Coronavírus

Chegada das vacinas não deve relaxar medidas protetivas não farmacológicas

Chegada das vacinas não deve relaxar medidas protetivas não farmacológicas

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Sanar Medicina

4 min há 13 dias

A introdução das vacinas contra a COVID-19 na pandemia tem gerado um fenômeno de falta de adesão nas medidas protetivas não farmacológicas. A chegada da vacina não deveria ser acompanhada de relaxamento nas demais medidas eficazes em conter o avanço da transmissão do vírus. 

No entanto, na prática, o que ocorre é um decréscimo da utilização das medidas protetivas não farmacológicas como uso da máscara, distanciamento social, etc. 

Nesse sentido, um artigo publicado no JAMA Network buscou simular diversos cenários, onde a cobertura vacinal e as medidas não farmacológicas eram articuladas, e a análise permitiu identificar a correlação destes com o aumento do número de infecções, hospitalizações e óbitos pela COVID-19. 

Confira aqui neste post quais resultados do estudo e o que podemos aprender a partir deles. 

Modelo simula propagação da COVID-19 em diversos cenários

Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram um modelo analítico de tomada de decisões, onde foram simulados diversos cenários. 

O local escolhido para servir de base para simulação foi o estado da Carolina do Norte, nos EUA, que possui população de 10,5 milhões de habitantes. 

Os diversos cenários constituídos foram os seguintes: imunização com vacinas de eficácia de 50% e 90%; cobertura vacinal de 25%, 50% e 75%, durante período de 6 meses. 

Além disso, os cenários podiam apresentar medidas protetivas não farmacológicas mantidas ou removidas. 

O risco de infecção em cada cenário foi calculado e comparado nos diversos cenários gerados. 

Resultados: comparações dos cenários

1º cenário

No pior dos cenários, a vacina possuía eficácia de 50% e a cobertura vacinal de 25%. O resultado mostrou uma média de 2.231.134 novas infecções quando as medidas protetivas não farmacológicas estavam removidas.

Em contraste, neste mesmo cenário, porém mantidas as medidas, a média de novas infecções seria de 799.949.

2º cenário

Agora considerando o melhor cenário, isto é, vacina com eficácia de 90% e cobertura vacinal de 75%, uma média de 527.409 novas infecções ocorreram sem medidas protetivas.

Quando as medidas foram implantadas, a média das novas infecções caiu para 450.575. 

Cobertura ampla reduz risco de infecção

Também foi observado que, quando comparados com o pior cenário, um cenário de vacina com eficácia inferior e cobertura mais ampla (eficácia 50% e cobertura de 75%), o risco de de infecção foi reduzido, em relação ao cenário de eficácia maior (90%) com menor cobertura vacinal (25%). 

Conclusão: medidas não farmacológicas permanecem essenciais

Os resultados das simulações mostram a importância da manutenção das medidas protetivas não farmacológicas, mesmo diante de ampla cobertura vacinal. 

Foi mostrado que o número de novas infecções era substancialmente maior nos cenários onde estas medidas foram removidas. 

Um outro achado pertinente do estudo é a preponderância da cobertura vacinal sobre a eficácia da vacina.

Mesmo com eficácia menor, o cenário com maior cobertura foi capaz de reduzir risco de transmissão, comparado com um cenário que apresente uma vacina com eficácia maior, porém cobertura menor.

Os achados do estudo podem ser utilizados pelas autoridades sanitárias para melhor alocação de recursos, bem como incentivo às campanhas para manutenção das medidas protetivas não farmacológicas. 

Referências

Association of Simulated COVID-19 Vaccination and Nonpharmaceutical Interventions With Infections, Hospitalizations, and Mortality – JAMA Network

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