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CÁLCULO DO SALÁRIO LÍQUIDO DE 2021 | Colunistas

CÁLCULO DO SALÁRIO LÍQUIDO DE 2021 | Colunistas

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Está trabalhando e foi informado apenas do seu salário bruto, mas tem dúvidas de quanto efetivamente receberá? Então preste atenção ao longo deste artigo.

Breve história do salário

Salário é um termo derivado do latim. Nas suas origens, era chamado de salarium argentum, que, em tradução livre para o português, significa “pagamento em sal”, uma vez que os pagamentos pelos serviços prestados no Império Romano eram feitos com sal. Essa substância era extremamente rara e, por esse motivo, tinha alto valor de troca. Com isso, era usada para trocar por alimentos, roupas, objetos e qualquer outro produto.

Diferença entre salário bruto e líquido

O salário bruto é aquele que é determinado em troca do seu serviço. Já o salário líquido é aquele que você efetivamente receberá pelo seu trabalho, considerando os descontos aplicados, como o Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e a contribuição para o Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS).

Sobre os descontos efetuados

Como citado acima, as duas principais taxas que são descontadas do salário bruto são o IRPF e o INSS. Os valores dessas serão proporcionais ao salário recebido, mas para este último, há um teto. Em 2021, o máximo que o contribuinte pagará para o INSS será R$ 751,99. Já em relação ao IRPF, a maior taxa será de 27,5%, mas não há valor máximo absoluto de cobrança. Nos próximos tópicos, explicarei como é realizado o cálculo de cada desconto.

É importante saber que, pelo fato de a contribuição do INSS ter um teto, caso você trabalhe em mais de um emprego, é preciso comprovar o pagamento que já paga o valor máximo, de modo a não pagar excedente, que não acarretará nenhum benefício.

Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS)

O primeiro desconto a ser efetuado é o INSS – e não o IRPF (este é calculado sob o valor restante).

TABELA DE CONTRIBUIÇÃO PARA O INSTITUTO NACIONAL DE SEGURIDADE SOCIAL (INSS) – A PARTIR DE 2021:

SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (R$)ALÍQUOTA INSS
Até 1.100,007,5%
De 1.100,01 até 2.203,489%
De 2.203,49 até 3.305,2212%
de 3.305,23 até 6.433,5714%
Tabela formatada pelo autor. Adaptada de BRASIL, 2021

Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF)

Após o desconto do INSS, a segunda taxa será o IRPF.

  • Quem ganha até R$ 1.903,98 está isento da cobrança.
  • Valores entre R$ 1.903,99 e R$ 2.826,65 são taxados em 7,5%.
  • Valores entre R$ 2.826,66 e R$ 3.751,05 tem uma cobrança de 15%.
  • Valores entre R$ 3.751,06 e R$ 4.664,68 têm uma alíquota de 22,5%.
  • Renda acima de R$ 4.664,68 é taxada com uma tributação de 27,5%.

4. Comprovação de tempo de serviço

O método mais fácil de comprovação é a anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS), com seu respectivo salário. Caso seu emprego não conste na CTPS, será preciso demonstrar através de documentos e testemunhas.

São exemplos de documentos que podem provar o período de trabalho: comprovante de renda (holerite), comprovativos de férias, extrato do banco onde foi realizado o depósito do salário, escritos emitidos pelo sindicato.

Forma de cálculo e exemplos

Desconto pelo INSS

Caso você receba um salário de R$ 5.000, o valor de contribuição para o INSS será:

7,5% de R$ 1.100 = R$ 82,50

9% de (R$ 2.203,48-1.100,01 = R$ 1.103,47) = R$ 99,31

12% de (R$ 3.305,42- 2.203,49 = R$ 1.101,93) = R$ 132,23

14% de (R$ 5.000 -3.305,43 = R$ 1.694,57) = R$ 237,23

Somando as taxas de cada faixa salarial, o resultado será de R$ 551,27

Vamos supor que receba um salário de R$ 6.433,57 ou mais, o valor a ser descontado será o teto.

Da primeira faixa, será descontado 7,5% de R$ 1100, que dará R$ 82,50. Perante a segunda faixa, o desconto será sob a resultante de R$ 2.203,48-1100, que será R$ 1.103,47 – sendo aplicado a taxa de 9% (R$ 99,31). Já a terceira faixa será calculada sob a diferença de R$ 3305,42-2.203,49 (R$ 1.101,93), sendo incidido taxa de 12% (R$ 132,23). Na última parte será calculado da seguinte forma: R$ 6.433,47-3.305,43 (R$ 3.128,04), com a taxa de 14% (R$ 437,92).

Após isso, se somará os valores de cada faixa salarial (82,50+99,31+132,23+437,92). O resultado será R$ 751,96, sendo este o valor máximo a ser pago de contribuição ao INSS.

Desconto pelo IRPF

Vamos considerar os dois exemplos utilizados acima.

Salário bruto de R$ 5.000 (com descontos de INSS) = R$ 4.448,73. Sob este valor será cobrado uma taxa, assim como o INSS, por faixa salarial.

7,5% de (R$ 2.826,65-1.903,99= R$ 922,66) -> R$ 69,20

15% de (R$ 3.751,05-2.826,66 = R$ 924,39) – > R$ 138,66

22,5% de (R$ 4.448,73-3.751,06 = R$ 697,67) -> R$ 156,97

TOTAL = R$ 409,83

O salário líquido resultante é de R$ 4.038,90.

Salário Bruto de R$ 7.000 (com descontos de INSS) = R$ 6.248,04. Segundo a tabela de INSS, deve ser cobrada uma alíquota por todas as faixas salariais.

7,5% de (R$ 2.826,65-1.903,99= R$ 922,66) -> R$ 69,20

15% de (R$ 3.751,05-2.826,66 = R$ 924,39) – > R$ 138,65

22,5% de (R$ 4.664,68-3.751,06 = R$ 913,62) -> R$ 205,56

27,5% de (R$ 6.248,04-4.664,69 = R$ 1.583,35) -> R$ 435,42

TOTAL = R$ 848,83

O salário líquido resultante é de R$ 5.399,21.

ATENÇÃO: TODOS OS CÁLCULOS UTILIZADOS NESTE ARTIGO SÃO BASEADOS NAS TAXAS VIGENTES A PARTIR DO DIA JANEIRO DE 2021, NÃO SERVINDO COMO BASE DE CÁLCULO PARA SALÁRIOS RECEBIDOS ANTES DESSA DATA OU EM ANOS POSTERIORES.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Economia. Portaria n. 477, de 12 de janeiro de 2021. Diário Oficial da União. Brasília, 13 de janeiro de 2021. Disponível em: https://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=13/01/2021&jornal=515&pagina=23. Acesso em: 9 mar. 2021.
  2. Receita Federal do Brasil. Simulação de Alíquota Efetiva. 2021. Disponível em: http://www26.receita.fazenda.gov.br/irpfsimulaliq/private/pages/simuladoraliquota.jsf. Acesso em: 9 mar. 2021.
  3. CÔRTES, Bernardo Giusti Werneck. A PROVA DIABÓLICA NO DIREITO DO TRABALHO. In: INSTITUTO DOS ADVOGADOS DE MINAS GERAIS. Revista do Instituto dos Advogados de Minas Gerais. Belo Horizonte, v. 14, 2008. cap. 10, p. 173-226.