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Como ter boas ideias para produções científicas? | Colunistas

Como ter boas ideias para produções científicas? | Colunistas

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Josué da Silva Brito

5 min há 534 dias

O caminho científico é um processo que exige perseverança. Boas ideias podem perecer devido ao autor não estar preparado para todas as etapas que exige uma pesquisa científica. É preciso, antes de tudo, conhecimento sobre o método científico e vivência com a escrita. Apenas se conquista tais feitos através da leitura e tendo-se bons exemplos.

A publicação é o findar de um caminho que se inicia com a ideia, com a formulação de uma pergunta. É fruto da curiosidade individual e deveras dependente do nível de conhecimento do autor sobre métodos e também de experiências anteriores.

Neste texto, discute-se elementos necessários para se ter boas ideias e como se chegar ao problema de pesquisa.

Como ter ideias?

Boas ideias advêm de ótimos leitores

Você dificilmente terá boas ideias distante da ciência e de autores já consagrados. Leia periódicos das sociedades acadêmicas brasileiras, revistas de grandes universidades e também anais de eventos de áreas que gosta. Acompanhe também o que é publicado sobre um tema de interesse. Assim, você conhecerá novos métodos, descobrirá lacunas apontadas por outros autores e compreenderá melhor a limitação dos estudos. O tempo é obviamente curto e, por isso, é difícil acompanhar todas as novidades. Uma alternativa, portanto, é acompanhar temas. Na Biblioteca Virtual de Saúde é possível registrar temas de interesse e ser notificado sobre novos artigos.

Esteja próximo de professores que possuam predileção pela pesquisa

Jean-Martin Charcot foi um exemplo de professor, ao seu lado floresceram alunos como Sigmund Freud, Joseph Babinski, Alfred Binet, Georges Tourette, James Parkinson, entre outros. Professores cientistas ajudam no desenvolvimento de senso crítico e da prática de medicina baseada em evidências. Além disso, dessa relação podem surgir temas que merecem investigação. Sempre há algum professor que adaptou uma técnica, faz algo um pouco diferente do livro padrão e acredita ter melhores resultados. Essa é, por exemplo, uma possibilidade para se comparar diferentes procedimentos/tratamentos, seja no campo experimental, seja revisitando a teoria. Também é dessa experiência que surgem relatos de caso, um dos tipos mais básicos de literatura médica.

Fazer perguntas é fundamental

Por que certa técnica é utilizada? Por que rastreamos a doença X? Por que na região X o número de mortes por Y está elevado? Por que uma doença apresenta alta prevalência na região X e menor na região Y? O tratamento X é superior ao Y? Por que certos pacientes aderem ao tratamento X e outros não? Quais são as características epidemiológicas dos pacientes com a doença X? Será que o fator X interfere na doença Y? Será que o fator X é um fator prognóstico da doença Y? Não existe a pergunta idiota, mesmo que algumas questões sejam facilmente respondidas por uma pesquisa rápida da literatura. É através do pleno exercício da curiosidade que são germinados problemas de pesquisa. Na formulação de perguntas, deve-se buscar criar perguntas objetivas e claras. Não se deve fazer perguntas genéricas, essas se perdem dentro da sua própria abrangência e podem destruir uma pesquisa.

Minha ideia é uma boa ideia?

Nem todas as ideias, contudo, poderão de fato resultar em estudos. É preciso verificar se há alguma inovação, contribuição para o conhecimento do tema. O bom cientista é aquele que identifica lacunas no conhecimento e busca preenchê-las. Faça, antes de tudo, uma pesquisa na literatura sobre o tema. Veja o que abordaram outros autores, quais os passos seguidos, tente identificar tópicos que não abordaram. Verifique quando foram publicadas as últimas atualizações sobre o tema e quais os pontos ainda podem ser controversos. Peça opinião de autores com maior experiência na publicação científica e no ramo no qual está pesquisando. Acredite nas suas ideias e persista nelas, mas esteja sempre disposto a abandonar uma má ideia.

É necessário avaliar também se é uma ideia factível. Deve haver: executor, instrumento para o que se deseja e objeto. A ausência de um deles por motivo diverso (limitação financeira, força maior, etc.) pode comprometer a execução de uma ideia.

O contraste da ideia inicial com a literatura e opinião de autores mais experientes e de sumidades na área ajudará na construção do problema de pesquisa. Esse precisará possuir relevância prática e teórica e trazer novos conhecimentos. Deve ser claro, preciso, objetivo e sem valoração (é bom, é ruim, é certo, é eficaz., etc.). Preferencialmente, deve ser elaborado como uma pergunta.

Após a construção do problema de pesquisa, você se coloca em um caminho longo que é a construção de projeto e realização de uma pesquisa científica. O primeiro desafio, contudo, já foi superado!

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Autor: Josué da Silva Brito, Estudante de Medicina

Instagram: @josuebrito98

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