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Medicina e Tecnologia: A Revolução Tecnológica Chega à Medicina | Colunistas


Com o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional em meados da década 70, implementou-se o desenvolvimento do capitalismo moderno, que por meio da flexibilização da informação, transformou vanguardistas em utópicos do futuro.  Sendo assim, parafraseando Oscar Wilde: “o progresso não é senão a realização das utopia”.

Nas ciências da saúde, o progresso caminhou a passos largos e desde então, a consecução de novas tecnologias reconfigurou o cuidado, a prevenção e a cura de doenças. A saúde compartimentalizada deu lugar a uma perspectiva que brinda a atenção holística, que hodiernamente somada aos avanços da tecnologia traz à tona o conceito de “medicina personalizada”.

Uma das iniciativas pioneiras que impulsionaram essa personalização foi o Projeto Genoma Humano que a partir de 1990 se propôs a criar mapas físicos de alta resolução do DNA humano. Uma vez concluídos os mapas físicos em meados de 1995, o sequenciamento do DNA passou a ser feito em larga escala.

Desde então, diversos testes foram criados e determinam quando existem predisposições a doenças como Parkinson, inúmeros tipos de câncer, fibrose cística, dentre dezenas de outras, permitindo condutas e tratamentos muitos anos antes da aparição de quaisquer sintomas.

Como ficou conhecida, a medicina do futuro está inserida dentro do contexto do e-Health, que abarca tecnologia de ponta em diversos campos da saúde. Dessa forma, algumas ferramentas de inteligência artificial, robótica e nanotecnologia foram sendo incorporadas no dia a dia de laboratórios, empresas do ramo da saúde e grandes centros de tratamento de doenças até então vistas como grandes desafios a serem transpostos, tendo em vista que o que se possuía como subsídio no combate e tratamento eram insuficientes ou não alcançaram os resultados esperados.

Esse cenário deu lugar a uma mentalidade mais otimista a respeito das doenças atuais e aquelas que aparecerão no futuro.

Não obstante, a relação médico-paciente se tornará mais estreita uma vez que com a convergência das tecnologias digitais, haverá um suporte que auxilie no diagnóstico e tratamento das doenças. Portanto, essa relação tem sido focalizada como um aspecto-chave para a melhoria da qualidade do serviço de saúde podendo ser fracionada em diversos componentes, como a atenção individualizada, a humanização do atendimento e o direito à informação.

Abaixo, estão cinco de algumas das tecnologias que prometem revolucionar o futuro da medicina:
 

  • Inteligência Artificial (IA) e Medicina

A inteligência artificial é umas das vertentes das ciências da computação, cuja função primordial é desenvolver dispositivos capazes de simular características humanas. Executam, tomam decisões e resolvem problemas.

Na medicina, o Tensor Flow, sistema criado pela Google é uma das ferramentas que utilizam IA por meio de reconhecimento visual para filtrar exames com possibilidades de maus diagnósticos.

Outro dispositivo que faz uso dessa tecnologia é o “bisturi inteligente”. Com nome comercial de iKnife, o bisturi desenvolvido por Zoltan Takats, da Imperial College London, tem a finalidade de identificar tecidos cancerosos durante a extirpação de tumores de forma precisa, diferenciando tecidos sadios daqueles acometidos pelo câncer. Uma vantagem, haja visto que seriam minimizadas ampliações desnecessárias e possível resolutividade uma vez que todo o tumor seria retirado.

Vale ressaltar, que a IA não tem a intenção de substituir as escolhas médicas, senão orientar na tomada de melhores decisões para o bem-estar dos pacientes.
 

  • Impressão 3D e Medicina

As impressoras 3D foram incorporadas ao cenário tecnológico no ano de 1984 por Chuck Hull. Na época, com pretensões tímidas e pouco precisas não se esperava que hodiernamente as impressoras dessa natureza fabricariam próteses, equipamentos médicos, tecidos humanos, válvulas cardíacas e órgãos totalmente funcionais. A medicina regenerativa ganha um importante aliado na reabilitação de pacientes cujo prognóstico era ruim.

Ademais desse fator, a impressão 3D tem importante papel na educação médica continuada, uma vez que pode reproduzir de forma fidedigna a anatomia dos pacientes, o que corrobora ao entendimento estrutural de algumas doenças, ajudando de forma substancial no seu tratamento.
 

  • Cirurgia Robótica e Medicina

A cirurgia robótica é um novo paradigma em termos de cirurgia. Ela representa para o cirurgião a chegada de tecnologia digital nos processos cirúrgicos, com alta precisão, logrando resultados que minimizam e excluem intercorrências, maximizam os resultados do procedimento cirúrgico e oferecem qualidade de vida ao paciente no pós-operatório, uma vez que é menos invasiva que uma cirurgia convencional.

No Brasil, uma das empresas que trouxeram para o cerne da saúde essa tecnologia, foi o Hospital 9 de julho. Sediado em São Paulo, adquiriu o robô DaVinci e se tornou referência nacional e internacional na realização de procedimentos cirúrgicos de alta complexidade. Na robótica, o médico tem, por meio do console, a possibilidade de simular o movimento do punho, ou seja, com movimento de 360 graus.

Segundo Dr Domene, membro da equipe de cirurgiões do 9 de julho: “A era digital chegou à medicina. O robô é uma evolução e uma revolução no treinamento do cirurgião. É o maior respeito que o paciente pode receber”.
 

  • A experimentação com humanos está com os dias contados e Medicina

Microchips modelarão o funcionamento de sistemas orgânicos. A tecnologia nomeada de “organ-on-a-chip” simulará as atividades, a mecânica e a fisiologia de órgãos de forma minuciosa. Portanto, a experimentação e os testes clínicos de novos medicamentos passarão por uma reformulação, já que os testes serão feitos em pacientes virtuais, o que diminuirá a burocracia e o tempo até que os fármacos estejam disponíveis para tratamentos de doenças, até então, com nenhuma ou poucas opções terapêuticas.
 

  • Nanotecnologia e Medicina

O ônibus mágico, desenho de 1994, em determinado episódio aludiu uma viagem ao interior do corpo humano, para diagnóstico e combate a uma doença. O que antes era considerado irrealidade, foge às telas e torna-se uma iminente possibilidade.

No futuro, nanorobôs com nanosensores, farão in loco análises sanguíneas e irão corrigir a níveis normais taxas como a glicemia e o colesterol. Os tratamentos de inúmeras doenças serão monitorizados e controlados por esses mesmos nanorobôs, que farão a distribuição dos fármacos e aumentarão sua eficácia nas células alvo.

Dentre outras atribuições, a nanotecnologia permitirá que todas as intervenções cirúrgicas sejam mais precisas e menos sujeitas ao erro humano, poderá ser utilizada na destruição de placas de ateroma, matará células malignas e manterá intacta as células sadias.

A medida que a tecnologia ganha proporções até então imensuráveis, o diagnóstico, a análise e os tratamentos ficarão a cargo dos computadores, dispositivos e robôs. No entanto, as equipes multidisciplinares responsáveis pelos pacientes, migrarão a uma interface emocional. O antigo modelo biomédico dará total espaço ao modelo holístico já conhecido que engloba o ser humano como um ser biopsicossocial.

Sendo assim, é indubitável o poder da tecnologia nas ciências da saúde. A previsão é de que o cuidado individualizado e baseado no processamento de dados preserve a saúde e o bem-estar, aumentado a expectativa de vida e a qualidade de como se vive. Não se trata mais de apenas tratar as enfermidades, mas de impedir que elas se manifestem.

 
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