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Ateromatose da aorta: entenda os principais fatores de risco

Ateromatose da aorta: entenda os principais fatores de risco

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Tudo que você precisa saber sobre Ateromatose da aorta: fatores de risco, epidemiologia, complicações, diagnóstico, tratamento e prevenção.

A ateromatose da aorta, também conhecida como ateromatose aórtica, é uma condição em que depósitos de gordura, cálcio e outras substâncias se acumulam no revestimento interno da aorta. Normalmente a ateromatose da aorta acontece devido à aterosclerose que é o acúmulo de gorduras nos vasos do corpo.

A aorta é a principal artéria que transporta sangue oxigenado do coração para o resto do corpo. A ateromatose pode afetar as aortas torácicas e abdominal. Entretanto, geralmente a doença aórtica oclusiva ocasionada por esse motivo é mais comum na aorta abdominal distal. Esta fica abaixo das artérias renais e pode se estender para as artérias ilíacas.

A ateromatose pode fazer com que as paredes da aorta se tornem mais espessas e rígidas e, em última instância, levar ao estreitamento da artéria. Com isso, acaba reduzindo o fluxo sanguíneo e aumentando o risco de complicações como ataque cardíaco, derrame e doença arterial periférica.

Epidemiologia da Ateromatose da Aorta

A ateromatose da aorta é uma condição comum, principalmente entre os adultos mais velhos. Segundo estudos epidemiológicos, a prevalência de aterosclerose na aorta aumenta com a idade, sendo maior nos homens do que nas mulheres.

Um estudo descobriu que a aterosclerose da aorta estava presente em cerca de 70% dos homens e 60% das mulheres com mais de 65 anos.

Outro estudo descobriu que a prevalência de aterosclerose aórtica era maior em indivíduos com outros fatores de risco cardiovascular. Entre eles, pacientes com hipertensão, colesterol alto, obesidade, sedentarismo e diabetes.

A ateromatose da aorta também é mais comum entre indivíduos com certas condições médicas subjacentes, como diabetes, doença renal crônica e doença arterial periférica. Ou seja, todo médico que atende pacientes em unidades básicas de saúde, ambulatórios e consultórios estão sujeitos à se deparerem com esse paciente.

Fisiopatologia

A ateromatose aórtica, quando ocasionada pela aterosclerose, é uma doença progressiva que envolve o acúmulo de depósitos de gordura, chamados placas, no revestimento interno da parede da aorta. A fisiopatologia da ateromatose aórtica é um processo complexo que envolve múltiplos fatores.

O desenvolvimento da ateromatose aórtica começa com o dano ao revestimento interno da aorta, que pode ser causado por vários fatores, incluindo pressão alta, altos níveis de colesterol LDL, tabagismo e inflamação.

As células endoteliais danificadas na parede da aorta liberam substâncias químicas que atraem glóbulos brancos, que então se movem para a área e engolem o colesterol LDL oxidado.

Essas células tornam-se células espumosas, que se acumulam e se combinam com outros componentes celulares e extracelulares para formar estrias gordurosas.

Com o tempo, as estrias gordurosas se tornam mais complexas e se transformam em placas, que consistem em colesterol, células musculares lisas, tecido conjuntivo e células inflamatórias.

À medida que as placas crescem, elas podem estreitar o lúmen da aorta, reduzindo o fluxo sanguíneo e aumentando o risco de doença cardiovascular aterosclerótica. Em alguns casos, as placas podem se romper, causando a formação de um coágulo sanguíneo, que pode levar a um infarto ou derrame.

Fatores de risco da Ateromatose da Aorta

Os fatores de risco para ateromatose da aorta também variam de acordo com a população. Por exemplo, nos países desenvolvidos, altos níveis de colesterol e tabagismo são os principais contribuintes para o desenvolvimento da aterosclerose. Já nos países em desenvolvimento, infecções como a Chlamydia pneumoniae foram associadas à doença.

Existem vários fatores de risco para ateromatose da aorta, incluindo:

  • Idade: O risco de desenvolver aterosclerose aumenta com a idade, sendo a condição mais comum em adultos mais velhos.
  • Genética: Uma história familiar de aterosclerose ou doença cardiovascular pode aumentar o risco de um indivíduo desenvolver a doença.
  • Colesterol alto: altos níveis de colesterol LDL no sangue podem contribuir para o acúmulo de placas nas artérias.
  • Pressão alta: A pressão alta pode danificar o revestimento interno das artérias e facilitar a formação de placas.
  • Fumar: Fumar pode danificar as paredes das artérias e facilitar a formação de placas, aumentando o risco de aterosclerose.
  • Diabetes: O diabetes pode aumentar o risco de aterosclerose, danificando os vasos sanguíneos e aumentando a inflamação no corpo.
  • Obesidade: A obesidade pode aumentar o risco de aterosclerose, contribuindo para pressão alta, colesterol alto e inflamação.
  • Estilo de vida sedentário: a falta de atividade física pode contribuir para a obesidade, pressão alta e colesterol alto. Isso aumenta o risco de aterosclerose.
  • Doença renal crônica: pode aumentar o risco de aterosclerose, contribuindo para a hipertensão arterial e colesterol alto.

Manifestações clínicas da Ateromatose da Aorta

A gravidade da ateromatose da aorta vai depender da competência das artérias colaterais e do grau de oclusão da aorta. Se o fluxo sanguíneo colateral for suficiente em uma oclusão completa da aorta, pode não ter sintomas isquêmicos. Mas, caso o fluxo não seja suficiente e condição progrida, pode ocorrer alguns achados, como:

  • Dor ou desconforto no peito: pode ser semelhante à angina, uma condição causada pela redução do fluxo sanguíneo para o coração.
  • Falta de ar: À medida que a aterosclerose na aorta progride, pode levar à redução do fluxo sanguíneo para os pulmões, causando falta de ar ou dificuldade para respirar.
  • Dor abdominal: A aterosclerose na aorta abdominal pode causar dor abdominal. Esta pode ser intensa e súbita em casos de dissecção aórtica ou aneurisma.
  • Dor nas pernas: a aterosclerose nas artérias das pernas pode causar dor, cãibras ou fraqueza nas pernas. Isso ocorre principalmente durante a atividade física.
  • Fraqueza ou dormência: Em casos de dissecção aórtica ou aneurisma, a aterosclerose pode causar fraqueza ou dormência nos braços, pernas ou outras partes do corpo.
  • Alterações na visão ou na fala: a aterosclerose nas artérias carótidas, que fornecem sangue ao cérebro, pode causar alterações na visão, na fala ou no equilíbrio, levando potencialmente a um derrame.

Complicações

A ateromatose aórtica pode levar a várias complicações, incluindo:

  • Aneurisma da aorta: a aterosclerose pode enfraquecer as paredes da aorta. Isso leva ao desenvolvimento de um aneurisma ou de uma protuberância na artéria. Se o aneurisma se romper, pode causar sangramento com risco de vida.
  • Dissecção aórtica: a aterosclerose também pode aumentar o risco de dissecção aórtica, que é uma ruptura na camada interna da aorta que pode levar ao redirecionamento do fluxo sanguíneo através da parede da artéria, podendo causar danos aos órgãos ou morte.
  • Doença arterial periférica: A aterosclerose na aorta também pode causar estreitamento e bloqueios em outras artérias, como as das pernas, levando à doença arterial periférica. Os sintomas da doença arterial periférica podem incluir dor nas pernas, cãibras e dormência.
  • Infarto: Se a aterosclerose na aorta levar ao acúmulo de placas nas artérias coronárias, pode causar um ataque cardíaco ao bloquear o fluxo sanguíneo para o coração.
  • AVC: A aterosclerose na aorta também pode levar ao desenvolvimento de coágulos sanguíneos que podem viajar para o cérebro, causando um derrame.

É importante controlar os fatores de risco para ateromatose aórtica e passar por triagem e monitoramento regulares da condição, a fim de prevenir ou controlar essas complicações.

Diagnóstico da ateromatose da aorta

O diagnóstico de ateromatose aórticapode ser feito usando uma combinação de histórico médico, exame físico e testes diagnósticos. Alguns testes diagnósticos comuns usados para diagnosticar a ateromatose aórtica incluem:

Exames de imagem

  • Ultrassonografia;
  • Tomografia computadorizada (TC);
  • Ressonância magnética (RM)

Alguns desses exames ou a combinação deles podem ajudar a visualizar a aorta e detectar a presença de placas ateroscleróticas ou aneurismas.

Exames de sangue

Os exames de sangue podem ajudar a avaliar os níveis de colesterol e marcadores de inflamação. Ambossão importantes fatores de risco para ateromatose aórtica.

Eletrocardiograma (ECG)

Um ECG pode ajudar a detectar quaisquer anormalidades na atividade elétrica do coração. E ainda, identificar sinais de isquemia ou dano cardíaco, que podem ser causados por aterosclerose na aorta.

Angiografia

A angiografia envolve a injeção de um corante de contraste nos vasos sanguíneos e a obtenção de raios-X para visualizar o fluxo sanguíneo e detectar quaisquer bloqueios ou estreitamentos causados por placas ateroscleróticas.

Exame físico

Um exame físico pode revelar sinais de doença arterial periférica. Como por exemplo, pulso fraco ou ausente, ou dor abdominal ou nas costas, o que pode indicar um aneurisma ou dissecção da aorta.

O diagnóstico de ateromatose aórtica pode envolver uma combinação desses testes, dependendo dos sintomas e fatores de risco do indivíduo.

Tratamento

O tratamento da ateromatose aórtica envolve uma combinação de modificações no estilo de vida e medicamentos destinados a reduzir o risco de complicações e melhorar os resultados. Em casos graves, a cirurgia também pode ser necessária para remover ou reparar a parte afetada da aorta.

Alguns tratamentos comuns para ateromatose aórtica incluem:

Modificações no estilo de vida

As modificações no estilo de vida são um componente importante do tratamento da ateromatose aórtica e podem incluir exercícios regulares, dieta saudável e cessação do tabagismo.

Medicamentos

Fármacos como estatinas ajudam a diminuir os níveis de colesterol. Medicamentos anti-hipertensivos ajudam a controlar a pressão alta. Ambos são comumente prescritos para reduzir o risco de complicações associadas à ateromatose aórtica.

Uso de medicamentos antiplaquetários e anticoagulantes

Esses medicamentos podem ser prescritos para reduzir o risco de coágulos sanguíneos e derrame em indivíduos com ateromatose aórtica.

Cirurgia

Em casos graves de ateromatose aórtica, pode ser necessária cirurgia para remover ou reparar a parte afetada da aorta. Isso pode incluir procedimentos como endarterectomia, angioplastia ou enxerto aórtico.

O tratamento da ateromatose aórtica é adaptado aos sintomas, fatores de risco e estado geral de saúde do indivíduo.

Prevenção da ateromatose da aorta

A prevenção da ateromatose aórtica envolve a adoção de um estilo de vida saudável. Além disso, é preciso realizar o gerenciamento dos fatores de risco que podem contribuir para o desenvolvimento e progressão da doença.

Algumas estratégias comuns para prevenir a doença incluem:

  • Manter uma dieta saudável: uma dieta saudável com baixo teor de gorduras saturadas e trans, colesterol e sódio. Deve ser rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras pode ajudar a reduzir o risco de ateromatose aórtica.
  • Exercício regular: o exercício regular pode ajudar a melhorar a saúde cardiovascular e reduzir o risco de ateromatose aórtica. A American Heart Association recomenda pelo menos 150 minutos de exercícios aeróbicos de intensidade moderada por semana.
  • Cessação do tabagismo: O tabagismo é um importante fator de risco para ateromatose aórtica e outras doenças cardiovasculares. Parar de fumar é uma das maneiras mais eficazes de reduzir o risco de ateromatose aórtica e melhorar a saúde geral.
  • Gerenciando condições crônicas: condições crônicas como hipertensão, diabetes e colesterol alto podem contribuir para o desenvolvimento e progressão da ateromatose aórtica.

Sugestão de leitura complementar

Referências

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças Cardiovasculares: principal causa de morte no mundo pode ser prevenida. Cuidados com o coração. Brasília, 2022.
  2. CREA, F. et al. Mechanisms of acute coronary syndromes related to atherosclerosis. UpToDate, 2022.
  3. Medicina Interna de Harrison [recurso eletrônico]. J. Larry Jameson… [et al.]; tradução: André Garcia Islabão…[et al.] ; [revisão técnica: Ana Maria Pandolfo Feoli… [et al]. – 20. ed. – Porto Alegre : AMGH, 2020. e-PUB.
  4. ROSENSON, R. Lipoprotein classification, metabolism, and role in atherosclerosis. UpToDate, 2022.
  5. ZHAO, X.Q. Pathogenesis of atherosclerosis. UpToDate, 2022.