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Bebês podem ter alguma proteção à COVID pelo leite materno? | Colunistas

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Introdução

Após 1 ano e seis meses do surgimento do vírus SARS-COV-2 e o início da proliferação da doença conhecida como COVID-19, muitos assuntos ainda estão sendo esclarecidos, um deles, de suma importância para o enfrentamento da pandemia, é a possibilidade de que os recém-nascidos possam adquirir alguma proteção graças aos anticorpos presentes no leite materno.

Inicialmente, discutiam-se como as mães deveriam proceder para manter a amamentação em tempos de pandemias, principalmente aquelas infectadas pelo vírus e que desenvolviam a doença. Certos profissionais indicavam a interrupção da amamentação, alguns indicavam a retirada do leite e a oferta ao bebê através de copinhos ou mamadeiras, outros orientavam para que a amamentação continuasse de forma normal seguindo apenas a etiqueta respiratória, com o uso da máscara e a higienização com água e sabão ou álcool em gel antes e após o aleitamento.

Em meados de julho de 2020 a Sociedade Brasileira de Pediatria se posicionou com orientações e recomendações sobre o aleitamento no contexto pandêmico, os principais tópicos eram que o aleitamento materno deveria ser realizado desde que a mãe estive em condições de fornece-lo ao seu bebê, cada caso devia ser estudado de forma individualizada e a conduta seria única para cada paciente e, por fim, como não foi comprovado ate o momento a transmissão vertical do vírus o ideal então é que seja realizada a amamentação.

Contudo, com a evolução dos estudos outro tema de bastante relevância foi sendo mais analisado, a resposta imune adquirida pelos recém-nascidos amamentados ou por mães contaminadas pelo vírus, ou por aquelas que já foram imunizadas.

Importância do aleitamento materno

Atualmente, na medicina a importância do aleitamento materno tanto para saúde do recém-nascido quanto para saúde da mãe já esta bem estabelecida, sabe-se que o leite materno como fonte de nutrientes é um alimento extremamente rico, ademais por via da amamentação a mãe transmite anticorpos para sua prole, essas moléculas, chamadas de imunoglobulinas são responsáveis por garantir a saúde do bebê nos primeiros anos de vida e formar a base do sistema imunológico dele por toda a vida.

Segundo estudos a amamentação reduz em 13% os casos de mortalidade infantil até os 5 anos de idade, auxilia também no combate de doenças como alergias, enterocolites, asma, diabetes, botulismo, doenças autoimunes, hipertensão, obesidade.

Conforme a nutricionista infantil, Fernanda Monteiro o foco do aleitamento materno deve ser sempre o recém-nascido, contudo é claro que existem também benefícios diversos para a mãe, os principais deles são a redução do risco de desenvolvimento do câncer de mama e a ajuda ao reestabelecimento corporal pós parto, pois os estímulos provocados pela a amamentação favorecem para que o útero se contraia e volte ao seu tamanho original mais rapidamente.

Aleitamento materno X Covid-19

A grande notícia do ano de 2021 para a pediatria foi a possibilidade que o aleitamento materno auxiliasse no enfrentamento da pandemia, mas como isso seria possível? Pois, bem! De acordo com um estudo publicano na revista norte-americana “The Journal of the American Medical Association (JAMA), essa pesquisa foi realizada em Israel, com um grupo relativamente baixou de mulheres, essas foram vacinadas com a Pfizer e apos o processo imunológico da vacina, foram encontrados no leite materno, altos níveis de anticorpos, principal mentes da Imunoglobulina G (IgG), responsável  por uma reposta mais tardia, porem sendo mais específica no combate ao patógeno, visto que a produção dessa molécula se dá com base no microorganismo invasor, ademais a IgG continua circulante no sangue sendo responsável pela proteção contra infecções futuras, dessa forma, aqueles recém-nascidos que tiverem expostos a esses níveis de IgG tendem a desenvolver uma resposta imune a um infecção pelo vírus do SARS-COV-2 mesmo sem entrar em contato com o patógeno.

Outra imunoglobulina encontrada no estudo foi a Imunoglobulina A que tem como principal função a estimulação do sistema imunológico do recém-nascido visando ao fortalecimento desse.

Segundo o Dr. Luciano Borges Santiago, esses resultados são animadores, contudo ainda são necessários mais estudos uma  vez a resposta desses anticorpos contra o vírus do SARS-COV-2  em testes in vitro já foram observados então existe sim, a possibilidade de que o leite materno possa gerar uma proteção efetiva “Tudo indica que sim e nós torcemos para ser positivo. Em outras vacinas isso já foi mostrado, mas nesse caso ainda é preciso tempo de evolução e estudos comparativos em mães que foram vacinadas e amamentaram e mães que não amamentaram para ver se a incidência do vírus será menor em crianças amamentadas com leite com anticorpos”.

Proteção garantida pelo aleitamento?

Ainda é cedo para afirmar-se com certeza que o leite materno tem propriedades capazes de garantir a proteção contra a COVID para os bebês, contudo os ensaios in vitro e os estudos com mulheres vacinadas em período de amamentação indica um horizonte positivo para o enfrentamento da pandemia, dado que as propriedades imunológicas do aleitamento já são conhecidas em diversas outras infecções.

O Dr. Luciano Borges aponta que vários estudos ao longo dos anos já indicavam que imunizantes tinham relativo efeito protetivo sobre os bebes a partir da transmissão de anticorpos de memória imunológica pelo leite materno, como é no caso das vacinas de Influenza, Coqueluche e Tétano. A tendência é que a medida que novos estudos sejam feitos os conhecimentos sobre os benefícios da amamentação no enfrentamento da pandemia fiquem mais esclarecidos.

Conclusão

Por fim, os resultados animadores dos estudos sobre a presença de anticorpos no leite materno servem não só para jogar luz sobre o enfrentamento da pandemia, mas também para exaltar a importância do aleitamento nos primeiros anos de vida de todos os recém-nascidos, é valido ressaltar que até os 06 meses de idade o ideal é o uso exclusivo do leite materno como fonte de alimentação e apos os 06 meses até os dois anos é indicado ainda a amamentação associada a outros alimentos indicados pelos pediatras e nutricionistas infantis.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

1. Como fica a amamentação em mães, COVID-19 suspeitas ou confirmadas? –  https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/nutricao/como-fica-a-amamentacao-em-maes-covid-19-suspeitas-ou-confirmadas/

2. A importância da amamentação até os seis meses – https://saudebrasil.saude.gov.br/eu-quero-me-alimentar-melhor/a-importancia-do-leite-materno-nos-primeiros-seis-meses-da-crianca

3. SBP repercute estudo que aponta a presença de anticorpos contra covid-19 no leite de mães vacinadas – https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sbp-repercute-estudo-que-aponta-a-presenca-de-anticorpos-contra-covid-19-no-leite-de-maes-vacinadas/

4. O leite materno contém anticorpos para sars-cov-2 – http://www.ibfan.org.br/site/noticias/o-leite-materno-contem-anticorpos-para-sars-cov-2.html

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