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Como um vírus muda para uma nova variante? | Colunistas

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É normal que os vírus evoluam com o tempo. Quando um vírus se replica ou faz copias de si mesmo, as vezes muda um pouco, oque é normal para um vírus. Essas mudanças são chamadas de “mutações”.

Um vírus com uma ou mais novas mutações é referido como uma “variante” do vírus original.

Quando um vírus está amplamente em circulação em uma população e causando muitas infecções como no caso do Sars-CoV-2, a probabilidade de que este sofra uma mutação aumenta. Então quando mais ele se espalhar mais ele vai se replicar e mais oportunidades ele tem de sofrer mudanças.

A maioria das mutações virais tem pouco ou nenhum impacto na capacidade do vírus de causar infecções e doenças. Mas dependendo de onde as alterações estão localizadas no material genético do vírus, elas podem afetar as propriedades de um vírus, como a transmissão (por exemplo, pode se espalhar mais ou menos facilmente) ou gravidade (por exemplo, pode causar doenças mais ou menos graves).

A mutação detectada na variante B.1.1.28 (K417N / E484K / N501Y) é um fenômeno recente, provavelmente ocorrido entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021. O surgimento de novas variantes do Sars-CoV-2 que abrigam um número maior de mutações em proteína chamada Spike tem trazido preocupação em todo o mundo, sobretudo, após a recente identificação de duas cepas, uma no Reino Unido e outra na África do Sul. No Brasil, a epidemia de Sars-Cov-2 ocorreu a partir de duas linhagens, denominadas B.1.1.28 e B.1.1.33, que, provavelmente, surgiram no país em fevereiro de 2020.

Como rastrear variantes da pandemia mais rapidamente?

Segundo alguns pesquisadores, existem quatro sinais de alerta que são particularmente importantes no monitoramento de novas variantes:

SURTO DE HOSPITALIZAÇÕES

Este é um dos principais alertas para a possibilidade de uma nova variante, um aumento repentino de internações e mortes por covid-19.

Se existe uma explicação como por exemplo, flexibilidade de contato social nas semanas que antecederam ao surto ou se ele ocorreu após um período de festividades, como Natal ou Ano novo.

Caso não exista uma explicação razoável para uma localidade ter um aumento disparado de infecções, então este seria um sinal de alerta para a possiblidade de uma variante mais contagiosa nesta região.

Foi este ‘’sinal de atenção’’ que impulsionou cientistas da África do sul a mobilizar esforço para identificar mudanças genéticas no coronavírus em circulação na província de Cabo Oriental.

Em novembro de 2020, pesquisadores da Universidade KwaZulu-Natal, em Durban, na África do sul, sequenciaram o vírus de pessoas infectadas naquela cidade e verificaram que se tratava de uma variante com 20 mutações (um numero considerado alto para o Sars-CoV-2).

Logo, a covid-19 voltou a se espalhar pelo país, provocando uma nova onda com pico de infecção maior que a primeira. A alta taxa de infecção levou os cientistas a desconfiarem que seria uma versão mais contagiosa do vírus. Sendo identificados duas mutações particularmente preocupantes e que depois também seriam encontradas na variante descoberta em Manaus: a N501Y e a E484K. Ambas se localizam na Spike do Sars-CoV-2(proteína que serve de ponto de ligação entre o coronavírus e as celulas do corpo humano).

A N501Y torna o vírus mais contagioso, enquanto a E484K dribla a ação dos anticorpos neutralizantes, que se colocam entre a Spike e as celulas humanas para impedir a fixação do vírus. A E484K preocupa os cientistas porque parece reduzir a eficácia de vacinas e há suspeitas que facilitem reinfecção por pessoas que já se contagiaram pelo vírus.

INCIDENCIA DE REINFECÇÕES

Quando uma localidade tem uma alta na infecção de pessoas que dizem já terem contraído covid-19 antes, esse acaba sendo um fator de alerta para a presença de variantes, ainda mais quando esse novo contagio ocorre em um curto espaço de tempo.

Se um número considerável de pessoas que já se contagiaram começar a testar positivo para covid-19, pode ser uma indicação de que está em circulação uma variante que é capaz de driblar os anticorpos produzidos pelo sistema imune após uma primeira infecção.

MUDANÇAS DE SINTOMAS E GRAVIDADE

Outro fator que nos pode indicar um possível surgimento de variante é uma alteração consistente nos sintomas de quem testa positivo para covid-19 ou uma elevação significativa de casos graves da doença.

Isso indicaria que a presença de mutações que interagem de maneira diferente com as celulas humanas, provocam reações que são diferentes das causas pela cepa original do coronavírus.

Por serem mais transmissíveis estas podem aumentar rapidamente o numero de infectados, provocando uma superlotação de hospitais e consequentemente mais mortes.

MUDANÇA NA FAIXA ETÁRIA INFECTADA

Este seria por uma contagio mais acelerado de pessoas em grupos etários pouco atingidos pela cepa original do coronavírus.

Neste caso, se crianças e adolescentes começarem a se infectar ou apresentar casos mais graves de covid-19, este seria um indicativo de que existem variantes com mutações capazes de melhorar esta conexão entre a proteína Spike do vírus e os receptores das celulas dos jovens.

Como parar o surgimento de novas variantes?

Medidas atuais para reduzir a transmissão incluindo lavagem frequente das mãos, uso de máscara, distanciamento físico, boa ventilação e evitar locais lotados ou ambientes fechados continuam trabalhando contra novas variantes, reduzindo a quantidade de transmissão viral e, portanto, também reduzindo oportunidades para o vírus sofrer mutação.

Aumentar a fabricação de vacinas e implementar vacinas o mais rápido e amplamente possível também é uma maneira crítica de proteger as pessoas antes que elas sejam expostas ao vírus e ao risco de novas variantes. Deve-se priorizar a vacinação de grupos de alto risco em todos os lugares para maximizar a proteção global contra novas variantes e minimizar o risco de transmissão. Além disso, garantir o acesso equitativo às vacinas COVID-19 é mais crítico do que nunca para abordar a pandemia em evolução. À medida que mais pessoas são vacinadas, se espera que a circulação do vírus diminua, o que levará a menos mutações.

       AUTOR: BRUNA SANTOS SCIOUTE

       INSTAGRAM: @bscioute

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

Coronavírus: quatro sinais de alerta que indicam surgimento de variantes perigosas – BBC News Brasil ACESSO EM 13 DE JUNHO DE 2021

Os efeitos das variantes do vírus nas vacinas COVID-19 (who.int) ACESSO EM 13 DE JUNHO DE 2021

Nota técnica: Relação filogenética de sequências SARS-CoV-2 do Amazonas com variantes emergentes brasileiras que abrigam mutações E484K e N501Y na proteína Spike – Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz): Ciência e tecnologia em saúde para a população brasileira ACESSO EM 13 DE JUNHO DE 2021

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