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Como preparar a bomba de insulina | Colunistas

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Maria Luiza Raposo

6 minhá 260 dias

“Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia). Pode ocorrer devido à defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas, pelas chamadas células beta.

A função principal da insulina é promover a entrada de glicose para as células do organismo de forma que ela possa ser aproveitada para as diversas atividades celulares. A falta da insulina ou um defeito na sua ação resulta, portanto, em acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia”. (Sociedade brasileira de endocrinologia e microbologia,2007)

1. Qual a função da bomba de infusão de insulina?

O objetivo terapêutico da bomba de infusão de insulina é imitar o organismo de uma pessoa sem diabetes, a bomba libera a insulina durante 24 horas e, além do desaparecimento dos sintomas, o objetivo é melhorar a qualidade de vida e minimizar o risco de complicações através de um bom controle glicêmico.

2. Quais as indicações?

  • Pacientes com dificuldades para manter múltiplas aplicações ao dia; ou que, mesmo usando estes esquemas, ainda não consigam controle adequado da glicemia;
  • Ocorrência do fenômeno alvorecer (entre 3-9h);
  • Ocorrência do fenômeno do entardecer (entre 16-19h);
  • Grande variabilidade ou grandes oscilações glicêmicas no dia-a-dia;
  • Quando o paciente tem ocorrência de hipoglicemias frequentes e graves, hipoglicemia noturna frequente, ou hipoglicemia assintomática;
  • Pacientes com grandes variações das rotinas diárias, ou com necessidade de maior flexibilidade no estilo de vida;
  • Pacientes grávidas diabéticas ou com intenção de engravidar;
  • Atletas profissionais ou que competem, pois a bomba de infusão lhes permite uma maior liberdade e comodidade;
  • O paciente deve conhecer contagem de carboidratos, para fazer a dosagem de insulina;
  • Não ter histórico de bulimia;

3. Complicações da bomba de infusão de insulina

  • Hiperglicemia- podem ocorrer sempre que houver interrupção do fluxo de insulina; por causa do uso das bombas ultrarrápidas, levando a quadros de cetoacidose diabética. Esses quadros podem ser prevenidos se o paciente fizer medições frequentes da glicemia e corrigir alterações glicêmicas sempre que ocorrerem tais alterações.
  • Infecções de pele- podem ocorrer no local da colocação do cateter, em virtude da falta de cuidados na assepsia do local ou das mãos.
  • Falhas das bombas: são mais raras, pois a bomba tem mecanismos que detectam falhas.
  • Hipoglicemia: o risco dessa complicação pode ser diminuído com medidas frequentes da glicemia, principalmente antes das refeições, durante a madrugada e antes de dirigir.

4. Como fazer o preparo da bomba de infusão de insulina

A bomba de insulina é um aparelho eletrônico ligado ao corpo por um cateter, com uma agulha flexível na ponta. Podemos inserir a agulha na região subcutânea do abdômen, braço ou da coxa e deve ser substituída a cada dois ou três dias. O conjunto completo de infusão, cateter e cânula deve ser trocado a cada seis dias, a fim de evitar reações alérgicas, infecções no local de inserção ou obstruções.

O reservatório de insulina contém de 300 a 315 unidades de insulina, dependendo do tipo de bomba utilizado. Existem diversos tipos de conjuntos de infusão, com diferentes tipos de cateteres. São utilizados seguintes tipos:

a) 6 mm: para pessoas com tecido subcutâneo normal ou pouco espesso;
b) 9 mm: para pessoas com tecido subcutâneo mais espesso, aplicado em 90°;
c) 17 mm: para uso geral, aplicado em 45° ou menos, dependendo da quantidade de tecido celular subcutâneo. 

Lembrando que a bomba não mede a glicemia, então o próprio paciente deve ser capaz de medir a glicemia algumas vezes ao dia para um melhor resultado do tratamento.

4.1. Infusão basal de insulina

Cálculo da dose basal de insulina

As bombas de infusão podem ser programadas para liberar doses constantes ou variáveis a cada hora, durante todo o dia, adaptando-se às necessidades do paciente, podendo também ser alteradas conforme necessário.

Além disso, podem liberar taxas basais de 0,05 a 35 unidades por hora (em gradações de 0,05 a 0,10 unidades) e podem ser programadas para até 48 diferentes taxas basais em 24 horas. Em crianças, pode-se usar doses tão pequenas quanto 0,1 unidade por hora.

O cálculo da dose basal de insulina é obtido através da soma do total de insulina usado no dia menos 20% dessa soma, caso o paciente seja razoavelmente controlado e apresente poucas hipoglicemias. Se o paciente apresentar muitas hipoglicemias, se subtrai 30%.

Se o paciente está mal controlado, divide-se a dose total por dois, distribuindo o resultado obtido durante as 24 horas do dia. Um método alternativo para o cálculo da dose basal é a multiplicação do peso do paciente em quilogramas (kg) por 0,3.

Ajuste da dose basal

No início do tratamento, devemos fazer a divisão igual da dose basal total durante as 24 horas e, ao longo das horas, devemos ajustar as doses de acordo com a necessidade de cada período. Exemplo:

  • Entre meia-noite e 4 horas da manhã, devemos ajustar as doses basais de insulina mais baixas.
  • Entre 3 e 9 horas da manhã (por causa do fenômeno do alvorecer), devemos ajustar as doses basais maiores.

Bolus de refeição

É feita a liberação adequada de insulina pelo próprio paciente, conforme a quantidade de carboidratos a ser ingerida na refeição, em média, usa-se uma unidade de insulina para cada 10 g a 20 g de carboidratos ingeridos; para crianças pequenas, a dose pode ser de até 1 unidade de insulina para 40 g de carboidrato.

Autora: Maria Luiza Raposo

Instagram: @malu_raposo

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