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Caso Clínico: Neurocirurgia – Hidrocefalia

História Clínica

Paciente, sexo masculino, 10 anos, branco, estudante.

Queixa principal: transtorno de aprendizagem e alteração cognitiva há 3 anos.

História da moléstia atual: foi trazido por genitora ao serviço de neurologia com quadro de transtorno de aprendizagem e alteração cognitiva, há 3 anos. A genitora relatou piora progressiva no rendimento escolar, associado à falta de concentração, esquecimento, dificuldade de compreensão, apatia e isolamento social. Genitora já havia procurado serviço de pediatria, no qual a função tireoidiana do paciente foi avaliada como normal.

Interrogatório sistemático: Há 6 meses passou a apresentar zumbidos. Há 3 meses evoluiu com alteração de marcha, e após 1 mês com episódios de queda da própria altura. 

Demais sistemas sem alterações.

Ao exame:

Exame neurológico: Sinal de Romberg presente e ataxia de marcha. O fundo de olho mostrou papiledema bilateral. Não houve alterações na avaliação dos nervos cranianos, sinais meníngeos e sistemas motor e sensitivo.

Exames complementares: Apresentou ressonância magnética de crânio solicitada pelo pediatra.

 

Pontos de discussão:

1. Qual o diagnóstico mais provável?

2. Qual o tratamento indicado?

 

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Discussão

Como muitos falaram, trata-se de um caso de hidrocefalia. Ocorre um aumento da quantidade de LCR nos ventrículos, mais prevalente em lactentes de até 6 meses de vida. A principal apresentação clínica são os sintomas de hipertensão intracraniana.

As hidrocefalias dividem-se em 2 tipos, de acordo com a dinâmica liquórica: Obstrutiva (não comunicante), na qual  o aumento de LCR em parte do sistema ventricular se dá pela dificuldade em sua circulação para as outras partes devido à alguma obstrução; e comunicante, na qual há um distúrbio seja um aumento na produção ou na dificuldade de reabsorção do LCR.

As etiologias podem ser pensadas de acordo com a faixa etária. Assim, em pacientes com a faixa dos 2 aos 12 anos, processos expansivos, como tumores intraventriculares, tumores da pineal ou tumores da fossa posterior, infecções do SNC (meningites, inflamando as granulaçãoes aracnoideas; neurocistircercose, causando obstrução; etc), hemorragias, malformações, como a de Arnold Chiari, ou estenose de aqueduto, são as principais causas de hidrocefalia.

No caso de F.M.S, ele possuía uma obstrução congênita, de estenose de aqueduto, que não era possível diagnosticar apenas com a imagem que postamos. A manifestação da doença veio apenas numa idade mais avançada devido a fatores intrínsecos e extrínsecos que proporcionaram a quebra do equilíbrio da dinâmica liquórica. O tratamento realizado neste paciente foi uma derivação ventrículo-peritoneal (DVP). Uma alternativa seria a terceiro ventriculostomia endoscópica, cirurgia na qual realiza-se um caminho alternativo entre o terceiro ventrículo e as cisternas da base.

Observação: A primeira escolha de tratamento para estenose de aqueduto, sobretudo na faixa etária pediátrica, é a realização de terceiro ventriculostomia (3VT). Entretanto, a escolha pela Derivação ventrículo-peritoneal (DVP) foi feita por falta de endoscópio no serviço para a realização da 3VT.

 

Liga Acadêmica de Neurocirurgia da Bahia (LANC)

 

 

 

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