Coronavírus

Coronavírus é encontrado em sêmen de infectados

Coronavírus é encontrado em sêmen de infectados

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Sanar Saúde

5 min há 513 dias

Um surto de pneumonia associada ao coronavírus ocorreu em Wuhan, na China, no mês de dezembro do ano passado. Em pouco tempo, a SARS-CoV-2 rapidamente se alastrou por diversas outras partes da China, até atingir todo o mundo.

Já estamos cansados de saber que a transmissão da COVID-19 se dá por meio de contato entre humanos, principalmente por gotículas oriundas do sistema respiratório e contato direto com secreções contaminadas.

O vírus responsável pela COVID-19 já foi detectado em fezes, no trato gastrointestinal, saliva e amostras de urina. Entretanto, ainda não há pesquisas suficientes sobre o SARS-CoV-2 em amostras de sêmen.

Um estudo de coorte foi realizado no Hospital Municipal Shangqiu na China. Neste estudo foram analisados pacientes do sexo masculino a partir de 15 anos que testaram positivamente para COVID-19 no período entre 26 de janeiro e 16 de fevereiro deste ano no hospital, que é o único voltado para o tratamento da doença na cidade no leste da província de Henan.

Seguindo as orientações da Organização Mundial da Saúde, a confirmação laboratorial da COVID-19 foi determinada pelo resultado positivo para SARS-CoV-2 por meio do exame RT-PCR. Foi solicitada aos pacientes uma amostra de sêmen para que o teste do vírus -também via RT-PCR- pudesse ser realizado.  

Realização de teste PCR para detecção de SARS-CoV-2
Imagem: © Shutterstock

Dentre 50 pacientes identificados, 12 não puderam fornecer a amostra solicitada por conta de problemas como disfunção erétil, por estarem em coma ou por terem falecido antes do período da realização do estudo. Dessa forma, o número total de pacientes que participaram do teste de sêmen foi de 38.

Destes 38 participantes que conseguiram fornecer a amostra, 23 deles (60,5%) chegaram à recuperação clínica e 15 (39,5%) estavam na fase aguda da infecção viral.

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Ao conseguirem o resultado foi possível observar que 6 pacientes (15,8%) apresentaram positividade no teste para SARS-CoV-2, sendo este número dividido em: 4 dos 15 pacientes (26,7%) que estavam na fase aguda da infecção e 2 de 23 pacientes (8,7%) que estavam em fase de recuperação.

Não houve nenhuma diferença significativa entre resultados positivos e negativos relacionada a fatores como idade, histórico de doença urogenital, dias desde o início da infecção, total de dias de hospitalização ou dias desde a recuperação clínica.

Conclui-se que, neste estudo de coorte, foi possível detectar o SARS-CoV-2 no sêmen de pacientes com a COVID-19, assim como pacientes em recuperação. Mesmo que o vírus não consiga se replicar no sistema reprodutivo masculino, ele pode permanecer no local.

Até o momento, os pesquisadores já descobriram 27 vírus associados à viremia no sêmen humano. Porém a presença do vírus no sêmen pode ser até mais comum do que se imagina, assim como os vírus tradicionais que não são transmitidos sexualmente também podem estar presentes nas secreções genitais.

Estudiosos afirmam que presença do vírus no sêmen pode ser até mais comum do que se imagina
Imagem: Getty Images

Este tipo de estudo sobre a detecção viral e a persistência do mesmo no sêmen são benéficos tanto para a prática clínica quanto para a saúde pública, especialmente quando se fala de um vírus que pode causar alta mortalidade ou morbidade, como o SARS-CoV-2.

O estudo realizado foi considerado limitado pelo número de pacientes testados ser pequena e pelo curto seguimento de tempo. Assim, serão necessários mais estudos na área com relação a informações mais detalhadas sobre a eliminação de vírus, o tempo de sobrevida dele no organismo e a concentração do mesmo no sêmen.

Se for possível provar que a SARS-CoV-2 pode acabar sendo transmitida sexualmente, a prevenção da transmissão da doença poderá abordar muito mais os meios preventivos para estes pacientes, como abstinência ou o uso de preservativos, visto que foi possível detectar o vírus no material de um paciente em recuperação e o mesmo mantém a probabilidade de infectar outras pessoas.

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