Ciclo ClínicoPneumologia

Caso Clínico: Pneumologia – Tuberculose

História Clínica

LAJ, sexo masculino, 42 anos.

Queixa principal: cansaço e falta de ar há aproximadamente 2 meses.

História da moléstia atual: O paciente refere início de dispneia há mais ou menos 2 meses, inicialmente aos esforços e posteriormente em repouso. Refere também tosse seca, sudorese (principalmente à noite) e perda ponderal não mensurada há 1 mês; e episódios de vômitos após ingesta alimentar há mais ou menos 2 semanas. Nega febre, dor torácica, hemoptise, diarreia.

 

Antecedentes patológicos: paciente diagnosticado com transtorno bipolar há 2 anos. Nega alergias medicamentosas. Não sabe informar a situação do calendário vacinal.

Antecedentes familiares: Nega HS, DM, cardiopatias, eventos vasculares cerebrais ou tuberculose.

Hábitos de vida: Refere tabagismo dos 16 aos 28 anos, estando abstêmio desde então. CT: 12 maços-ano. Nega etilismo. Refere uso de preservativo em relações sexuais.

História psicossocial: Reside com a esposa e o irmão em casa com saneamento básico e água encanada. Não possui animais domésticos.

 

Exame físico

Geral: RER, FR: 24 ipm, FC: 90 bpm, TA: 120×70 mmHg

Aparelho respiratório: MV rude e diminuído em base direita e abolido em base esquerda. creptos, roncos e sibilos bilaterais.

Aparelho cardiovascular: BNFT em 2T sem sopros ou desdobramentos.

Abdome: plano, flácido, indolor, sem visceromegalias. RHA +

Neurológico: sem rigidez de nuca. Glasgow 15.

Extremidades: frias. Edema +/4+ em MMII

 

Qual a hipótese diagnóstica principal? Como proceder investigação?

 

 

SOLUÇÃO

Todo indivíduo sintomático respiratório (tosse há 3 semanas ou mais) é considerado de alto risco para tuberculose. Devido à importância epidemiológica desta condição em nosso meio e aos demais sintomas do paciente – dispneia, perda ponderal e sudorese noturna, que reflete provavelmente febre não mensurada – devemos suspeitar de tuberculose pulmonar.

Formalmente, a confirmação diagnóstica de TB requer a demonstração do Bacilo de Koch, agente etiológico da doença, no corpo do paciente. Desse modo, a confirmação diagnóstica pode ser feita por teste rápido molecular, baciloscopia ou cultura. Entretanto, podemos considerar o diagnóstico de TB e iniciarmos o tratamento sem a confirmação micobacteriológica, tendo quadro clínico típico e contexto epidemiológico apropriado. Vale ressaltar que o teste molecular ainda não está amplamente disponível no nosso país e que a baciloscopia além de método diagnóstico é o exame de escolha para acompanhar a resposta terapêutica na tuberculose.

A radiografia torácica é auxiliar no diagnóstico de tuberculose, sendo rotineiramente solicitado em casos suspeitos. Não existem achados patognomônicos de tuberculose na radiografia, porém algumas imagens são bem sugestivas de tuberculose – opacidades, nódulos, cavidades, linfonodomegalia ou aspecto miliar.

No Brasil, todos os casos de tuberculose devem ser submetidos ao Tratamento Diretamente Observado, que consiste em, no mínimo, 24 doses tomadas sob observação do profissional de saúde nos dois primeiros meses e 48 doses nos meses subsequentes. O esquema básico de tratamento para tuberculose em adultos atualmente preconizado é o “RIPE” – ripampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol nos dois primeiros meses; e rifampicina e isoniazida por 4 meses. Em crianças menores de 10 anos, suprime-se o etambutol devido ao risco de neurite óptica.

Por fim, o principal diagnóstico diferencial para este paciente – e para a maioria dos casos de suspeita refutada de tuberculose – é de câncer de pulmão.

Artigos relacionados

Deixe uma resposta

Botão Voltar ao topo
Fechar