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Como a COVID-19 está ajudando a entender melhor a Doença de Kawasaki

Como a COVID-19 está ajudando a entender melhor a Doença de Kawasaki

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Neste post buscaremos discutir como a pandemia da COVID-19 vem ajudando a entender melhor a Doença de Kawasaki (DK). A DK consiste numa vasculite autolimitada que atinge a população pediátrica. 

O que se sabe da Doença de Kawasaki?

Apesar das teorias que buscam explicar sua causa remontarem a décadas de estudo, ainda hoje não se sabe exatamente qual o mecanismo exato e os esforços para encontrar um agente comum na etiologia da doença falharam.

O que se sabe até o momento é que fatores externos, como a aparição de sintomas respiratórios, precedem em alguns dias a aparição dos sintomas da DK. 

A complexa interação de fatores com o sistema imune de crianças geneticamente predispostas também é uma das teorias que ainda não foi totalmente elucidada.

A pandemia da COVID-19 traz nova luz sobre o tema

Um estudo realizado na situação epidemiológica particular do Japão ajudou a trazer uma nova luz sobre os possíveis mecanismos por trás da DK. Uma das controvérsias que existem sobre a origem da DK é quanto ao agente etiológico envolvido.

Qual o agente por trás da Doença de Kawasaki?

A lista de possíveis agentes é muito ampla, envolvendo patógenos virais e bacterianos, como vírus Epstein-Barr, herpesvirus humano, HIV, Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes, etc. 

No estudo em questão, os autores buscaram avaliar o padrão de incidência da DK em comparação com a incidência de outras doenças com padrão de transmissão já conhecido.

O afunilamento de agentes possíveis para a DK

Devido ao uso das máscaras durante a pandemia da COVID-19, a epidemia de casos de Influenza, tão típica dos meses de inverno, praticamente não existiu. 

Porém, ao analisar as admissões relacionadas à DK, nas mesmas áreas estudadas, notou-se um pequeno decréscimo, não equivalente à drástica diminuição das infecções relacionadas à transmissão via contato e/ou gotículas. 

Portanto, se este se mostrar um padrão consistente, pode-se descartar o desenvolvimento da Doença de Kawasaki relacionada à agentes que apresentem padrão de transmissão de contato ou gotículas. 

Isto aponta os olhares dos pesquisadores para agentes etiológicos cuja forma de transmissão se dê por meio de aerossóis como desencadeantes da DK. 

Conclusão

A análise realizada pelos autores do estudo é bastante estimuladora, pois fornece embasamento para estudos mais robustos que envolvam maior número amostral, seguimento temporal mais longo, e uma categorização mais consolidada das doenças e sua forma de transmissão. 

Apesar de todos os terríveis e lamentáveis efeitos trazidos pela pandemia, a ciência avançou muito e o cenário tem dado à humanidade a oportunidade de crescer em conhecimento, fortalecendo-se para enfrentar novos desafios na área da saúde. 

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Referências

COVID-19 Pandemic Sets New Clues on the Transmission Pathways in Kawasaki Disease – JAMA Network

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