-eclampsia, parto pré-termo, atraso do crescimento intrauterino e mortalidade perinatal. Entretanto, a asma não é contraindicação para gravidez.

O que melhora o prognóstico nesses casos é uma asma previamente controlada.

Tratamento

O objetivo primordial do tratamento é o controle dos sintomas evitando hipóxia fetal, para prevenção de danos futuros. Além de orientar a gestante sobre os sintomas e sobre a relevância de um controle ambiental, eliminando, quando possível, fatores desencadeantes. Sendo assim, o tratamento da asma na gestação deve ser similar ao tratamento habitual e ao utilizado previamente, se o mesmo estiver surtindo efeito.

É válido ressaltar a importância de um acompanhamento mensal dos sintomas, pois se necessário poderá ser feito reajuste da medicação. Além disso, na primeira consulta deve ser realizada uma espirometria, que servirá para acompanhar e monitorar nas demais visitas. A partir da 32ª semana é importante uma avaliação fetal seriada para pacientes com asma moderada e severa.

Tratamento medicamentoso

 Os medicamentos utilizados no tratamento da asma podem ser divididos em dois grupos: medicamentos para melhora da crise (sintomas agudos) e medicamentos de manutenção (evita exacerbações). 

– Melhora da crise:

             Corticoide inalatório, baixa dose, associado ou não a um β2 agonista de longa duração.

– Manutenção:

             Etapa I: Baixa dose de corticoide inalatório associada à formoterol por demanda;

             Etapa II: Baixa dose de corticoide inalatório diária associada a um β2 agonista de curta duração;

Etapa III: Baixa dose de corticoide inalatório associada a um β2 agonista de curta duração e ao formoterol de manutenção e resgate;

Etapa IV: Dose média de corticoide inalatório associada ao formoterol de manutenção.

Etapa V: Dose alta de corticoide inalatório associada ao β2 agonista de longa duração, podendo adicionar tiotrópio.

Figura 1: Manejo da asma em pacientes com idade ≥ 12 anos. CI: corticoide inalatório; LABA: long-acting β2 agonist (β2-agonista de longa duração); CO: corticoide oral; SABA: short-acting β2 agonist (β2-agonista de curta duração); e FORM: fumarato de formoterol.[Pacheco1] 
Fonte: Recomendações para o manejo da asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – 2020.

Obs.: É importante ressaltar que os medicamentos com maiores efeitos colaterais associados são ou corticosteroides orais ou injetáveis, pois o uso prolongado pode estar associado ao aumento do risco e diabetes gestacional e pré-eclampsia.

Como prevenir complicações?

Com o objetivo de prevenir futuras complicações é importante adotar algumas condutas, como:

– Manter as consultas de pré-natal;

– Fazer uso correto da medicação prescrita;

– Não fumar;

– Evitar exposição a fatores desencadeantes de crise;

– Controlar o refluxo gastroesofágico.

Conclusão

O tratamento da asma é essencial tanto durante a gestação quanto fora do período gravídico, sempre objetivando o controle dos sintomas, a prevenção de episódios agudos, e, durante a gestação, objetivando manter a função pulmonar e a oxigenação sanguínea essencial para suprir as necessidades da mãe e do feto; evitando assim maiores complicações na gravidez.

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Referências:

Copyright © 1997 – 2017 DrPierre d’Almeida Telles FilhoAsma Brônquica. Tratamento da Asma. Anti-inflamatórios na Asma. Disponível em < https://www.asmabronquica.com.br/index.html>. Acesso em 06 Fev. 2021.

LASCASAS, Joana; PEIXOTO, Joana. Asma na gravidez. InMetis, 18 jan. 2020. Disponível em: http://metis.med.up.pt/index.php/Asma_na_gravidez. Acesso em: 6 fev. 2021.

Manual MSD

MAUAD FILHO, Francisco et al. Asma e Gravidez: Tratamento Hospitalar. Rev. Bras. Ginecol. Obstet.,  Rio de Janeiro,  v. 23, n. 8, p. 523-527,  Sept.  2001.   Available from . access on  08  Feb.  2021.  http://dx.doi.org/10.1590/S0100-72032001000800007.

PIZZICHINI, Marcia Margaret Menezes et al. Recomendações para o manejo da asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – 2020.J. bras. pneumol.,  São Paulo ,  v. 46, n. 1,  e20190307,    2020 .   Available from . access on  06  Feb.  2021.  Epub Mar 02, 2020.  https://doi.org/10.1590/1806-3713/e20190307.

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