Coronavírus

Como aumentar a sensibilidade dos testes de covid-19?

Como aumentar a sensibilidade dos testes de covid-19?

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Sanar Medicina

6 min24 days ago

Durante a pandemia, muitas batalhas precisaram ser travadas. Uma delas agora se mostra crucial para conseguirmos derrotar de vez a cadeia de transmissão do vírus: o aumento da sensibilidade dos testes de covid-19.

Neste post explicaremos porque este assunto é tão importante, de acordo com artigo publicado na NEJM.

A importância dos testes de covid-19 adequados

Quando pensamos na sensibilidade dos testes para COVID-19, tendemos a focar em quão bem um determinado método é capaz de detectar moléculas de proteína ou RNA viral. Porém esta abordagem não leva em conta como o teste está sendo utilizado.

Diante de uma necessidade de ampla testagem, o contexto é importante. O conceito chave não é “quão bem um teste é capaz de detectar moléculas de proteína ou RNA viral”, mas sim, quão efetivo o teste é em identificar indivíduos infectados numa determinada população, pelo uso amplo e repetitivo do teste como parte de uma estratégia de testagem. Podemos chamar de sensibilidade do regime de teste.

Este regime de teste deve funcionar como um filtro: identificando, isolando e, portanto, filtrando pessoas infectadas, mesmo que assintomáticas. E para medir a sensibilidade de um regime é necessário que levemos em conta alguns aspectos.

Por exemplo: qual será a frequência? Para quem será aplicado? Em que momento, durante um curso de infecção, o teste será capaz de detectar indivíduos infectados? Em quanto tempo o resultado do teste estará disponível e será suficiente para prevenir transmissão secundária?

 A questão se concentra, portanto, em encontrar um teste que seja barato para que possa ser usado com alta frequência, seja capaz de detectar infecção a tempo de impedir transmissão, e não precise atingir um certo limite de detecção no método analítico.

Os diferentes objetivos dos testes de covid-19

Os testes necessários para um novo regime de testagem são diferentes dos utilizados atualmente. Os testes atuais (PCR) são desenhados para uso em pessoas sintomáticas, que não precisam ser de baixo custo pois requerem sensibilidade analítica alta, dada uma única oportunidade de testagem para definição diagnóstica.

Em contrapartida, testes utilizados com o objetivo de reduzir a prevalência do vírus na população precisam fornecer resultados rápidos, ser de baixo custo e permitir realização de vários testes durante a semana. Tudo isto com  objetivo de limitar a cadeia de transmissão dos assintomáticos ou pré-sintomáticos.

Limitações do teste PCR da COVID-19

As limitações do atual teste de reação em cadeia da polimerase (PCR) para uso em vigilância são as seguintes:

  • Necessidade de transporte das amostras para centro especializado;
  • Alto custo;
  • Impossibilidade de alta frequência de testagem;
  • Resultado não pode ser fornecido em curto espaço de tempo.

Os pontos acima citados dificultam o amplo uso do teste PCR, significando que a maioria da população nunca o realizou. Além disso, os resultados podem até identificar os infectados, porém estes podem espalhar a infecção por dias antes do resultado ser disponibilizado, limitando muito o impacto do isolamento e rastreamento de contato.

Alta sensibilidade versus alta frequência

Na figura abaixo está ilustrado a trajetória de uma pessoa infectada. Perceba que os testes possuem sensibilidade analítica diferente, mas também frequência de testagem diferentes (círculos brancos). O teste com sensibilidade baixa é realizado com alta frequência, e o teste de alta sensibilidade (PCR) é administrado com baixa frequência.

teste de covid-19 de alta e baixa sensibilidades e frequência
Fonte: NEJM

Ambos os testes são capazes de identificar o indivíduo infectado (círculo laranja), mas somente o teste utilizado com maior frequência detecta a infecção durante a janela de transmissão, apesar de sua baixa sensibilidade analítica. Essa característica torna o teste mais apropriado para servir de filtro.

Note que a janela na qual o teste PCR detecta a infecção antes da janela de transmissibilidade (janela verde) é estreita, enquanto a janela após período de infectividade (janela roxa) é longa. Esta longa positividade do exame após período de transmissão significa que muitos indivíduos são identificados no período em que não são mais fontes de transmissão.  

Conclusão

O impacto crucial se dá não apenas no domínio de controle epidemiológico, mas também econômico. Veja, a maioria dos indivíduos podem estar sendo colocados em quarentena após resultado positivo de PCR, apesar de já terem passado da janela de transmissão.

Vemos, portanto, a importância de um teste ser capaz de ser utilizado com alta frequência, pois este precisa ser capaz de frear a cadeia de transmissão do SARS-CoV-2.  Este teste já existe no mercado, são os chamados teste rápidos.

Agora, é necessário mudar o foco da sensibilidade do teste PCR para um regime de testagem ampla e de alta frequência, mesmo que a sensibilidade analítica do teste seja mais baixa. Assim, será possível alcançar o objetivo de filtrar os indivíduos infectados em tempo hábil, diminuindo a cadeia de transmissão da COVID-19.

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