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ButanVac: saiba como funciona a primeira vacina contra COVID-19 100% brasileira

ButanVac: saiba como funciona a primeira vacina contra COVID-19 100% brasileira

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Sanar

5 minhá 22 dias

O Instituto Butantan e o Governo do Estado de São Paulo anunciaram nesta sexta-feira (26/03) a ButanVac, uma vacina contra a COVID-19 produzida integralmente no Brasil e capaz de neutralizar a variante brasileira P.1. 

Além de não depender da importação de insumos para a produção, a vacina aproveita a mesma tecnologia utilizada na vacina contra a gripe e será oferecida em dose única.

Por isso, será uma opção mais barata, com maior potencial de imunização e que pode ajudar a acelerar a vacinação da população brasileira.

A Anvisa deve receber ainda hoje o pedido de autorização para ensaios clínicos em seres humanos. Em entrevista coletiva, o governador do estado de São Paulo, João Doria, informou que a previsão é de que 40 milhões de doses estejam prontas em julho.

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Nova geração de imunizantes

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que a vacina faz parte de uma nova geração de imunizantes, e acredita que a fase de testes possa ser mais rápida, o que permitiria iniciar a vacinação em curto prazo.

“Nós aprendemos com as vacinas anteriores, já sabemos o que é uma boa vacina contra a COVID-19. Essa será uma vacina de segunda geração, mais imunogênica”, disse, durante a coletiva de imprensa.

Atualmente, o Instituto Butantan é o maior produtor de vacinas do país e responsável pelo fornecimento da CoronaVac, desenvolvida em parceria com o laboratório chinês Sinovac e o imunizante mais utilizado no Brasil no combate à pandemia.

ButanVac é Eficaz contra a P.1 e adaptável

Segundo o Instituto Butantan, a ButanVac está prepara para combater a variante P.1, detectada pela primeira vez no Amazonas e já predominante entre os casos de COVID-19 de diversos estados e municípios do Brasil.

Covas afirmou que o imunizante já foi desenvolvido a partir dessa variante. “Na realidade, nós trabalhamos na versão P.1 da vacina, então quando entrar em produção será na versão P.1”, disse.

Além de neutralizar a variação brasileira do vírus, Covas afirmou ainda que o Butantan poderá adaptar o imunizante para outras variantes do SARS-CoV-2.

Como funciona a ButanVac

A tecnologia da ButanVac usa um vírus de uma gripe aviária (Doença de Newcastle, uma patologia que não provoca sintomas em seres humanos) como vetor para levar a proteína Spike do SARS-CoV-2 de forma íntegra, estimulando o organismo a produzir anticorpos.

Por utilizar um vetor viral que não causa sintomas no ser humano, a vacina é considerada com alto perfil de segurança. A técnica do vetor viral como forma de levar a proteína Spike não é novidade: as vacinas da Oxford/AstraZeneca e da Janssen também utilizam tecnologia parecida para estimular a resposta imunológica.

A grande vantagem da ButanVac é que o cultivo de cepas em ovos de galinha embrionários – o vetor viral precisa de uma célula viva para se replicar -, o que contribui para o barateamento da produção.

“Uma boa sacada”

A mesma engenharia é utilizada na produção da vacina do vírus influenza, um produto para o qual o Butantan já possui estrutura industrial e já produz com excelência há muito tempo.

“Em princípio, essas vacinas que usam essa tecnologia [da vacina da gripe] são muito baratas, as mais baratas do mundo. Esperamos que aconteça o mesmo com essa vacina [Butanvac], que ela tenha um custo bem inferior”, disse o diretor do Instituto Butantan.

“Foi uma boa sacada, já que possuímos uma estrutura pronta e isso dá fôlego para a produção do imunizante. Uma vacina nossa vai trazer autonomia para o nosso plano de vacinação”, avaliou Nathália Pasternak, doutora em microbiologia e presidente do Instituto Questão de Ciência, em entrevista ao Uol.

ButanVac potencializa resposta imunológica

A vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) disse, também em entrevista ao Uol, que outra vantagem da ButanVac é que o vírus utilizado é desconhecido do organismo, o que pode potencializar a resposta imunológica.

“O adenovírus é um patógeno comum e muitas pessoas já tiveram contato com ele,  que pode causar uma certa confusão no sistema imunológico, que vai reconhecer o vírus”, afirma. “Quando é um vírus ‘inédito’ para o corpo, a resposta tende a ser melhor”, explicou.  

*Com informações da CNN Brasil

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