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Rastreio de COVID-19 em profissionais de saúde assintomáticos

É possível ser portador do vírus da COVID-19 e não desenvolver sintomas da doença. Nesse contexto, qual a importância do rastreio de COVID-19 em profissionais de saúde e trabalhadores de centros de atendimento? Estudos mostram que estes carreadores assintomáticos constituem potencial fonte de transmissão do vírus. Uma das formas mais importantes de transmissão da COVID-19 é a infecção nosocomial. Baseado nestas premissas, um estudo realizado na China buscou elucidar os fatores clínicos e epidemiológicos dos trabalhadores assintomáticos de determinado hospital. Os resultados do estudo, bem como as conclusões que podemos retirar dele, você confere aqui neste post. Metodologia do estudo O estudo de rastreio de COVID-19 nos profissionais de saúde foi do tipo corte transversal, realizado no hospital da Universidade de Wuhan, na China. O critério de inclusão foi simples: qualquer trabalhador do hospital que não apresentasse sintomas da COVID-19. Já o critério de exclusão foi infecção prévia pelo SARS-CoV-2. Os participantes do estudo passaram por três tipos de testes: Tomografia computadorizada de Tórax;Dosagem de anticorpos IgM/IgG contra SARS-CoV-2;Teste de RT-PCR para SARS-CoV-2 a partir de amostras de SWAB orofaríngeo. Os principais desfechos foram positividade nos testes de anticorpos e SWAB, e o desfecho secundário se deu por alterações encontradas na Tomografia de Tórax. A definição de assintomático se deu por positividade no teste de RT-PCR ou anticorpo IgM. Aqueles considerados assintomáticos foram re-examinados semanalmente durante 3 semanas. Os trabalhadores foram ainda classificados em 3 grupos diferentes: Profissionais da saúde, incluindo médicos e enfermeiros;Profissionais administrativos;Profissionais da equipe de suporte, incluindo farmacêuticos, assistentes técnicos, motoristas, equipe de

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3 min2 days ago

The Lancet e hidroxicloroquina: mudança após estudo polêmico

Após a polêmica que seguiu à publicação do estudo com hidroxicloroquina, a revista científica The Lancet divulgou mudanças na sua política editorial. Neste post vamos relembrar o ocorrido, bem como apontar as mudanças feitas pela revista. A publicação na revista The Lancet, uma das revistas científicas mais antigas e reconhecidas, publicou em Maio deste ano um estudo realizado com a controversa droga Hidroxicloroquina no tratamento da COVID-19. O estudo alegou ter analisado dados de aproximadamente 15.000 pacientes que haviam recebido a droga para tratamento da COVID-19, sozinha ou em combinação com antibióticos, comparando-os com 81.000 controles que não haviam recebido o tratamento em questão. Os dados haviam sido fornecidos pela companhia americana de análise de dados chamada Surgisphere, que coletava registros de hospitais ao redor do mundo em sua base de dados. Os resultados do estudo apontavam não só que o tratamento não era efetivo, mas aumentava mortalidade e complicações cardíacas, quando comparados com os pacientes sem o tratamento. Após a divulgação, a OMS chegou a suspender os ensaios clínicos em andamento com a Hidroxicloroquina. A polêmica seguinte à publicação Alguns dias após a publicação, começaram a surgir manifestações públicas que contestavam os dados apresentados. O Jornal The Guardian Australia apontou que os números de mortos e hospitalizados divulgados no estudo não eram compatíveis com os dados oficiais divulgados pelo governo. Dúvidas da própria existência do banco de dados da Surgisphere foram levantadas. Após as denúncias, foram apagados da internet as informações relativas à empresa Surgisphere, e seu fundador, Sapan Desai, também co-autor do estudo, não forneceu acesso aos dados que estavam sendo questionados.

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2 min3 days ago

Associação entre concentração de cortisol e mortalidade na COVID-19

Um estudo buscou o avaliar a relação entre a concentração de cortisol e taxa de mortalidade de pacientes internados por COVID-19. O estudo foi realizado no Reino Unido, e pretendemos discuti-lo no post de hoje. O papel do hormônio O cortisol é um hormônio que normalmente se eleva durante situações de estresse físico ou psicológico. Por exemplo, durante um procedimento cirúrgico, a ativação do eixo hipotálamo-hipófise leva à aumento da secreção dele. O hormônio Cortisol é considerado peça fundamental na resposta ao estresse, ocasionando mudanças adaptativas no metabolismo, na função cardiovascular e regulação do sistema imune. O cortisol na COVID-19 O efeito que a COVID-19 causa nos níveis do hormônio são desconhecidos. Mas, no passado, sugeriu-se que a SARS pudesse disparar resposta imunogênica contra o ACTH, hormônio responsável por induzir liberação do cortisol na glândula adrenal, devido a mimetismo. O mesmo mecanismo poderia ser atribuído ao SARS-CoV-2, o que na teoria poderia aumentar morbidade e mortalidade, pela indução de insuficiência do hormônio cortisol. Para compreender se o processo descrito se mostra verdadeiro na prática é que o presente estudo mencionado foi realizado. Como o estudo foi realizado Os pacientes foram inscritos na coorte a partir de três grandes centros hospitalares em Londres, Reino Unido. Inicialmente, o critério para inclusão se deu por suspeição de COVID-19. Os pacientes então passaram por exames laboratoriais, que incluiu medição de cortisol total sérico. A medida foi feita apenas na linha de base, dentro de até 48 horas após admissão hospitalar. Pacientes com condições que pudessem afetar os níveis séricos de Cortisol foram excluídos como,

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2 min4 days ago

Corticoide na COVID-19: estudo brasileiro não encontrou benefícios

O debate sobre o uso de corticoide na COVID-19 continua, desta vez, um estudo brasileiro encontrou que não houve redução de mortalidade com o uso do medicamento. O uso de corticoides foi bem visto pela comunidade científica desde a publicação de resultados preliminares do estudo RECOVERY, onde se demonstrou benefício da redução da mortalidade com uso de dexametasona durante 10 dias. O benefício foi visto principalmente para pacientes em ventilação mecânica. Estudo brasileiro com corticoide na COVID-19 Agora, pesquisadores brasileiros realizaram estudo randomizado, controlado e duplo cego, buscando avaliar a eficácia do uso de metilprednisolona (MP) durante 5 dias de tratamento. O estudo falhou em demonstrar benefício de mortalidade em pacientes hospitalizados com COVID-19. Um total de 416 pacientes foram inscritos no estudo brasileiro, e 393 completaram o follow-up. Os pacientes foram alocados no grupo MP (194 pacientes) ou no grupo placebo (199). Nenhum paciente recebeu Remdesivir, anti-IL-6 ou anti-IL-1. O desfecho analisado foi mortalidade no dia 28. No grupo MP, a mortalidade no dia 28 foi de 37,1%, já no grupo placebo foi de 38,2%. Não houve diferença, entre os grupos, na mortalidade nos dias 7 e 14, no clearence viralou necessidade de ventilação mecânica no 7° dia. A diferença de mortalidade foi significativamente diferente apenas no subgrupo de pacientes acima de 60 anos (46,6% versus 61,9%). Os pacientes tinham como comorbidades mais frequentes diabetes, hipertensão e uso abusivo de álcool. O estudo brasileiro difere do RECOVERY na metodologia Os achados do estudo contrastam com os do estudo RECOVERY. Mas há diferenças metodológicas marcantes entre eles e que precisam ser levadas em conta. Primeiro, o agente terapêutico estudado

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1 min5 days ago

Como a COVID-19 afeta o cérebro

Já está bem claro que a COVID-19 pode afetar o cérebro daqueles que contraem a doença. No entanto a ciência ainda busca elucidar os mecanismos pelos quais o sistema nervoso central torna-se alvo do vírus. Pretendemos trazer neste post uma breve discussão sobre o tema. O início dos relatos de sintomas neurológicos Assim que a pandemia pelo novo coronavírus começou, os médicos estavam lutando para manter os pacientes respirando, e o foco do tratamento esteve posto sobre tratar danos pulmonares e circulatórios. Mas logo as evidências começaram a chamar a atenção: sintomas neurológicos faziam parte da manifestação da COVID-19. Algumas pessoas estavam experimentando delirium, estavam desorientadas e agitadas. Em abril, um grupo de cientistas japoneses publicou relato de caso de inflamação e edema cerebral em paciente com COVID-19. Outro relato descreveu paciente com deterioração da bainha de mielina. A lista de sintomas neurológicos foi crescendo, e até o presente momento inclui AVC e até perda de memória. O que apontam os estudos Em junho, um estudo no Reino Unido buscou analisar dados clínicos de 125 pacientes que tiveram COVID-19 associado a sintomas neurológicos e/ou psiquiátricos. Destes, 62% apresentaram prejuízos no suprimento sanguíneo cerebral, relacionados à AVC’s. Já 31% apresentaram estado mental alterado, como confusão ou diminuição do nível de consciência, algumas vezes acompanhado por quadro de encefalite. Dez pessoas com estado mental alterado desenvolveram psicose. Importante notar que nem todos que apresentaram tais alterações estiveram sob cuidados intensivos. Outro estudo parecido, publicado também em Junho, compilou dados detalhados de 43 relatos de casos de complicações neurológicas associadas à COVID-19.

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4 min5 days ago

Qual a relação dos piores desfechos na Covid-19 com comorbidades e diferenças sociais?

É possível relacionar os piores desfechos na COVID-19 com comorbidades como obesidade e hipertensão e as diferenças sociais? Sabemos que a presença de tais fatores de risco (obesidade e hipertensão) aumentam a chance de desenvolver COVID-19 na sua forma grave, porém, este risco também se encontra aumentado em indivíduos pertencentes a classes sociais minoritárias e mais vulneráveis. Dessa forma, pretendemos abordar neste post alguns fatores que podem estar associados às tendências assimétricas em alguns grupos de pessoas. Obesidade e hipertensão: uma tendência crescente Dois estudos recentes, publicados no JAMA, mostram duas tendências crescentes na população americana: o aumento da prevalência da obesidade em crianças e adultos, e o aumento do descontrole, ou da falta de sucesso, em controlar a hipertensão, apesar de tratamento disponível. Essas duas prevalências permanecem assustadoramente altas e, apesar da tendência ser geral para toda população americana, há uma desproporcionalidade quando se observa dados entre grupos étnicos e raciais minoritários. Tanto a prevalência de obesidade, como o pior controle da hipertensão, são maiores em indivíduos adultos negros, quando comparados com adultos brancos. A confluência entre obesidade, hipertensão e diferenças sociais A confluência, ou a linha comum da qual falamos, entre as diferenças sociais e maior prevalência de obesidade e hipertensão, não tem como origem um único fator. Há uma complexa interação entre diversos fatores, incluindo determinantes sociais de saúde e consequências do racismo estrutural. As evidências são claras e apontam que a propensão em desenvolver obesidade é fortemente influenciada por fatores sociais e ambientais, nos quais crianças nascem, crescem e envelhecem. Os estudos indicam fatores como alimentação caracterizada por alta

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2 min8 days ago

Vacina russa para Covid-19: pesquisadores questionam resultados

Vários pesquisadores assinaram carta aberta alegando que os dados do estudo da vacina russa para covid-19, a Sputnik V, são questionáveis, além de serem insuficientes para permitir escrutínio por outros pesquisadores. A divulgação do estudo sobre a vacina russa O estudo consistiu em teste clínico de fase 1/2, que testou 2 vacinas de vetores virais, ligeiramente diferentes, em 76 voluntários. Os resultados apontavam que a vacina Sputnik V foi capaz de produzir resposta imune satisfatória, com efeitos colaterais leves e de curta duração. Logo após, no mês de Agosto, o Governo da Rússia aprovou a vacina para uso generalizado, afirmando que dentro de meses seria possível disponibiliza-la para o público geral. A rápida aprovação causou preocupação nos pesquisadores, já que são necessários testes de segurança e eficácia muito mais amplos para distribuição em massa. A carta aberta contra os resultados da Sputnik V divulgados Uma carta aberta, escrita por Enrico Bucci, foi publicada no seu blog científico. Ele afirma que assim que o estudo foi publicado, notou irregularidades nos resultados. Dados possivelmente duplicados chamaram sua atenção. Por exemplo, em uma das discrepâncias encontradas, o autor do estudo descreve medidas de anticorpos IgG e neutralizantes, onde vários voluntários apresentaram os mesmos níveis medidos, denunciando possível duplicação de dados. Bucci afirmou que as chances disto acontecer são extremamente pequenas. A carta conta com a assinatura de 38 cientistas de diversos países, que concordam com as observações feitas por Bucci. Eles afirmam que estas discrepâncias não podem ser consideradas de pequena importância. Os pesquisadores ainda relatam que não estão insinuando má conduta científica, mas solicitam

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2 min10 days ago

Reinfecção na COVID-19: primeiro caso confirmado

Uma das principais questões que permanecem sem resposta na pandemia que enfrentamos é se existe possibilidade de reinfecção na COVID-19. Apesar de sabermos que anticorpos neutralizantes se desenvolvem rapidamente naqueles que são infectados pelo SARS-CoV-2, estudos recentes mostraram que as titulações destes anticorpos começam a cair 1-2 meses após o episódio de infecção. Há diversos relatos de possíveis reinfecções mas, nestes, análises genômicas não foram realizadas, o que levantou controvérsias. Houve, de fato, reinfecção, ou o teste positivou devido persistência do vírus? Bom, um primeiro estudo, realizado na China, conseguiu comprovar a reinfecção de um paciente, por meio de análise genômica completa. E será esse o tópico de discussão do nosso post. Conhecendo a história do paciente reinfectado O paciente é um homem de 33 anos, residente em Hong Kong, e possui bom passado médico. Durante seu primeiro episódio de infecção, apresentou-se com tosse e expectoração, inflamação na garganta, febre e cefaleia durante 3 dias. Teve o diagnóstico de COVID-19 confirmado no dia 26 de Março, por meio de SWAB orofaríngeo positivo no teste RT-PCR para SARS-CoV-2. Foi hospitalizado no dia 29 de Março. Tendo sintomas aliviados, recebeu alta hospitalar no dia 14 de Abril, após dois testes de SWAB negativos consecutivos, com 24 horas de intervalo entre cada teste. No segundo episódio de infecção, o paciente estava completamente assintomático, mas precisou realizar o teste devido protocolo de entrada no aeroporto de Hong Kong, após voltar de uma viagem à Espanha, no dia 15 de Agosto. O segundo teste apresentou resultado positivo e o paciente foi internado, permanecendo assintomático durante todo período de hospitalização. Toda

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3 min15 days ago
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