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Combinação de tocilizumabe e dexametasona pode reduzir mortes por COVID-19, indica Oxford

Combinação de tocilizumabe e dexametasona pode reduzir mortes por COVID-19, indica Oxford

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Sanar

3 minhá 64 dias

A combinação do medicamento para artrite reumatoide tocilizumabe e do corticoide dexametasona pode reduzir pela metade as mortes por COVID-19 nos pacientes graves de. A conclusão veio de um estudo do Reino Unido divulgado na última quinta-feira (11).

Liderado pela Universidade de Oxford, o material indica que o efeito foi identificado em pacientes hospitalizados com hipóxia (deficiência de oxigênio) e inflamação significativa, que necessitaram de ventilação mecânica invasiva.

Já no caso de pacientes que se valeram apenas de tratamento com oxigênio não-invasivo, as mortes diminuíram cerca de um terço após o uso dos medicamentos combinados.

“O impacto duplo de dexametasona e tocilizumabe é impressionante e muito bem-vindo”, comemorou o professor da Universidade de Oxford, Peter Horby, chefe adjunto da pesquisa Recovery, que envolvem milhares de pacientes no Reino Unido e tem o objetivo de descobrir se medicamentos que já existem apresentam eficácia contra a COVID-19.

O novo estudo, realizado em colaboração com o sistema de saúde pública no Reino Unido, ainda está em fase de revisão por outros cientistas e não foi publicado em revista científica.

Para cada 25 pessoas tratadas, uma vida salva

O tocilizumabe é um anticorpo monoclonal inibidor do receptor de Interleucina 6 (IL-6), administrado por via intravenosa. Os novos achados sugerem que ele pode reduzir a mortalidade em 4%, com efeito amplificado quando usado em combinação com corticosteróide.

O estudo foi realizado em população aleatória: 2.022 pacientes receberam o tocilizumabe e outros 2.094 tiveram apenas cuidados habituais. Os resultados indicaram que 596 dos indivíduos que receberam o medicamento morreram em em 28 dias (29%), comparado com 694 daqueles que não foram tratados com a droga (33%).

Isso significa, segundo os cientistas, que para cada 25 pessoas tratadas com o tocilizumabe, uma vida foi salva. O fármaco também aumentou as chances de alta dos pacientes em 28 dias, de 47% para 54%.

“Testes anteriores com tocilizumabe haviam mostrado resultados mistos e não estava claro se os pacientes seriam beneficiados por este tratamento. Sabemos agora que os benefícios do tocilizumabe se estendem a todos os pacientes com baixos níveis de oxigênio e inflamação significativa”, enfatizou Horby.

O pesquisador Martin Landray, que também integra a equipe responsável pelo ensaio clínico, salientou que a combinação de medicamentos “aumenta as chances de sobrevivência, encurta a permanência hospitalar e reduz a necessidade de ventilação mecânica”.

Dexametasona e COVID-19

Como descreve reportagem do Uol, o mesmo ensaio clínico já havia encontrado em junho de 2020 que a dexametasona ajuda a salvar vidas entre os pacientes com os graus mais severos de infecção pelo SARS-CoV-2.

Além dos efeitos positivos, o medicamento tem a vantagem de ser barato e acessível. Assim, os resultados positivos fizeram com que o Ministério da Saúde do Reino Unido incluísse a dexametasona no tratamento do novo coronavírus.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Infectologia também reconheceu a eficácia do fármaco. Em informe assinado pelo presidente Clóvis Arns da Cunha, a recomendação é de aplicação via oral ou endovenosa de 6mg, uma vez ao dia, por dez dias, em todo paciente com COVID-19 em estado mais grave.

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