Cardiologia

Cor Pulmonale | Ligas

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Definição

O Cor Pulmonale  é definido como uma alteração de estrutura e/ou função do ventrículo direito do coração decorrente da hipertensão pulmonar crônica ou aguda, essa que pode resultar de doenças parenquimatosas, como DPOC, doenças vasculares pulmonares primárias, como Hipertensão Arterial Pulmonar idiopática, ou de condições que levem a hipóxia alveolar, como uma insuficiência respiratória neuromuscular. 

Epidemiologia

Doenças que causem alterações tanto na vasculatura quanto no parênquima pulmonar, gerando um aumento da pressão arterial pulmonar, podem resultar no cor pulmonale seja de forma aguda, cuja causa mais comum é embolia pulmonar, ou crônica, mais causada pela DPOC. Portanto, fatores de risco para essas etiologias, como tabagismo, poluição do ar, exposição a substâncias que causem pneumoconioses, imobilização e cirurgias longas aumentam a prevalência de cor pulmonale.

A presença de hipertensão pulmonar e cor pulmonale geralmente está associada a um pior prognóstico, independente da doença de base. A sobrevida estimada, na presença de cor pulmonale, é de 45% em dois anos, contra 69% na sua ausência.

Fisiopatologia

A vasodilatação e o recrutamento de vasos do leito circulatório pulmonar permitem que o valor da pressão arterial pulmonar gire em torno de 10 a 15 mmHg, um valor baixo e fisiológico. Contudo, em casos de algumas doenças pulmonares parenquimatosas, doenças vasculares pulmonares primárias e hipóxias crônicas são geradas vasoconstricções pulmonares e/ou destruição de vasos, promovendo um aumento da resistência vascular pulmonar, logo uma hipertensão pulmonar, caracterizada pela elevação da pressão arterial, para em média 25mmHg.      

Esse aumento de pressão faz com que o VD responda com uma hipertrofia concêntrica compensatória gradual, gerando uma falência diastólica, já que a cavidade não consegue receber adequadamente o sangue. Com o tempo, surge também uma dilatação de VD, estabelecendo uma disfunção sistólica.

Quadro Clínico

Os sinais e sintomas  da Cor Pulmonale variam com o tempo da doença. Primeiramente, a dispneia, fadiga, e a possível ocorrência de tosse com expectoração, ocorrem devido à doença presente nos pulmões. Em seguida, com o aumento da pressão no ventrículo direito, há edema de membros inferiores, ascite, turgência jugular patológica, hepatomegalia. A sonolência e taquicardia aparecem em função do baixo débito cardíaco. No exame físico, há algumas alterações como  hiperfonese do componente pulmonar de B2, os sopros diastólicos de insuficiências tricúspide e pulmonar e, mais tardiamente, bulhas acessórias (B3 ou B4) no ventrículo direito.

Diagnóstico

Tendo em vista que o quadro clínico da cor pulmonale é essencialmente inespecífico, seus sinais e sintomas podem ser associados a outras patologias inicialmente, o que torna seu diagnóstico mais difícil. A insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, por exemplo, cursa com taquipnéia, hepatomegalia e edema de membros inferiores também, podendo ser um diagnóstico diferencial da cor pulmonale. 

Mostra-se importante, portanto, avaliar a disfunção/sobrecarga do ventrículo direito através de um eletrocardiograma (ECG), visando identificar um possível desvio para a direita ou aumento das câmaras direitas do coração, podendo ter alterações em ST e onda T (parede anterior). Além disso, o raio X de tórax pode evidenciar dilatação das artérias pulmonares, sugerindo a hipertensão pulmonar, bem como aumento do coração, que pode ser encontrado em TCAR também.

Em alguns casos, é feito um ecocardiograma que facilita o diagnóstico por também evidenciar bem o aumento das câmaras cardíacas e da pressão arterial pulmonar. Ainda, em casos em que o eco com doppler não for capaz de mostrar as informações necessárias, pode ser feito um cateterismo cardíaco direito para diagnóstico.

Finalmente, a dosagem de BNP também pode ser um fator contribuidor para o diagnóstico, uma vez que fica elevado com o estiramento das fibras miocárdicas – o que ocorre secundariamente por conta da sobrecarga do VD.

Tratamento

O tratamento da cor pulmonale será feito com direcionamento à sua etiologia, ou seja, direcionado à correção do fator responsável pela hipertensão pulmonar presente. Dito isso, a oxigenoterapia para pacientes hipoxêmicos mostra-se importante no manejo da cor pulmonale. Não só isso, mas também o uso de diuréticos em doses suficientes para diminuir a sobrecarga de volume de VD faz-se presente no tratamento.

Autores, revisores e orientadores

Autores: Ana Carolina Pereira Silva e Guilherme Henrique de Lima Bastos

Revisora: Luiza de Azevedo Nobre

Orientador: Maurício Pinto de Mattos

Co-orientadora: Amanda Aparecida da Silva Machado

Liga Acadêmica: Liga Acadêmica de Clínica Médica da UNESA, campus Città – instagram: https://instagram.com/lacmedunesa?igshid=1l5peyvlq17g6

Referências Bibliográficas

JAMESON, J. L. et al. Medicina Interna de Harrison. 20ª ed. Porto Alegre: AMGH, 2019.

LEONG, D. Overview of Cor Pulmonale. eMedicine, 2017. Disponível em: <https://emedicine.medscape.com/article/154062-overview>.

FINE, N. M. Cor pulmonale. MSD Manuals, 2022. Disponível em: .

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.