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COVID-19 e a reabertura das escolas | Colunistas

COVID-19 e a reabertura das escolas | Colunistas

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Pela imensa rapidez de disseminação do novo coronavírus (SARS-COV-2), gerou um aumento dos casos de COVID – 19 de forma mundial, sendo então classificada como pandemia em Março de 2020. Dentre as medidas então implantadas, foram fechamento de instituições de ensino e isolamento social as de maiores impactos para as crianças.

O isolamento social nessa faixa etária teve como base a análise de evidências científicas da transmissão da influenza em ambiente escolar, sendo, portanto, um risco a posterior interação entre crianças e seus familiares.

Apesar disso, foi-se percebido que as crianças eram acometidas pelo SARS-COV-2 com menor frequência que indivíduos adultos, assim como quando acometidas terem menor gravidade.

Reflexo do fechamento das instituições de ensino no contexto social

A educação é sempre um dos primeiros setores a serem impactados em momentos de crises, principalmente quando se trata de pandemias, epidemias ou surtos de grande intensidade e abrangência.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os efeitos indiretos da COVID-19 na criança e no adolescente podem ser maiores que o número de mortes causadas pelo vírus de forma direta. De forma indireta, a COVID-19 influenciou na esfera educacional das crianças, não apenas em desenvolvimento como também em socialização.

De acordo com JUNIOR, 2020, os reflexos são maiores nas regiões que os aspectos socioeconômicos são mais vulneráveis, extrapolando assim as desigualdades existentes dentro dos muros da escola, e ocasionando situações como:

1. Interrupção do aprendizado;

2. Alimentação escolar;

3. Adaptação dos professores a nova realidade tecnológica;

4. Pais sem preparação para as atividades em ensino remoto e em casa;

5. Desafio nas melhorias e manutenção do ensino remoto;

6. Lacunas de assistência as crianças;

7. Aumento na taxa de evasão escolar;

8. Isolamento social das crianças;

9. Desafios para validar e medir o aprendizado.

A escola é o principal espaço de promoção de aprendizagem durante a vida. Com o fechamento maciço das mesmas pela pandemia, crianças e jovens tem seu desenvolvimento prejudicado e a população em condição mais vulnerável é a maior afetada. De acordo com dados do INEP, 96,6% dos alunos de rede estadual terminaram o 2021 com desempenho abaixo do adequado em matemática.

Efeitos da reabertura das Escolas

A principal preocupação com o retorno as atividades escolares é do risco de transmissão para os familiares dos alunos, principalmente aos idosos ou aos que apresentem maiores fatores de risco.

Durante a pandemia, foram realizados testes em crianças para avaliar a transmissibilidade, a qual se demonstrou menor do que em adultos, visto que não estão em interação com outras crianças, no entanto, pode-se avaliar que a transmissibilidade em crianças estaria relacionada a transmissão em seu próprio meio familiar. Sendo assim, as evidências não relacionam o retorno as aulas como um potencial elevação dos números de infectados, pois as crianças apresentam menor risco de transmissão.

Assim, as evidências atuais sugerem que o risco de contaminação dentro do ambiente escolar não supera o risco social ao qual essas crianças estão expostas, assim como a abertura das escolas não está relacionada à novo desenvolvimento de outra pandemia.

No entanto, é importante reforçar que o retorno as atividades escolares não devem ser visto como um retorno ao que era em 2019, e sim como uma readaptação segura. Portanto, as instituições deverão seguir protocolos para retorno de atividades presenciais elaborado pelo Ministério da Educação orientando o uso de EPI conforme o risco de exposição regional.

Em conclusão, a reabertura das escolas deve ser prioridade nas estratégias de controle da pandemia por Sars-cov-2. Ademais, o fechamento prolongado das escolas pode causar grandes e negativos efeitos na população, a evidência sugere, portanto, que sua reabertura deve ser uma prioridade dentro da estratégia de controle  da  COVID – 19. Além disso, medidas  de  distanciamento  físico,  melhora  da ventilação  e  utilização  preferencial  de  espaços  externos,  higienização  das  mãos  e  dos ambientes,  e equipamentos  de  proteção individual, precisam ser suficientes para um controle de transmissão dentro das mesmas.

Referências:

JUNIOR, João Ferreira Sobrinho; MORAES, Cristina de Cássia Pereira. A COVID-19 e os reflexos sociais do fechamento das escolas. Dialogia, n. 36, p. 128-148, 2020.

NEHAB, Marcio Fernandes. Covid-19 e saúde da criança e do adolescente. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2020.

BITTENCOURT, Marcio Sommer et al. COVID-19 ea reabertura das escolas: uma revisão sistemática dos riscos de saúde e uma análise dos custos educacionais e econômicos. BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, 2021.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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