Sem Categoria

A Solidão de Ser Médico

Humanos são por natureza seres sociáveis. Apesar de muitos de nós gostarmos de momentos sozinhos, isso é diferente de ser solitário. Para nós, médicos e estudantes de medicina, esta distinção está cada vez mais difícil de ser feita.

Existem diversas razões para as pessoas escolherem medicina, porém para muitos a escolha vem do desejo de fazer conexões com outras pessoas e ajudá-los. Infelizmente, isso se torna cada vez mais difícil com os implacáveis planos de saúde que exercem uma grande pressão para atendimentos rápidos, e dessa forma, temos apenas poucos minutos com o paciente, o que torna muito difícil fazer uma conexão verdadeira.

Além disso, existe uma desconexão entre a própria comunidade médica. Desde a faculdade, é comum estudantes que não possuem muitos amigos e tem pouca ou nenhuma vida social. Se isolando sempre para estudar mais, afinal, os assuntos são grandes e temos poucas horas para isso. Sendo sempre a vida social a primeira a ser finada. Também não podemos esquecer o ambiente competitivo que é gerado na faculdade e continua na vida adulta. Com o passar dos anos, quando já formados, permanecemos fechados. Em boa parte do nosso tempo livre, estamos resolvendo a vida de algum paciente na tela do celular.

É incrivelmente difícil balancear a vida pessoal com a profissional. É necessário um esforço muito grande para conseguir ter uma vida a dois saudável. Ainda existe o fato de muitas vezes os médicos levam muitos documentos e agendamentos para casa e quando estão em casa, estão ocupados sem dar atenção à família. É sempre importante lembrar que os meios eletrônicos podem nos sugar, com pacientes tirando dúvidas. Precisamos saber nos isolar dos meios tecnológicos diariamente por um tempo.

Os casamentos entre médicos vêm crescendo com o passar do tempo, porém, a ideia de que é bom estar com uma pessoa que entende suas demandas  e jornadas, também choca com uma rotina de “um chegando e outro saindo”. É importante ressaltar que criar um ambiente em casa que seja “proibido falar sobre trabalho”, também não é a resposta, por que pode apenas piorar a situação, afinal, dores não somem em silêncio.

Recentemente, li a seguinte frase “O sentimento de solidão na profissão vem aumentando e i

sso não apenas ameaça a qualidade do atendimento, como também coloca em risco o bem-estar pessoal e profissional do médico” na reportagem do MedScape e esse fato por si só é muito alarmante.

 

Hoje em dia os almoços são solitários, comemos em frente ao computador olhando os emails, checando o celular para ler as notícias ou andando de um lugar para outro. É comum nos lugares comuns do hospital e clínicas todos sentarem em silêncio enquanto encaram alguma tela.

 

Claro que a solidão ainda não é a regra. Existem diversos médicos que se tornaram amigos dos pacientes. O valor dessas relações nunca poderá ser mensurado. Porém, existem limites que os médicos não devem ultrapassar com o paciente, por causa das disparidades de poder, diferenças nos padrões de privacidade nas relações paciente/amigo e por aí vai. Consequentemente, existe um efeito inibitório inerente nessas relações, em particular, para o médico.Isso leva alguns médicos para fóruns não-médicos online e outras comunidades online. Afinal, sem pessoas para conversar, eles precisam de um tempo sem serem médicos.

 

Infelizmente, a solidão pode ser letal.

Já destacamos em outros textos sobre os Médicos Estarem Adoecendo. Com a pressão do emprego levando diversos médicos a terem Burnout, associado com o sentimento de solidão, não à toa os índices de adoecimento entre os doutores estão aumentando. Além disso, existem estudos que mostram que a solidão pode mudar os sinais hormonais, regular a expressão de genes e um estudo no ano passado mostrou que ela pode ser um potencial risco de saúde, maior do que fumar ou obesidade. Além disso, a solidão foi  associada com doenças como Alzheimer, obesidade, diabetes, hipertensão arterial, doenças neurodegenerativas e até mesmo câncer tumores podem metastizar mais rápidos em pessoas solitárias.

Como melhorar?

 

O remédio para tanto estressores e desafios é, tão simplesmente, se agrupar, juntar, não estar sozinho, não ser solitário. Soa muito fácil falar. Mas como fazer?

 

Diminuir o acesso ao celular, interagir mais com as pessoas, estar 100% presente nos momentos, não levar trabalho para casa… Com certeza você já escutou esses conselhos e já sabe deles. A verdade é que a realidade torna tudo muito mais difícil. Como não levar trabalho para casa, se no hospital eu não tenho tempo? Eu sei, doutores.. é difícil a realidade.

 

Vocês possuem sugestões? Já passou por isso e tem um depoimento para dar? Adoraríamos escutar a sua opinião.

 

Até a próxima.
 


Confira outras matérias:
Por que os médicos estão adoecendo?
Como criar novos hábitos para melhorar sua Carreira Médica?
 

 

 

Tags

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
Fechar