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Casos Clínicos: tudo que você precisa saber!

Por que estudar por Casos Clínicos?!

Estudar por casos clínicos é uma das melhores formas de colocar em prática o conhecimento adquirido na faculdade, principalmente no ciclo básico.

Nesse período muitos estudantes tem dificuldade de visualizar a aplicação dos conteúdos. Por isso, nada melhor do que utilizar os casos clínicos para facilitar a compreensão e o entendimento da importância destas matérias nesse período.

Saiba Como se manter motivado e estudar durante o ciclo básico!

Além disso, se você quer estar preparado para as situações e casos reais que irá encontrar no internato, é essencial ter repertório e já ter visto diversos casos clínicos.

Afinal, hoje em dia muitas faculdades já adotaram o método PBL (Problem Based Learning) justamente pra preparar o estudante melhor para as necessidades do ambiente de trabalho.

Saiba mais também sobre o Team Based Learning!

É importante ressaltar também a importância da resolução dos Casos Clínicos para o desenvolvimento de uma das mais necessárias habilidades médicas: o Raciocínio Clínico!

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Como desenvolver o seu Raciocínio Clínico?!

O raciocínio clínico (RC) é o processo usado pel@s médic@s para refletir e planejar o tratamento do paciente, ou seja, é a tomada de decisão.

O RC serve para orientar e conduzir da melhor maneira possível o tratamento do paciente.

No entanto, nem sempre é fácil entender como esse raciocínio será utilizado durante a vida profissional ou desenvolvê-lo.

Muitos estudantes e profissionais recém-formados têm medo de não conseguir fechar um diagnóstico, por exemplo. Por isso, desenvolver o raciocínio clínico é tão importante. Mas como praticar?! A melhor forma é realizar os exercícios práticos de casos clínicos.

O raciocínio clínico depende muito da integração entre o conhecimento teórico e o prático do profissional. Por isto, é fundamental consolidar o conhecimento teórico dos livros e de artigos com evidências científicas, reavaliação do aprendizado em sala, resolução de casos clínicos e muita atenção no campo de estágio e/ou residência.

Casos Clínicos de Medicina

No SanarMed temos centenas de casos clínicos resolvidos de Medicina, que você pode acessar gratuitamente. Confira alguns:

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Como passar o Caso Clínico para o professor?

Prática diária entre os residentes e internos, você precisa saber passar bem um caso clínico para seu professor ou preceptor. Na faculdade, raramente é ensinado como se deve ser feito, e normalmente é algo que se pega com o tempo.

O professor apenas pede para você contar a história e BAM!

Por onde começar? Citar tudo que o paciente negou? Esqueci um dado, o que fazer? Estamos aqui para ajudar você para já chegar no internato preparado e tirar onda no ciclo clínico explicando direitinho e o que importa para o professor.

Importante ressaltar que a forma de passar o caso pode mudar entre os professores. Alguns preferem iniciar pela lista de problemas. Isso se dá mais em enfermarias, quando o professor já conhece o caso. O mais comum, entretanto, é contar a história do paciente e depois discutir os possíveis diagnósticos.

Vale lembrar que dados da identificação podem ou não estar presentes. Por exemplo, você normalmente não precisa dizer a religião do paciente, mas isso pode ser relevante no caso de ele precisar de transfusão sanguínea sendo testemunha de Jeová.

Confiança é essencial!


A palavra da vez é: CONFIANÇA! Ninguém gosta da pessoa que passa o caso falando baixo e sem ter certeza do que está falando. Fale alto, claro, pausadamente, de forma organizada, cronológica e passe certeza no que diz. Você não precisa saber tudo sobre a doença do seu paciente se você acabou de colher a história, mas você precisa saber tudo sobre o seu paciente.

Anamnese

Para isso, claro, você tem que ter feito uma anamnese completinha, já ter levantado algumas hipóteses diagnósticas e fazer perguntas cruciais para a história. Caso o professor te pergunte uma coisa que você esqueceu de perguntar? Não enrole e não invente, o paciente vai te desmentir na primeira oportunidade. Diga a verdade: “Esqueci de perguntar, mas vou verificar isso.”

Colheu a anamnese certinha? Tá confiante?
Então vamos lá:

A primeira frase deve ser: Nome do paciente, idade, gênero, procedência e sua queixa principal. Aqui também deve entrar características que mudam completamente o quadro, como: Portador de HIV, transplantado. 

Primeiro Parágrafo: CLEARAST


Descreva as características da queixa principal:
Usamos o acrônimo CLEARAST:

Característica, qualidade
Localização
Exacerbadores
Aliviadores
iRradiação da dor
Associação de sintomas
Severidade do sintoma
Temporalidade: início (agudo, insidioso), intermitente ou constantes, duração, frequência, progressão
Fale para o professor o tempo e as características exatamente como lhe foram ditos, sem alteração.

Segundo Parágrafo


É o conceito mais abrangente e por isso, muitas vezes, o mais difícil de se administrar: Diga apenas o que é relevante para a história. Isso você pega com o tempo.

Muitas vezes aqui podem entrar questões psicológicas que passariam despercebidas mas que se encaixam muito bem com a agudização do quadro, por exemplo. Importante se atentar a contar a história clínica do paciente, e não sua história pelas unidades de saúde.

Terceiro Parágrafo

O que foi feito anteriormente sobre a patologia, e a resposta obtida. Você talvez não precise desse tópico, mas se pode ajudar no diagnóstico diferencial ou entender o curso do tratamento, diga.

Interrogatório sistêmico: NÃO FALE ”interrogatório sistêmico”. NÃO LISTE nada na revisão de sistema. Qualquer coisa que você tenha achado relevante no IS vai no segundo parágrafo.

As outras coisas: 
Antecedentes Pessoais, Exames, Medicamentos, Alergias, Hábitos, História Biopsicossocial, Antecedentes familiares. Passe por isso rapidamente, fale quando for perguntado. A maioria das vezes acaba não tendo muita relevância. Diga, por exemplo, se tiver uma colonoscopia e você estava pensando em câncer colorretal.

Exame Físico


Vitais: Diga os números e não se está estável ou dentro dos limites.
Físico: Vá de cima para baixo, mas:
            Diga apenas o que pode mudar o diagnóstico diferencial
            Positivo se presente e deveria estar presente
            Negativo se não está presente mas deveria estar
Faça um exame físico minucioso e escreva ele, mas não precisa dizer tudo, apenas os dados positivos.
Diga suas hipóteses diagnósticas e o porquê delas.
Diga os planos diagnósticos e terapêuticos.

Acrônimo SNAPPS


Para ajudar nas discussões de caso, A Preceptoria da Disciplina de Clinica Geral e Propedêutica da Faculdade de Medicina da USP criou um material para auxiliar a discutir os casos. O acrônimo SNAPPS, originalmente criado para atendimento ambulatorial, serve para diversos contextos. E o que significa?

S: Sumarizar. Aqui é onde você vai resumir a história e trazer os dados do exame físico (No caso, praticamente tudo que foi descrito anteriormente). Lembre-se de usar termos técnicos e diminuir uma “falta de ar que acontece no meio da noite e ele tem que levantar” para uma “dispneia paroxística noturna”

N: Numerar. Levante 2 ou 3 diagnósticos ou problemas possíveis. Lembre-se em focar nas hipóteses mais comuns e não nas raras.

A: Analisar: Proponha as evidências no seu exame que te fizeram pensar nesses diagnósticos. É comum você já juntar esse tópico com o anterior. Esse processo permite que o professor ou preceptor perceba o conhecimento que você tem no assunto.

P: Perguntas: Sua hora de tirar todas as dúvidas. Mostre interesse no caso.

P: Planejar. Nessa parte você vai fazer o planejamento diagnóstico e terapêutico. Utilize o que foi discutido anteriormente e descreva os próximos passos a serem seguidos.

S: Selecione um tópico desse caso para o estudo individual. Você fixa muito mais o conhecimento que viu na prática do que apenas ler no livro ou assistir vídeos. Selecione corretamente o assunto a ser estudado, por exemplo, o uso de determinada medicação em uma doença, do que estudar a enfermidade inteira.

Exemplos:

Aqui trouxemos dois exemplos, um adequado e outro inadequado:

Adequado : Sr José é um homem com 50 anos de idade, acompanhado há 3 anos por DPOC, tabagismo, diabetes mellitus e revascularização miocárdica, após infartos. Há 3 dias iniciou tosse e febre e foi admitido hoje (…)

Inadequado: Sr José é um homem com 50 anos de idade, branco, casado, evangélico, natural de Pernambuco, morador do Rio de Janeiro há 34 anos. Acompanha por DPOC há 3 anos, ainda é tabagista e está em fase de contemplação; tem diabetes mellitus que é bem controlada com uso de metformina apenas; teve um infarto miocárdico em 2005 e outro em 2009, quando fez revascularização miocárdica sem intercorrências. Veio agora por tosse e febre no sábado (…)
Evite informações que não sejam pertinentes para o quadro atual dele, se concentre nos dados mais relevantes para o momento (você terá isso tudo descrito na sua anamnese). Além disso, evite utilizar um dia da semana como referencial de tempo, utilize o dia da admissão como uma referência.

No dia-a-dia nada é tão engessado e pode mudar a ordem entre alguns preceptores, mas essencialmente é assim. Isso você pega com a prática, discutindo muitos casos e atendendo pacientes. Por fim, lembre-se sempre de após pegar um caso, estudá-lo no mesmo dia para fixar melhor o conhecimento.

Caso Clínico de Medicina: Descubra qual é o diagnóstico

Muher, 79 anos, encaminhada para o setor de Clínica Médica de hospital terciário para investigação de alterações hematológicas. Queixava-se apenas de astenia e adinamia há um mês. Veja o leucograma abaixo:

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Leucograma do Caso Clínico

📌Qual alteração do leucograma chama mais atenção?
📌Nessa faixa etária, qual a condição que melhor explica os achados do paciente?

Desafio Clínico retirado do livro 101 Hemogramas da Sanar.

E aí, qual a resposta?!

  1. Linfocitose;
  2. A LCC, leucemia mais comum nessa idade. Muitas vezes, o paciente com LLC procura o atendimento médico por queixas inespecíficas e, na investigação subsequente, apresenta linfocitose no hemograma. O diagnóstico da doença vem se tornando cada vez mais prático pela utilização da imunofenotipagem de sangue periférico, demonstrando presença de marcadores de células B maduras com CD5 positivo. O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras condições que podem cursar com linfocitose, como linfoma de células de manto. Paciente transferido à Hematologia para conduta terapêutica.
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