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Comportamento suicida – Transtornos psiquiátricos | Colunistas

“Quem se mata corre atrás de uma imagem que forjou de si próprio: as pessoas matam-se sempre para existir.” 

André-Georges Malraux

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos, sendo a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, ficando atrás apenas de acidentes de trânsito. Em virtude desse cenário, o Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com o Conselho Federal de Medicina e a Associação Brasileira de Psiquiatria, promove no mês de setembro a campanha setembro amarelo, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de falar sobre o tema de uma forma aberta e sem tabus.

É importante entender o suicídio como um fenômeno altamente complexo, com múltiplos domínios de fatores de risco para que as ações de prevenção sejam direcionadas da maneira mais efetiva possível. Dessa forma, é importante destacar que, das doenças psiquiátricas, os transtornos de humor são os maiores responsáveis pelo suicídio. Estima-se que metade a dois terços dos suicídios sejam decorrentes de transtornos de humor como a depressão, transtorno bipolar e transtorno distímico.

Entre os transtornos de humor, o transtorno bipolar é a doença que mais causa suicídios. De acordo com a associação brasileira de transtorno bipolar (ABTB), de 30% a 50% dos brasileiros que apresentam transtorno bipolar tentam suicídio.

Os fatores de risco mais comuns associados ao suicídio incluem transtornos mentais graves, uso de álcool, abuso de drogas, tentativas prévias de suicídio, distúrbios físicos sérios, transtornos de personalidade, impulsividade, desemprego, experiências traumáticas na infância e histórico familiar de suicídio ou transtornos mentais.

Entre os transtornos mentais graves podemos destacar a esquizofrenia, muitas vezes associada à depressão, a qual os pacientes têm predisposição. Além disso, é importante pontuar que o método utilizado para o suicídio nesses casos é bastante violento.

Infelizmente, talvez por falta de informação ou por naturalização de certos hábitos, tendemos a ignorar os sinais de que algo errado está acontecendo. Isolamento, depressão e problemas com álcool são muitas vezes menosprezados e, na ausência do diagnóstico e intervenção precoce, o risco de suicídio aumenta de forma considerável.

Esses sinais não são determinantes e quem os manifesta não necessariamente irá cometer suicídio. Porém, são indicativos de sofrimento grave. Além do isolamento social, depressão e abuso de álcool, outros sinais são bastante comuns. Podemos destacar mudanças bruscas do comportamento, perda de prazer e interesse em coisas que tinha antes, queda brusca no rendimento escolar, abstenção frequente no trabalho e automutilação.

A percepção da sociedade sobre o suicídio e sobre os transtornos psiquiátricos deve ser modificada através da informação. Falar sobre o assunto, fatores de risco e alterações no comportamento pode ajudar a prevenir de forma significativa o problema. Além disso, o mais importante, além do tratamento profissional, é a criação de uma rede de apoio para esses indivíduos e isso é conseguido principalmente através da família. Dar importância ao problema do indivíduo, mostrar que está ao seu lado e ajudar como for possível a enfrentar essa fase é crucial.

O sistema único de saúde oferece atendimento através dos centros de apoio psicossocial (Caps). Além disso, o CVV oferece apoio emocional pessoalmente, por e-mail ou chat e 24 horas através do telefone 188. Seja qual for o problema, existe solução e ela passa pelo enfrentamento da situação através da ajuda profissional e empatia social.

Referências

  1. Isometsä E. Suicidal Behaviour in Mood Disorders—Who, When, and Why?. The Canadian Journal of Psychiatry, Vol 59, No 3, March 2014
  2. https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/transtornos-psiqui%C3%A1tricos/comportamento-suicida-e-autoles%C3%A3o/comportamento-suicida
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