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Câncer de mama: dos fatores de risco ao rastreamento | Colunistas

Câncer de mama: dos fatores de risco ao rastreamento | Colunistas

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Breve introdução

É o segundo câncer mais comum no sexo feminino no Brasil (perdendo para câncer de pele não melanoma). ² Porém, não podemos nos esquecer da possibilidade de homens também terem câncer de mama, mesmo que os casos sejam raros. ³

É hormônio-dependente (o estrogênio pode causar o aumento de possíveis alterações e o consequente crescimento de células de tecido mamário, o que facilita todo o processo cancerígeno), com origem genética (esporádico ou hereditário), podendo sofrer influência ambiental e do estilo de vida.¹’⁵

Fatores de risco e prevenção

Englobam idade, sexo, história familiar, histórico de câncer em uma das mamas (maiores chances de desenvolver na mama contralateral), mutações em genes supressores tumorais (BRCA1 e BRCA2, os quais, em situações normais, têm a função de prevenir o surgimento de neoplasias e fazer o reparo do material genético), menarca precoce e menopausa tardia, terapia hormonal, nuliparidade, obesidade, sedentarismo, exposição a radiações ionizantes, alta densidade mamária em resultado da mamografia de mulheres pós-menopausadas e o consumo de álcool.¹’³’⁷

O histórico familiar de cada paciente é de suma importância, uma vez que o risco é alto quando há parente de 1º grau (considera-se mãe, irmã ou filha) com câncer de mama diagnosticado antes dos 50 anos ou que seja bilateral; história familiar de câncer de ovário independentemente da idade; história familiar com câncer de mama masculino e biópsia com atipias ou in situ.¹

O álcool é um dos fatores de risco devido ao fato de que o etanol poderá causar alteração na função de detoxificação hepática e aumentar a permeabilidade da membrana celular a carcinógenos, resultando assim em estresse oxidativo e piora do metabolismo. O aldeído presente no álcool também pode causar um aumento sérico da quantidade de estrógeno (lembrando que é uma neoplasia hormônio-dependente).⁶

As formas de prevenção tanto para homens como para mulheres baseiam-se em mudanças do estilo de vida, como praticar esportes (além de auxiliar no controle do peso e da resistência à insulina, reduz processos inflamatórios e melhora a imunidade), alimentação saudável e evitar a ingesta de bebidas alcóolicas.¹’³̒’⁶ Nas mulheres, a lactação induz à amenorreia (menor exposição aos hormônios) e troca de tecido mamário durante a mamada, reduzindo o risco.⁶  

Além disso, estratégias na saúde para o esclarecimento sobre a doença, quais os fatores de risco e protetores, qual a idade correta para realização de exames (mesmo que assintomáticos) e os sinais e sintomas para a procura de atendimento também são pontos decisivos na diminuição de casos e da mortalidade.¹ Somente não podemos nos esquecer do fato de que a escolaridade, nível socioeconômico, nível de entendimento e maneira de enfrentar desafios de cada paciente também é muito importante durante as medidas preventivas e até mesmo no momento do diagnóstico. ⁷

Clínica

Geralmente aparece como um nódulo mamário endurecido e fixo, com pequenos nódulos nas axilas ou pescoço, aderidos a planos profundos, indolores, podendo ocorrer também derrame papilar, alterações no bico do peito, lesões de pele que não melhoram com o tratamento tópico, aumento progressivo da mama, edema e pele da mama parecidas com casca de laranja.³’⁴ O Ministério da Saúde recomenda que pessoas com tais sinais e sintomas procurem o serviço de saúde urgentemente. ⁴

Conhecendo tais características, tanto o médico quanto todos os profissionais de saúde podem estar aptos a educar a população frente aos sintomas clínicos do câncer de mama, ajudando assim no reconhecimento precoce de sinais, detecção de estágios mais precoces e no êxito ao tratamento.¹

Rastreamento

Há algum tempo, a OMS indicava a realização do autoexame, porém não houve comprovação sobre a diminuição da mortalidade por câncer de mama, além de gerar muitas dúvidas, preocupações e consultas desnecessárias. Entretanto, não podemos confundir com a importância da mulher e do homem de conhecerem o seu próprio corpo, serem capazes de identificar possíveis alterações e procurarem o atendimento médico no momento adequado.⁴ O exame clínico, feito pelo médico habilitado a realizá-lo, está indicado.

A mamografia é um exame muito utilizado para identificar alterações em pessoas assintomáticas, ou seja, encontrar lesões significativas de malignidade antes dos sinais aparecerem e deve ser feito em pessoas a partir dos 50 anos até os 69 anos a cada 2 anos (bienal).¹’² Porém, aqueles que apresentarem alto risco para o desenvolvimento do câncer de mama, ou seja, com história familiar de primeiro grau de câncer de mama antes dos 50 anos ou câncer de mama bilateral ou câncer de ovário em qualquer idade, história familiar masculina de câncer de mama e biópsia contendo atipias ou in situ, devem realizá-lo a partir dos 35 anos anualmente.²

A decisão perante a idade de rastreamento através da mamografia se deu pelo fato de que a mama de uma pessoa mais nova é mais densa, ou seja, diminui a sensibilidade do exame, causando uma exposição, muitas vezes, desnecessária à radiação e aumentando a capacidade de gerar resultados falsos-negativos ou falsos-positivos.⁴ Sendo assim, pode ocorrer uma certa dificuldade em diagnosticar o câncer de mama em mulheres e homens mais jovens, pois tanto os profissionais da saúde quanto seus pacientes podem ter a falsa sensação de que por ainda não terem 50 anos estão menos propensos a desenvolver a doença.⁷

Conclusão

Ainda que seja um assunto de difícil abordagem, há muitas informações públicas que podem ajudar a população em questões de entendimento, diagnóstico e tratamento. É necessário sempre exaltar o quão delicado pode ser para um paciente enfrentar este tipo de doença, podendo causar um abalo estrutural até mesmo familiar. Sendo assim, todos os profissionais de saúde precisam estar qualificados para lidar com tal situação e tentar minimizar todo o sofrimento, individualizando cada processo.

Com o passar do tempo e o auxílio de tantas novas tecnologias, a tendência é sempre melhorar, seja no diagnóstico mais precoce quanto no tratamento menos doloroso.

Bibliografia

1) THULER, Luiz Claudio. Considerações sobre a prevenção do câncer de mama feminino. Revista Brasileira de Cancerologia, 2003, 49(4): 227-238.

2) SANTOS, Arn Migowski Rocha;  RIBEIRO, Caroline Madalena; TOMAZELLI, Jeane Glaucia; et al. Parâmetros técnicos para rastreamento do câncer de mama. / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. – Rio de Janeiro: INCA, 2021.

3) CÂNCER DE MAMA: é preciso falar disso. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). 1a Edição Rio de Janeiro, 2014.

4) Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer de Mama no Brasil. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), 2019.

5) BARROS, ACSD; BARBOSA, EM; GEBRIM LH. Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Mama. Projeto Diretrizes – Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. 15 de Agosto de 2001.

6) INUMARU, Lívia Emi; SILVEIRA, Érika Aparecida; Naves, Maria Margareth Veloso. Fatores de risco e de proteção para câncer de mama: uma revisão sistemática. Universidade Federal de Goiás, maio/2011.

7) PINHEIRO, Aline Barros; LAUTER, Dagmar Scholl; MEDEIROS, Giselle Coutinho; et al. Câncer de Mama em Mulheres Jovens: Análise de 12.689 casos. Revista Brasileira de Cancerologia 2013; 59(3): 351-359.

Autor:

Letícia Dias Camargo

Instagram: @ldiascamargo


O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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