Psiquiatria

Avaliação Geriátrica Ampla (AGA): Cognição, Humor e Sono | Colunistas

Avaliação Geriátrica Ampla (AGA): Cognição, Humor e Sono | Colunistas

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Imagem de perfil de Claudio Afonso Peixoto

No ano de 2021, dos 210 milhões de brasileiros identificados por censo, 37,7 milhões são pessoas idosas. Esse fato e o visível envelhecimento da população faz com que a medicina precise cada vez desenvolver sua capacidade de atender pessoas com mais de 60 anos. 

Além disso, cerca de 65% dos indivíduos entre 65 e 84 anos e 82% dos idosos com 85 anos ou mais são portadores de múltiplas comorbidades, principalmente no chamado “Efeito Iceberg”, definido como múltiplas doenças crônicas coexistindo de forma oculta nesta população. Assim, torna-se clara a importância de estudar sobre a saúde e bem estar da terceira idade.

Avaliação Geriátrica Ampla

Nesse sentido a Avaliação Geriátrica Ampla (ou simplesmente AGA) aparece como forma de avaliar – como o próprio nome diz – de forma holística os pacientes geriátricos. Incluindo diversos aspectos da saúde e qualidade de vida, como: aspectos biomédico, mental, social, funcional e ambiental, a AGA compõe o processo diagnóstico multidimensional e interdisciplinar de diversas doenças e para a identificação não apenas destas, mas também de possíveis necessidades e planejamentos que o idoso possa necessitar para a prevenção, o cuidado e a assistência adequados. A utilização desta ferramenta é especialmente aplicada em idosos frágeis e aqueles conhecidamente portadores de múltiplas comorbidades.

Ou seja, a AGA ou Avaliação Geriátrica Ampla consiste em uma verdadeira etapa do paciente idoso composta por escalas diversas que se complementam no dimensionamento global da condição biopsicossocial e cognitivo-comportamental do cliente. Utilizando sempre a saúde do paciente em todos os seus âmbitos e utilizando de base a medicina baseada em evidencias e centrada na pessoa. Como já foi dito, diversas escalas e exames – dos quais muitos não são específicos para a idade geriátrica – somam-se para estratificar a condição do paciente em questão, avaliando inclusive a autonomia do paciente. 

Se tratando de uma ferramenta utilizada para a conclusão diagnóstica multidimensional, a AGA é estruturada e bem definida para que seja possível a avaliação constate e acompanhamento da evolução do cliente de tempo em tempos e avaliar periodicamente o prognóstico. Quatro grandes dimensões são avaliadas, e são elas: a capacidade funcional, as condições médicas vigentes, o funcionamento social e a saúde mental do indivíduo, por meio dos seguintes parâmetros:

  1. Equilíbrio, mobilidade e risco de quedas,
  2. Função cognitiva,
  3. Condições emocionais,
  4. Deficiências sensoriais,
  5. Capacidade funcional,
  6. Estado e risco nutricional,
  7. Condições socioambientais,
  8. Polifarmácia e medicações inapropriadas,
  9. Comorbidades e multimorbidade.

Cognição, Humor e Sono

Dentre os aspectos avaliados pela Avaliação Geriátrica Ampla, estão o humor, o sono e a cognição. Quando se pensa neste último, as dimensões e condições abordadas e avaliadas são: a atenção, o raciocínio, o pensamento, a memória, o juízo, a abstração e a linguagem. Alterações nesses pontos podem culminar em uma perda de autonomia, podendo gerar uma progressiva dependência do idoso avaliado. 

Já foram desenvolvidos ao longo da história diversas escalas e testes utilizados para o fim de avaliar esses quesitos no cliente em questão. Contudo, hodiernamente, dentre as ferramentas mais utilizadas se destacam: o MEEM (Mini Mental State Examination- MMSE) ou o Mini Exame do estado Mental utilizado  para a avaliação da função cognitiva, o teste do relógio utilizado para analisar a capacidade do indivíduo com mais de 60 anos na administração do seu tratamento e no seu autocuidado quanto as comorbidades, o teste cronometrado da contagem do dinheiro demonstra de forma congruente a velocidade de decisão humana (a qual pode se deteriorar com o passar dos anos), o CAM (Confusion Assessment Method) ou Método de Avaliação de Confusão busca por sinais de delírio e o GDS (Geriatric Depression Scale) ou Escala de Depressão Geriátrica, pode ser usada para avaliação de transtornos e anomalias de humor.

Mini Exame do Estado Mental

O Mini exame do Estado Mental (Minimental) é um instrumento considerado rápido e de fácil aplicação pelos profissionais da saúde. Por ele é possível avaliar os principais aspectos da função cognitiva. Trata-se do principal instrumento de avaliação cognitiva de pacientes psiquiátricos. Os domínios cognitivos avaliados são os seguintes: orientação (temporal e espacial), memória, atenção e cálculo, praxia e linguagem. Vale lembrar que a escolaridade deve ser sempre acessada e verificada antes da aplicação do exame pois influencia os resultados.

Fonte: Guia dos Instrumentos de Avaliação Geriátrica, 2019.

Escala de Depressão Geriátrica

A Escala de Depressão Geriátrica (GDS) é um instrumento de rastreamento de depressão em idosos – como o próprio nome sugere. Composto por 15 perguntas de sim ou não, o ponto de corte considerado para o rastreio da depressão ou alteração de humor nos clientes avaliados é de 5/6. Essa escala apresenta vantagens de devem ser consideradas, ela é composta por perguntas fáceis de serem compreendidas, com as respostas restritas o que facilita e torna mais objetiva a avaliação, pode ser realizada uma autoaplicação ou ser aplicada por entrevistadores treinados de qualquer área da saúde.

Fonte: Guia dos Instrumentos de Avaliação Geriátrica, 2019.

Conclusão

Em resumo, observamos nos últimos anos um envelhecimento da população que vem se acentuando cada vez mais o que exige e exigirá dos sistemas de saúde cada vez mais atenção e habilidade com os pacientes idosos. Nesse sentido a Avaliação Geriátrica Ampla figura como ferramenta fundamental avaliando o equilíbrio, a mobilidade e risco de quedas, a função cognitiva, as condições emocionais, as deficiências sensoriais, a capacidade funcional, o estado e risco nutricional, as condições socioambientais, a questão da polifarmácia e medicações inapropriadas, e as comorbidades e multimorbidades. Espero que tenha ajudado você leitor ou leitora a compreender um pouco mais sobre essa ferramenta, sua importância e suas características. Bons Estudos! 

Autor: Claudio Afonso Caetano Pereira Peixoto

Instagram: @claudioafon

Referências

Guia dos Instrumentos de Avaliação Geriátrica [Recurso Eletrônico] / Renato Peixoto Veras. – Rio de Janeiro: Unati/UERJ, 2019.

SARAIVA, Luciana Braga et al. Avaliação geriátrica ampla e sua utilização no cuidado de enfermagem a pessoas idosas. Journal of Health Sciences, v. 19, n. 4, p. 262-267, 2017.

MELO, Ana Beatriz De Biase Bezerra de et al. Avaliação geriátrica ampla na identificação de fatores de risco para eventos adversos precoces em idosas com câncer de mama. 2021.

BOURDEL-MARCHASSON, Isabelle; DANET-LAMASOU, Marie. L’évaluation gérontologique standardisée, un outil pour améliorer les soins aux personnes âgées diabétiques. NPG Neurologie-Psychiatrie-Gériatrie, v. 15, n. 86, p. 84-88, 2015.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.