Coronavírus

Brasileiros desenvolvem teste rápido de COVID-19 para ampliar diagnóstico

Brasileiros desenvolvem teste rápido de COVID-19 para ampliar diagnóstico

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Sanar

4 minhá 39 dias

Um teste rápido de COVID-19 foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros para ampliar a amostragem de infectados no país. Com custo até cinco vezes menor do que a média do mercado, o teste detecta em dez minutos a presença de anticorpos produzidos ainda na fase aguda da doença.

O dispositivo é resultado de uma parceria entre o Instituto de Química da Universidade de São Paulo em parceria com a startup Biolinker. Em entrevista à Agência FAPESP, o coordenador do estudo, Frank Crespilho, explica que a descoberta poderá ajudar, inclusive, a monitorar a resposta da população às vacinas.

Assim como os testes rápidos já disponíveis nas farmácias, o novo material analisa uma amostra de sangue para identificar a presença de anticorpos do tipo imunoglobulina G (IgG), produzidos na fase aguda da COVID-19, em média entre o 7º e o 10º dia após o aparecimento dos sintomas.

Se o paciente testado já tiver anticorpos, duas bolinhas avermelhadas aparecem no leitor.

“Quanto mais anticorpos há no sangue, mais forte é o tom de vermelho das bolinhas. Por esse motivo, acreditamos que o teste também poderá ser usado para monitorar a resposta da população às vacinas. Sabemos que nem todo mundo desenvolve imunidade protetora após se vacinar e também que o nível de anticorpos diminui com o tempo”, diz Crespilho, enfatizando que a tecnologia poderá ser adaptada também para as novas variantes virais.

O Brasil começou a vacinar a população na última segunda-feira, 18, após a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do uso emergencial das vacinas CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e AstraZeneca, resultado de uma parceria entre a Universidade de Oxford e a Fiocruz. 

Teste rápido de COVID-19 Mais acessível

O preço é uma grande vantagem do que vem sendo chamado de “Teste Popular de COVID-19”. Segundo os pesquisadores, assim que a Anvisa liberar, ele poderá ser vendido por cerca de R$ 30. O preço médio dos semelhantes já disponíveis é de R$ 140.

A redução de custo foi possível graças ao desenvolvimento de uma tecnologia em nanopartículas, que facilita a identificação dos anticorpos e otimiza a quantidade de insumos necessários para a produção.

“Nós conjugamos uma nanopartícula de ouro [que dá a cor avermelhada às bolinhas] a um pedaço da proteína spike do SARS-CoV-2, que é reconhecido pelos anticorpos humanos. Esse bioconjugado é aproximadamente 1 milhão de vezes menor do que um fio de cabelo”, explica Crespilho à Agência FASPESP. “Todos os insumos usados no dispositivo são produzidos no Brasil, o que contribui para reduzir o custo. Trabalhamos em turno dobrado para finalizar o trabalho em apenas quatro meses”, completou.

Eficácia ainda precisa ser comprovada

O novo dispositivo poderá ajudar a resolver um gargalo do Brasil: a falta de testagem em massa. A ideia é que o custo atraente garanta que as populações de baixa renda consigam receber o diagnóstico rapidamente.

A eficácia do novo teste, porém, ainda está sendo avaliada pelos pesquisadores, que também estão trabalhando para escalar a produção e aumentar os ensaios de validação da metodologia por pares.

Ainda segundo à Agência FAPESP, cerca de 500 unidades serão testadas em amostras de pacientes atendidos na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Botucatu, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“Também estamos em negociação com grupos do Nordeste. Finalizada essa etapa de validação, que ao todo deve levar cerca de um mês, podemos pedir o registro na Anvisa”, conta Crespilho.

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