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Conheça o método BLW: baby-led weaning (desmame liderado pelo bebê) | Colunistas

Conheça o método BLW: baby-led weaning (desmame liderado pelo bebê) | Colunistas

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Imagem de perfil de Viviane de Caprio

Toda criança tem muito a aprender sobre si e sobre o mundo. No entanto, algumas coisas os bebês já nascem sabendo: por exemplo, regular o próprio apetite.

“Do ponto de vista comportamental, desde o nascimento os recém-nascidos saudáveis possuem a capacidade de autorregular sua alimentação, determinando o início da mamada, qual a velocidade que sugam e quando querem parar de mamar.” (Sociedade Brasileira de Pediatria).

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida, não sendo necessária a oferta de água, chá nem de outros alimentos. Após esse período, devem ser oferecidos à criança alimentos nutritivos além do leite materno (alimentação complementar).

A introdução alimentar tradicional baseia-se em oferecer ao bebê alimentos líquidos e pastosos; os pais/cuidadores definem o início e o término das refeições, além da quantidade e da velocidade da alimentação. Então, confrontando essa técnica clássica, está o BLW.

O método de alimentação baby-led weaning (BLW), criado pela enfermeira e mestre em nutrição infantil, a britânica Gill Rapley, consiste no desmame conduzido pelo próprio bebê.  “Weaning” refere-se à transição gradual da alimentação do bebê.

“Não se trata de um método específico, mas de uma abordagem que encoraja os pais a confiarem na capacidade nata que o lactente possui de se autoalimentar.” (Guia prático de atualização – Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria).

Essa abordagem inclui oferecer ao bebê alimentos nutritivos durante as refeições da família, mas o bebê deve ser o único responsável por colocar os alimentos na própria boca. Para que o método seja efetivo, os pais/cuidadores devem confiar na capacidade inata de autorregulação alimentar; ou seja, devem acreditar que o bebê tem a capacidade de decidir o que deve comer, quando, quanto e em qual velocidade.

O principal objetivo do método é incentivar a liberdade do bebê durante as refeições, estimulando seu desenvolvimento e sua autonomia. Como o consumo de alimentos sólidos deve ser compatível com as necessidades da criança, ela pode ter o total controle de sua alimentação.

Acredita-se que bebês com crescimento e desenvolvimento adequados para a idade, após o sexto mês de vida, adquirem a capacidade motora de guiarem os alimentos até a boca e, por isso, são aptos a consumirem alimentos em pedaços.

Esse método usado, principalmente, na Europa e nos Estados Unidos ainda apresenta muitas questões a serem respondidas. Vamos a alguns esclarecimentos importantes.

“Os pais/cuidadores precisam passar muito tempo esperando que a criança alimente-se sozinha.”

Não necessariamente. O método preconiza que o bebê faça as refeições junto da família, sentado à mesa em sua cadeirinha; assim, escolhe o que quer comer entre os alimentos que lhe são oferecidos e o faz em seu próprio ritmo. As crianças são curiosas por natureza e essa é a maior motivação para que o bebê coma um alimento oferecido a ele; dessa forma, a introdução alimentar torna-se mais livre e descontraída.

“O método BLW preconiza que os alimentos sejam ingeridos em pedaços.”

Sim, isso é verdade. Os alimentos devem ser cortados de forma que o bebê consiga segurá-los facilmente (por exemplo, palitinhos de cenoura, cubinhos de abóbora) para que ele seja o protagonista de sua alimentação. Nesse ponto, é importante observar que o bebê pode não conseguir segurar o alimento, mesmo quando oferecido em cortes adequados; se isso ocorrer, é importante que os pais sejam orientados quanto ao desenvolvimento motor e às necessidades nutricionais do bebê. Pode ser que o bebê ainda não esteja pronto para iniciar o método BLW ou que ele precise de alguma assistência durante a alimentação (cada caso é um caso e requer avaliação nutricional e pediátrica).

“Bebês não conseguem comer sozinhos.”

Após os seis meses de vida, os bebês conseguem sim comer sozinhos; inclusive, alguns bebês só aceitam comer se for dessa forma. Mais uma vez, de modo geral, consideram-se bebês nascidos a termo e em desenvolvimento neuropsicomotor típico. Nessa idade, o desenvolvimento do bebê caracteriza-se por sua curiosidade e sua capacidade de sentar sem apoio e de segurar objetos com as mãos, levando-os facilmente à boca.

“Alimentos sólidos podem fazer o bebê engasgar.”

Durante o desenvolvimento do bebê, primeiro ele adquire a capacidade de engolir, depois de mastigar e, posteriormente, a de levar alimentos (ou objetos) à boca. Isso significa que o fato de o bebê conseguir colocar um alimento na boca indica sua capacidade de mastigar e de engolir. Quando um alimento é introduzido passivamente na boca do bebê com uma colher, não se garante que ele já tenha esse desenvolvimento completo e, então, o risco de engasgo é maior.

“O bebê pode ter alguma deficiência nutricional por rejeitar muitos alimentos oferecidos.”

Isso depende da situação. Pressupõe-se que um bebê livre para experimentar sabores e texturas de diferentes alimentos tende a aceitar uma variedade maior de alimentos e fica mais disposto a novas experiências. Para uma alimentação completa e nutritiva, o bebê deve receber várias opções de vegetais e carnes cozidos, passíveis de serem explorados e mastigados. O bebê pode rejeitar algum alimento, mas não significa que ele não possa experimentá-lo novamente em uma nova oportunidade. Crianças que rejeitam muitos alimentos requerem acompanhamento clínico, pois, nesses casos, pode haver uma possível deficiência nutricional.

No início da introdução alimentar no método BLW, espera-se que o bebê brinque bastante com os alimentos. E está tudo bem. Os pais/cuidadores devem ser encorajados a terem paciência e desencorajados quanto a preocupações. O método pode falhar se o bebê não se sentir seguro; isso pode ocorrer quando ele é obrigado a comer ou quando recebe castigos ou ameaças. É comum que os bebês alimentem-se bem sozinhos a partir dos 8-9 meses de idade.

Portanto, o bebê não deve ser apressado. Ele pode sujar a mesa, a cadeira e suas mãozinhas, enquanto adquire a capacidade de regular o próprio apetite, desenvolve a coordenação motora e inicia suas habilidades sociais ao participar das refeições em família.

Autor: Viviane Ventura

Instagram: @viviane.crv