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Autismo: como você abordaria um caso? | Colunistas

Autismo: como você abordaria um caso? | Colunistas

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Nos últimos anos, a prevalência do autismo aumentou exponencialmente devido à expansão do conhecimento sobre o transtorno e bem como do esforço para reconhecê-lo quanto mais cedo possível. Ainda assim, boa parte dos profissionais não está preparada para perceber os sinais do autismo e pode retardar seu diagnóstico esperando que a criança adquira habilidades do desenvolvimento com tempo.

O que é autismo? Como perceber?           

            O Autismo ou Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento, sendo caracterizado tipicamente pelas dificuldades para comunicação e interação social cotidiana, afetividade negativa e comportamentos repetitivos ou muito específicos.

            Geralmente, as manifestações do autismo aparecem nos primeiros anos de vida e podem ser perceptíveis logo após o nascimento. No entanto, infelizmente o diagnóstico é feito por volta dos 4 ou 5 anos na maioria das vezes e não há exames específicos. Os meninos são quatro vezes mais acometidos que as meninas e não há predomínio de raça ou padrão socioeconômico.

Qual o papel do médico? Como agir frente a um caso de autismo?

            Em um estudo realizado no Brasil recentemente, o pediatra foi o médico mais procurado para identificar problemas no desenvolvimento das crianças com suspeita de autismo (84%). Não obstante, sabemos que no país existe pouca disponibilidade de profissionais especialistas e, por isso, todos os atendentes da atenção básica e generalistas devem estar preparados para reconhecer o transtorno e acolher os pacientes e suas famílias.

            Uma vez identificado, é necessário que o médico estabeleça uma relação de confiança com a família, garantindo que haja compreensão do transtorno, da importância da estimulação precoce e da organização da rotina familiar. A interação entre o profissional e os pais ou responsáveis deve ser acolhedora, pois se trata de um diagnóstico de difícil aceitação e com repercussões em vários âmbitos (familiar, socioeconômico e escolar, por exemplo).

            Ao receber o diagnóstico, a família pode passar por alguns estágios até chegar à aceitação, como: impacto, negação, luto, enfoque externo e encerramento. Nesse período, pode ser difícil compreender o transtorno e o médico precisa estar preparado para intervir de maneira sensível, reconhecendo os conflitos e dispondo de habilidades para tranquilizar, acolher, esclarecer e mostrar-se disponível como um aliado na busca pela melhoria da qualidade de vida do paciente autista.

            Sempre que possível, outros profissionais deverão ser incluídos no acompanhamento do portador do TEA como os psicólogos e fonoaudiólogos, por exemplo. Isso amplia as possibilidades de melhora do quadro e facilita a ampliação das habilidades neurocomportamentais. Além disso, o médico deve atentar-se para o estresse a que os cuidadores estão sujeitos e perceber quando é preciso acompanhar também a repercussão do autismo sobre eles, sendo comum o sentimento de culpa, a negação e a sensação de incapacidade.

O que causa o autismo?

            Ainda não se sabe, porém acredita-se que há interação genética com fatores ambientais diversos como idade avançada dos pais, negligência aos cuidados de infância, desenvolvimento intrauterino limitado e parto prematuro.

Há cura?

            Não há cura para o autismo. No entanto, está claro que quanto mais cedo o problema é reconhecido e sofre intervenção de uma equipe multidisciplinar, melhor será o prognóstico. Isso é explicado pela capacidade que o cérebro jovem possui de recuperação e desenvolvimento adaptativo.

Onde encontrar mais informações?

            Felizmente, hoje há muitas instituições, ONGs e pessoas qualificadas para informar sobre autismo. Alguns exemplos:

http://www.autismo.org.br/site/index.php

https://neurosaber.com.br/

https://autismoerealidade.org.br/

Autor: Welberth Fernandes

Instagram: @welberthfs


O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto