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Caso Clínico: Neurocirurgia – AVC Isquêmico Maligno

História Clínica

D.J.S., feminino, 62 anos.

Queixa principal: Instalação súbita de fraqueza em hemicorpo esquerdo. 

História da moléstia atual: Paciente portadora de HAS, admitida após relato de instalação súbita de fraqueza no hemicorpo esquerdo. Relata que o último momento em que se sentiu bem foi anterior a dormir na noite anterior. Familiares negam história de episódios semelhantes, negam alergias, e êmese associada ao quadro.

 

Exame Físico

Dados vitais: PA 180×100 mmHg  FC: 94 bpm (pulso rítmico e cheio)  FR: 33ipm.

Neurológico: desatenta e um pouco sonolenta, com hemiplegia esquerda, síndrome de heminegligência e hemianopsia também à esquerda. Tendência ao desvio conjugado do olhar para a direita. Pupilas isocóricas e fotorreagentes, ausência de nistagmo, força muscular preservada à direita e sensibilidades superficial e profunda preservadas à direita.

Sem outros achados no exame físico.

 

Exames complementares

Glicemia capilar: 129 mg/dL. 

 

Evolução

A paciente, ainda internada em observação, evoluiu em 48 horas com deterioração rápida do nível de consciência associada à descerebração. Segue tomografias adquiridas na admissão e evolução do caso:

 

Qual o diagnóstico mais provável?

 

Discussão

O infarto maligno do território da artéria cerebral média (ACM) ocorre em até 10% dos pacientes com Acidente Vascular Cerebral (AVC). A taxa de mortalidade é alta, em torno de 80%, e o mecanismo fisiopatológico se dá, em sua maioria, por um aumento do edema cerebral pós-iquemia, ocasionando o aumento da Pressão Intracraniana Cerebral (PIC), o que pode levar à herniação. A maioria dos pacientes desenvolvem sonolência após admissão. Desse modo, há uma deteriorização progressiva durante os dois primeiros dias e herniação transtentorial subsequente em geral dentro de 2 a 4 dias após o AVE.

Por fim, algumas medidas terapêuticas podem ser tomadas como controle da PIC e hemicraniectomia nos casos de idade menor que 70 anos, AVE em hemisfério não dominante e evidência clínica e tomográfica de infartos agudos completos na artéria carótida interna (ACI) ou na ACM  associado a um grave edema cerebral.

 

LANC – Liga Acadêmica de Neurocirurgia da Bahia

 

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