Ciclo Clínico

COMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS | Colunistas

COMPLICAÇÕES PÓS-OPERATÓRIAS | Colunistas

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João Lima

5 minhá 7 dias

As complicações pós-operatórias estão relacionadas a diversos fatores, como estágio avançado da doença, erros técnicos no pré ou pós-operatório, natureza das patologias, dentre outros. No entanto elas podem ser prevenidas e minimizadas a partir do reconhecimento correto e de algumas condutas no período pré, peri ou pós-operatório. Nesse texto, abordarei as relevâncias de reconhecimento e conduta com feridas, infecções do sítio cirúrgico, complicações respiratórias e térmicas no pós-operatório. 

Feridas cirúrgicas

As feridas cirúrgicas possuem diversas etiologias. Entretanto o importante para o seu cuidado é reconhecer a forma de prevenção, evitando o acometimento do paciente, além do quadro clínico e tratamento, para que, caso as feridas ocorram, o manejo seja rápido e eficiente.

Veja a seguir uma tabela sumarizando esses achados:

FONTE: autoria própria

Complicações respiratórias

Quase todos os pacientes apresentam diminuição da capacidade residual funcional no pós-operatório. Isso pode ocorrer por conta de diversos fatores, tais como: distensão abdominal, incisão dolorosa no tórax, efeitos anestésicos, dentre outros. No entanto é necessário frisar alguns acometimentos importantes que urgem intervenção médica.

 Pneumonia

Conceito: infecção de parênquima pulmonar.

Quadro clínico: paciente cursa com febre alta, confusão mental, secreção espessa com tose, leucocitose e radiografia de tórax com infiltrados.

Tratamento: iniciar fisioterapia respiratória, enviar escarro para cultura e administrar antibioticoterapia de amplo espectro. Quando os resultados da cultura estiverem disponíveis, deve-se iniciar terapia específica.

Atelectasia

Conceito: colabamento alveolar.

Quadro clínico: febre baixa e murmúrios vesiculares diminuídos ou abolidos na porção inferior do pulmão.

Tratamento: fisioterapia respiratória.

Tromboembolismo Pulmonar

Conceito: presença de um trombo na circulação pulmonar.

Quadro clínico: dispneia, taquipneia, taquicardia, hipoxemia e dor pleurítica.

Tratamento: terapia tromboembolítica medicamentosa ou endovascular.

Edema pulmonar

Conceito: é associado ao acúmulo de líquido nos alvéolos. Na presença de líquido na luz dos alvéolos a oxigenação não pode ocorrer, desencadeando hipoxemia.

Quadro clínico: aumento do esforço respiratório, incluindo elevação da frequência respiratória e uso exagerado dos músculos da respiração.

Tratamento: intubação imediata, associada à administração cuidadosa de líquidos e à monitoração invasiva com cateter de Swan-Ganz.

 Complicações de termorregulação

Hipotermia

Queda de 2°C na temperatura corporal do paciente ou temperatura corporal < 35°C. A hipotermia está associada a um aumento de 2 a 3 vezes na incidência de isquemia no pós-operatório. Inicialmente, é importante a monitorização atenta da temperatura corpórea de um paciente em pós-operatório. Caso verifique-se o quadro, deve-se iniciar com a colocação de cobertores sobre o paciente, bem como equipamentos de corrente forçada quente. Importante a administração de fluidos aquecidos. Caso ocorra agravo, pode-se optar por lavagem peritoneal com líquidos aquecidos, equipamentos de infusão com reaquecimento e derivação cardiopulmonar.

Hipertermia maligna:

É uma crise hipermetabólica potencial fatal que se manifesta durante ou após a exposição de um anestésico deflagrador. Um sinal patognomônico dessa condição é a rigidez de masseter. Para reverter o quadro, é importante descontinuar o anestésico deflagrador e aplicar dantrolene, além da monitorização avançada do paciente.

Caso Clínico:

Paciente do sexo masculino, 70 anos, procedente de Salvador (BA), procurou o pronto atendimento do Hospital SanarMed com queixa de dor abdominal em região de flanco direito, vômitos, febre, eliminação de fezes presentes. Refere que a dor abdominal iniciou há 3 dias e melhorava com uso de analgésicos, porém evoluiu com aumento da intensidade da dor há 24 horas e iniciou episódios de febre, não aferida. Sinal de Blumberg presente e tomografia de tórax identificou apendicolito de aproximadamente 3cm em apêndice retrocecal. Paciente foi submetido a laparoscopia para apendicectomia, realizada no mesmo serviço, por apendicite grau I. Com 24h de pós-operatório paciente refere dispneia intensa, ausência de febre, tosse e, ao exame físico, apresenta diminuição de murmúrios vesiculares na porção inferior do pulmão direito.

Esse quadro clínico é mais comum do que se imagina. Paciente idoso é submetido a procedimento cirúrgico de rotina no serviço e desenvolve uma complicação respiratória. Sem o conhecimento adequado das possíveis complicações pós-operatórias, poderíamos partir para uma oxigenação suplementar ou até um procedimento invasivo, como uma intubação orotraqueal. No entanto, pela presença de um quadro clínico clássico de atelectasia, pede-se encaminhamento precoce ao serviço intra-hospitalar de fisioterapia respiratória, facilitando a resolução do caso.

Conclusão

Vale ressaltar que existem complicações pós-operatórias sistêmicas, nos atentamos aqui para as mais comuns aos procedimentos cirúrgicos mais usuais. Além disso, percebe-se que as complicações pós-operatórias são muitas, porém, com estudo, é possível reconhecê-las e elaborar condutas que revertam esses quadros, permitindo a continuidade do bem-estar do paciente. Contudo, é sempre importante ressaltar os mecanismos de prevenção que foram apresentados, evitando possíveis surpresas no tratamento do paciente e nos gastos com a saúde.

Autor: João Victor Lopes Lima

Instagram: @morethanstudies

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