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Coronavírus: riscos aos pacientes com diabetes ou hipertensão | Colunistas

Coronavírus: riscos aos pacientes com diabetes ou hipertensão | Colunistas

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Clarissa Machado

8 minhá 402 dias

Breve resumo sobre o panorama do novo coronavírus

A pandemia que ainda está em curva ascendente do número de casos, na maioria dos países, assola e assusta a população global. O novo coronavírus se propaga de forma exponencial e o tempo é crucial para a descoberta de tratamento, a fim de deter a disseminação do vírus. Os casos de infectados confirmados ultrapassam a marca de 240 mil pessoas e, destes,  aproximadamente  84 mil indivíduos estão recuperados da doença devido haver resposta do sistema imunológico. O  número de fatalidades relacionadas à essa doença assusta, sendo próximo de 10 mil pessoas, desse modo, pesquisas com diversos medicamentos pré-existentes estão em testes.

Figura 1- número de casos de COVID-19 no mundo.

Fonte:https://gisanddata.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6.

Figura 2- evolução desde o caso 1 por COVID-19 em alguns países.

Seguimento nas pesquisas

Preocupados com o crescente número de mortes, pesquisadores tentam descobrir uma forma de deter a propagação do vírus, seja por vacinas (mais de onze estão sendo testadas) ou medicamentos já existentes (mais de 100 ensaios em andamento na China) para testes de medicações como: Hidroxicloroquina, Azitromicina, Oseltamivir e Favilavir, Anticorpos monoclonais, são algumas das medicações testadas.

Apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso desses medicamentos para o tratamento da COVID-19. Portanto, não há recomendação da Anvisa, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus; e a automedicação pode representar um grave risco à saúde de quem faz o uso de qualquer medicamento.

Perfil epidemiológico de mortes pelo novo Coronavírus

O perfil epidemiológico de mortes pelo novo coronavírus são de pessoas com hipertensão, diabetes, doenças pulmonares e cardíacas e idosos na maior parte dos casos. No mundo, há uma estimativa que do número de casos confirmados, 97% deles são pacientes assintomáticos, leves e moderados; 2,5% são casos graves ou severos e 0,4% são casos críticos. Já a taxa de letalidade foi de 2,3 a 3% na China, mas esse número pode ser maior em outros países que ainda estão em ascenção para o pico da doença.

Então pesquisadores e profissionais da saúde questionaram a fisiopatologia desse vírus frente às comorbidades mais prevalentes na população mundial.

Fisiopatogenia / alterações laboratoriais

Atualmente é sabido que o COVID-19 tem afinidade com a Enzima Conversora de Angiotensina (ECA) e, devido à maior expressão dessa enzima, nos pacientes de risco, eles são os indivíduos mais susceptíveis à contração da doença na forma grave (risco aumentado em dez vezes aproximadamente), em especial, nos pacientes tratados com medicações da classe dos Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA) – sendo o Captopril o mais conhecido deles, os antagonistas do receptor da angiotensina II (BRA) – sendo a Losartana o mais conhecido dos BRA – e, inclusive, as substâncias da classe das tiazolidinedionas (TZD’s) usadas por diabéticos.. Apesar desse fato, estudos mostram que esses pacientes não devem suspender a medicação devido ao novo vírus, pois seria um risco maior à saúde caso fizessem a retirada do fármaco.Essa enzima é encontrada no endotélio vascular de vários órgãos, fazendo com que o vírus ligue-se de forma rápida ao receptor da ECA, acometendo vários órgãos essenciais à vida humana. esses pacientes têm aumento da expressão dessa enzima (, por isso o risco desses indivíduos contraírem a doença na forma severa é maior que a população geral, podendo apresentar ao hemograma: leucopenia e linfopenia (este principalmente), plaquetopenia (civd), alterações das enzimas hepáticas, dos eletrólitos e da função renal, PCR e procalcitonina. Na biologia molecular, a realização do PCR para COVID-19: um teste negativo não exclui a possibilidade de positivar posteriormente.

Conhecendo mais sobre a hipertensão e diabetes nesse cenário

1.      HIPERTENSÃO ARTERIAL

A hipertensão arterial (HA) é um fator comum de contribuição para todas as principais doenças cardiovasculares, como: insuficiência cardíaca, doença coronariana, acidentes vasculares cerebrais, doença arterial periférica e doença renal. Os outros fatores de risco que podem estar associados à HA incluem: intolerância à glicose, obesidade, hipertrofia ventricular esquerda.

IECA são os medicamentos de primeira escolha nos portadores de hipertensão arterial sistêmica (HAS) associada à hiperinsulinemia, diabetes, HVE e doença coronariana. Eles são indicados em pacientes hipertensos diabéticos, devido aos efeitos benéficos na prevenção da glomeruloesclerose progressiva, e porque não alteram o metabolismo de carboidratos.

Os fármacos (IECA) realizam bloqueio reversível da enzima conversora de angiotensina, reduzindo a formação de AII (é um potente peptídeo vasoconstritor e estimulante da secreção adrenal de aldosterona).

O bloqueio da ECA promove, diretamente, um efeito de hipotensão causado pela inibição dos efeitos vasoconstritores e estimulantes da secreção de aldosterona e previnem doença isquêmica cardíaca, doença aterosclerótica, nefropatia diabética e hipertrofia ventricular esquerda indiretamente.

Atuam, inclusive, favoravelmente no perfil lipídico, sendo sugerido, inclusive, um efeito anti-aterogênico. Nas lesões ateroscleróticas humanas, há altos níveis de ECA, AII e AT1, o que poderia ocasionar efeito drástico em pacientes com o novo coronavírus. Além disso, os monócitos/macrófagos presentes nas lesões vasculares apresentam elevada atividade da ECA.

Estudos recentes têm demonstrado que a AII atua como potente agente pró-inflamatório capaz de induzir a adesão de monócitos e neutrófilos às células endoteliais e promover reação inflamatória na parede vascular pela ativação de múltiplos tipos celulares, sendo esse fator que agrava ainda mais o quadro de paciente hipertensos que contraem o COVID-19.

2.      DIABETES MELLITUS

É um quadro de hiperglicemia crônica, acompanhado de distúrbios no metabolismo de carboidratos, de proteínas e de gorduras, caracterizado por hiperglicemia que resulta de uma deficiente secreção de insulina pelas células beta, resistência periférica à ação da insulina ou ambas, cujos efeitos crônicos incluem dano ou falência de órgãos, especialmente nos sistemas: renal, nervoso, cardíaco e venoso.

Diante disso, a HA é cerca de duas vezes mais frequente entre os pacientes diabéticos quando comparados à população geral, acarretando um aumento da expressão de ECA, auxiliando a disseminação do novo coronavírus.

  • No diabetes tipo 1, a hipertensão se associa à nefropatia diabética e o controle da pressão arterial é crucial para retardar a perda de função renal.
  • No diabetes tipo 2, a hipertensão se associa à síndrome metabólica, à insulina e ao alto risco cardiovascular. O tratamento não-farmacológico (atividade física regular e dieta apropriada) torna-se obrigatório para reduzir a resistência à insulina. O controle do nível glicêmico contribui para a redução do nível de pressão.
  • Estudos em diabéticos hipertensos ressaltam a importância da redução da pressão arterial sobre a morbimortalidade cardiovascular e as complicações microvasculares relacionadas ao diabetes.
  • Há evidências de que betabloqueadores em hipertensos aumentam o risco de desenvolvimento de diabete.
  • A presença de diabetes mellitus não exclui o diagnóstico de síndrome metabólica (Quadro 1).

Diante desses fatos, os medicamentos IECA têm indicação formal para os hipertensos portadores de diabetes, pelo fato de provocar queda da pressão intraglomerular, tão danosa para a função renal e evitar perda de albumina pela urina (albuminúria). Assim como são benéficos para o obeso, pois aumentam a sensibilidade à insulina e os bloqueadores dos canais de cálcio demonstram neutralidade sobre os metabolismos lipídico e glicídico.

Então, esses pacientes, possuem risco aumentado ao novo coronavírus, pois tem maior expressão da ECA e pelos distúrbios metabólicos da doença de base.

Autora: Clarissa Machado, Estudante de Medicina

Instagram: @clarissa.mgm

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