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Como a pandemia do vírus Sars-Cov-2 afeta a formação dos futuros médicos do Brasil | Colunistas

Como a pandemia do vírus Sars-Cov-2 afeta a formação dos futuros médicos do Brasil | Colunistas

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Imagem de perfil de Karoline Rossi

Atualmente o mundo se encontra em meio a uma pandemia decorrente da disseminação rápida da COVID-19, doença infecciosa com complicações respiratórias causada pelo novo coronavírus humano, denominado SARS-CoV-2. Os infectados podem apresentar desde quadros clínicos de infecções assintomáticas até quadros respiratórios graves.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 80% das pessoas contaminadas podem ser assintomáticas e cerca de 20% dos casos são mais complexos, assim ocorrendo a necessidade de atendimento hospitalar. Então, para evitar que mais pessoas fossem infectadas, o governo aderiu a diversas medidas, as quais incluem o uso obrigatório de máscara e restrições quanto à circulação da população. Além disso orientações sobre higiene foram reforçadas, como lavar as mãos com frequência e o uso de álcool para descontaminação.

Dessa forma, devido ao impedimento de locais de grande circulação de pessoas de funcionarem normalmente, as escolas e universidades foram afetadas, e suspenderam suas atividades presenciais.

Métodos adotados de ensino remoto. Será que são eficazes, para a graduação em medicina?

O ensino remoto compreende uma modalidade educacional em que alunos e educadores estão separados, física ou temporalmente, assim, outros meios são utilizados para que o acesso à educação aconteça, como os meios tecnológicos de informação e comunicação. Tal método de ensino ganhou uma grande visibilidade pelo fato de não serem possíveis as aulas presenciais e também pela incerteza quanto à data da volta dessas atividades devido à pandemia da COVID-19.

Assim, entrou-se em discussão no Brasil quais cursos superiores poderiam adotar essa forma de educação, para que não ocorressem muitos atrasos em seus calendários acadêmicos, o que se concluiu com a decisão do Ministério da Educação de que todos os cursos de graduação estariam aptos a adotar esse modelo educacional

Dessa maneira, surgiu o questionamento se cursos da área da saúde, principalmente a graduação em medicina, teriam sua qualidade diminuída, já que nenhuma atividade prática poderia ser realizada.

A resposta para essa pergunta, pode divergir, uma vez que cada instituição de ensino superior ficou responsável por elaborar como seria a aplicação da educação a distância, o que fez com que métodos diferentes fossem propostos aos alunos, como conferências online, plataformas de questões e apostilas, além de diversas instituições preferirem não aderir a essa proposta de ensino, por julgarem que não seria adequado para suprir as necessidades de aprendizagem, em especial do curso de medicina, por formar profissionais que terão diariamente a vida de pessoas sob sua responsabilidade.

As principais dificuldades enfrentadas pelos acadêmicos para estudar no atual período

As múltiplas sensações de incerteza, medo, ansiedade e estresse se espalharam pela população mundial, as quais influenciam diretamente a vida dos estudantes. Em razão dessa situação, tornou-se extremamente complicado que os discentes das universidades conseguissem seguir seus programas de graduação sem qualquer prejuízo, o que se deve a esse mar de emoções, mas também à falta de condições para estudar, refletida pelo fato de muitos não possuírem ferramentas adequadas para estudarem em suas residências, como acesso à internet, livros e um local silencioso, por exemplo.

Ademais, uma grande parcela da população brasileira teve sua renda afetada, o que dificultou o acesso até mesmo de itens básicos para a sobrevivência, como alimentos, água e energia elétrica, os quais estão intimamente ligados à qualidade de aprendizagem dos estudantes. Outro fator que impede o rendimento satisfatório dos acadêmicos é que muitos perderam familiares e amigos, pois não resistiram à infecção pelo vírus Sars-Cov-2, dessa maneira, limitando drasticamente a capacidade de seguir normalmente com suas atividades acadêmicas.

Cinco dicas de como controlar sua ansiedade em meio ao atual período:

  • Sempre que tiver a sensação de taquicardia ou sudorese, que são sintomas comuns decorrentes da ansiedade, inspire e expire calmamente, isso vai ajudar a retomar o controle. Repita esse exercício de respiração até acalmar-se. Segundo o artigo “Ataques de pânico induzidos por dióxido de carbono e tratamento de clonazepam de curto prazo”, pessoas em uma situação extrema de ansiedade chamada pânico poderiam possuir alguns quimiorreceptores com elevada sensibilidade ao dióxido de carbono no cérebro. Assim, nós podemos fazer a associação de que, ao realizar os exercícios de respiração, o CO2 diminui no cérebro e mais oxigênio entra, reduzindo gradualmente a sensação incômoda do ataque de ansiedade.
  • Quando se encontrar em meio a uma crise de ansiedade, faça uma pausa nos estudos e pratique atividades que ajudem a elevar seus níveis de serotonina, uma vez que esse hormônio possui uma importante função na regulação do humor e, assim, da própria ansiedade.
  • Procure pensar em coisas positivas da sua vida, como o fato de estar com sua família ou ter amigos, isso fará com que sua mente foque em situações que não sejam um gatilho.
  • Durma no mínimo oito horas por noite; o sono é muito importante para a restauração mental.
  • Pratique exercícios físicos regularmente, eles vão ajudar a liberar e energia e assim você ficará mais calmo e tranquilo.

Cinco dicas para continuar estudando nesse período e não procrastinar:

É notório que o ambiente familiar propõe diversas distrações, assim como o fato de não se ter uma previsão para a volta da rotina normal de cada pessoa, o que torna a procrastinação muito fácil. Então, essas cinco dicas podem auxiliar a manter o foco nos estudos.

1. Comece com pequenas metas e vá aumentando gradativamente, assim você poderá atingi-las e não ficará frustrado, o que evitará mais um gatilho para a ansiedade.

2. Organize um espaço para estudar, se possível um ambiente com luz natural e calmo; essa atitude vai te ajudar a se concentrar nos estudos.

3. Inicie os estudos com algum assunto ou matéria que goste.

4. Não se cobre tanto; estamos em um momento muito delicado, sendo assim, comemore cada pequena conquista, como conseguir assistir a uma aula online ou fazer alguns exercícios.

5. E a última dica, mas não menos importante: descanse e faça algo que goste, como, por exemplo, assistir séries ou ouvir música, afinal, nossa mente também precisa de cuidados para continuar funcionando corretamente.

Conclusão

É evidente que a pandemia do vírus SARS-CoV-2 está afetando negativamente a formação dos futuros médicos brasileiros, pois os estudos e a saúde mental dos mesmos estão comprometidos, visto que houve a paralisação do ensino presencial e o aumento dos níveis de estresse e ansiedade nessa população. Com isso, atente-se às dicas acima e tente acalmar-se em momentos de desespero, compreendendo que a situação atual vai passar e que a cobrança pessoal não pode ser maior do que sua saúde mental.

Autora: Karoline Rossi, estudante de Medicina na Universidade Federal do Amapá (UNIFAP).

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