Casos Clínicos: Divertículo Epifrênico do Esôfago | Ligas

Casos Clínicos: Divertículo Epifrênico do Esôfago | Ligas

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Área: Cirurgia do Aparelho Digestivo

Autores: Cássia Gabriela Assunção Moraes

Revisor(a): Luma Rios Leorne

Orientador(a): Dra Dulcyane Ferreira de Oliveira

Liga: Liga Acadêmica de Habilidades Cirúrgicas do Amazonas (HABILIDADES CIRÚRGICAS-AM) 

Apresentação do caso clínico

  • Paciente feminino, 52 anos, parda, feirante, natural e residente da cidade de Manaus-AM procurou atendimento hospitalar com queixa de dor torácica e disfagia progressiva há 18 meses, além de vômitos, regurgitação pós-prandiais e pirose há aproximadamente 7 anos, referindo melhora parcial com uso de inibidores de bomba de prótons. Quando questionada, referiu ainda, perda ponderal de 09 kg nos últimos 6 meses.
  • Ao exame físico, a paciente encontrava-se em regular estado geral, lúcida, orientada em tempo e espaço, afebril (37,6 ºC), acianótica, anictérica, hidratada, taquipneica (frequência respiratória = 29 irp), taquicárdica (frequência cardíaca = 110 bpm) e hipertensa (140×90). Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações.
  • Foi solicitado a paciente um eletrocardiograma (ECG) para investigação da dor torácica progressiva, exames laboratoriais e de imagem. O exame de endoscopia digestiva alta mostrou saculação em esôfago distal compatível com divertículo epifrênico. Seus exames laboratoriais não apresentaram alterações.
  • Ao estudo contrastado do esôfago, estômago e duodeno, o trânsito faringoesofágico era livre, com presença de grande formação diverticular de colo amplo na parede póstero-lateral direita do segmento distal do esôfago. ECG dentro dos padrões de normalidades.
  • Posterior às análises dos resultados dos exames trazidos pela paciente, o diagnóstico foi de Divertículo Epifrênico do Esôfago com indicação para tratamento cirúrgico por videolaparoscopia, sendo esta habitualmente empregada para a abordagem da transição esôfago-gástrica na correção do refluxo gastresofagiano. Após a dissecção do divertículo, este foi ressecado por meio do uso do endogrampeador linear 60. A seguir, o hiato foi aproximado e a fundoplicatura foi realizada.
  • A operação foi um sucesso e após a alta hospitalar, manteve acompanhamento com o especialista.

    Questões para orientar a discussão

1. Quais as manifestações clínicas do Divertículo Epifrênico do Esôfago?

2. Quando o tratamento cirúrgico é recomendado?

3. Quais os tratamentos cirúrgicos possíveis?

4. Quais outros exames poderiam ser realizados para ajudar na comprovação ou não do diagnóstico nesse caso clínico?

5. Quais as características dos Divertículos Epifrênicos em relação à localização e a que estão relacionados?

 Respostas

1. A maioria dos pacientes com divertículos epifrênicos são assintomáticos. Podem apresentar-se com disfagia ou dor torácica, que é indicativa de um distúrbio da motilidade. Outros sintomas, como regurgitação, dor epigástrica, anorexia, perda de peso, tosse crônica e halitose, são indicativos de um grau avançado de dismotilidade resultante de um divertículo epifrênico de tamanho consideravelmente grande.

2. O tratamento desses divertículos, quando assintomáticos ou pouco sintomáticos, deve ser clínico, pois a cirurgia tem uma morbimortalidade considerável. Entretanto, os sintomas de disfagia, regurgitação, aspiração, tosse e complicações, como a infecção, a perfuração e a transformação neoplásica, são razões pelas quais o tratamento cirúrgico é recomendado

3. A operação era habitualmente realizada por toracotomia esquerda ou direita e consistia na ressecção do divertículo, sendo ou não associada à miotomia da cárdia e do esôfago distal. Com os avanços da videocirurgia, esse procedimento passou a ser realizado e recomendado, tendo em vista os benefícios trazidos por essa abordagem cirúrgica.

4. O diagnóstico em geral é feito durante o exame para um distúrbio da motilidade, e o divertículo é encontrado incidentalmente. Um esofagograma com bário é a melhor ferramenta diagnóstica para detectar a presença de um divertículo epifrênico. Estudos manométricos precisam ser realizados para avaliar a motilidade geral do corpo esofágico e do EEI. Realiza-se uma endoscopia para avaliar lesões mucosas, inclusive esofagite, esôfago de Barrett e câncer.

5. Os divertículos epifrênicos encontram-se adjacentes ao diafragma no terço distal do esôfago, até 10cm da junção gastresofágica (JGE). Eles são mais frequentemente relacionados com o espessamento da musculatura esofágica distal ou aumento da pressão intraluminal e são divertículos de pulsão, ou falsos, que com frequência estão associados a acalasia e mais comumente distúrbios de motilidade. Como os divertículos do esôfago médio, os divertículos epifrênicos são mais comuns no lado direito e tendem a ter colo grande.

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