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Covid-19 e suas mutações: variante Mu | Colunistas

Covid-19 e suas mutações: variante Mu | Colunistas

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Priscila Araújo

6 min há 7 dias

No presente texto, serão abordados os aspectos relacionados a mutações do Covid-19, especificamente sua mutação que deu origem a variante Mu. Essa foi identificada primordialmente na Colômbia, em Janeiro de 2021, denominada de B1621, sendo classificada como variante de interessa pela Organização Mundial de Saúde (OMS), visto que, apesar de ainda representar uma baixa porcentagem de casos quando se analisa a situação global, ela possui um conjunto de mutações que podem indicar um potencial risco à saúde mundial, já que demonstram uma probabilidade de escape imunológico, o qual se caracteriza pela capacidade de escapar da proteção alcançada com as vacinas. Além disso, será explicado como ocorrem os processos de mutações do vírus, em especial o Sars-Cov-2 e suas consequências a saúde pública.

Mutações da Covid-19

Na atual situação de pandemia, pode-se observar várias notícias a respeito de diversas variantes do novo coronavírus, mas por que isso ocorre? 

Primeiramente, é importante ressaltar que quando um vírus se encontra circulando de maneira massiva em uma população, as chances desse sofrer processos de mutação são elevadas, alterando sua facilidade de transmissão, sua capacidade de gerar problemas graves, entre outras alterações. 

Assim, entende-se por mutação viral, processos de alteração na sequência de DNA ou RNA, que ocorrem durante o processo de replicação dos vírus, se caracterizando como benéfica, maléfica ou neutra, dessa forma, quanto mais o vírus consegue se replicar, maior a probabilidade do surgimento de mutações e, assim, de novas cepas virias. A cepa viral ocorre quando um agrupamento viral, em razão de mutações, desenvolve uma capacidade de se multiplicar, de transmissão, de gerar sintomatologia e de estimular uma resposta do organismo.

Ademais, as mutações também podem dar origens as variantes, as quais se caracterizam por serem sequências genéticas virais que vão se diferenciar por uma ou mais mutações, fazendo com que o vírus continue sendo o mesmo, mas com “versões alternativas”. A primeira variante do coronavírus, foi a D614G, identificada no início de 2020, após isso diversas variantes e cepas foram identificadas, entre elas a variante Mu. 

A variante Mu

Como já citada anteriormente, a variante Mu (B.1.621) surgiu pela primeira vez na Colômbia e, atualmente, estima-se que essa já circule em cerca de 40 países, entre eles, Estados Unidos, Chile, Equador e Brasil, no qual foi identificada primeiramente nos Estados do Amazonas e de Minas Gerais, fato que gerou um alerta de possibilidade de uma transmissão coletiva. Isso ocorre por sua classificação como variante de interesse, já que essa possui mutações denominadas E484K, K417N e a P681H, esse última sendo semelhante a que se observa na variante britânica Alpha, assim, todas essas podem facilitar o escape dessa variante dos anticorpos específicos presentes no organismo.

Sobre o escape imunológico já destacado acima, ele pode ser caracterizado como uma capacidade da variante de escapar da proteção imunológica tanto inata quando adquirida, como no caso da vacinação. Isso não significa que as vacinas não são eficientes para essa variação do coronavírus, apenas existe uma certa probabilidade de que essa variante consiga “driblar” a imunização, ainda assim, as vacinas são muito eficazes contra variantes desse tipo.

Segundo o Dr. Schaffner, professor de doenças infecciosas no Vanderbilt University Medical Center, a variante Mu não parece ser um grande problema, sob a ótica da capacidade de contágio, assim como não demonstra ser uma forma de agravamento da doença, segundo os dados que já tem conhecimento no momento.

Epidemiologia na América do Sul e no mundo.

A epidemiologia da variante Mu na América do Sul está sendo monitorada pela ONU, de modo que até 29 de agosto, pouco mais de 4.500 sequências de genomas foram identificadas como Mu, 3.794 delas sendo B.1.621 e 856 B. 1.621.1, sendo que, desse total, 2.065 casos já foram identificados no EUA, 852 na Colômbia, 473 na Espanha e 852 no México. Já ao redor do mundo sua prevalência se apresenta em 0,1% até 11 de Setembro de 2021, representando 39 % na Colômbia e 13 % no Equador.

No Brasil, como já falado anteriormente, alguns casos já foram identificados como em Minas Gerais, onde 3 dos 5 casos confirmados são pessoas que foram infectadas em Virginópolis e Guanhães, dessa forma, ainda não é possível informar se os casos foram importados ou se já existe uma transmissão comunitária nesse Estado.

Assim, embora não tenha uma prevalência de casos relacionados a essa variante, é de crucial importância que os órgãos responsáveis continuem o monitoramento dessa para que situações mais graves possam ser evitadas.

As consequências da variante e a importância da vacinação 

O surgimento constante de novas variantes demonstra que o isolamento social e a imunização em massa são aspectos muito importantes para se evitar as mutações virais, afim de reduzir o surgimento de variações genéticas que possam gerar como consequência vírus mais fortes tanto no organismo humano quanto no escape imunológico, ocasionando mais uma onda de infectados, hospitais lotados e sofrimento de diversas famílias. Assim, sabendo que as variantes surgem à medida que novas pessoas se contaminam, fazendo com que o vírus consiga se multiplicar cada vez mais, aumentando a probabilidade de surgimento de novas mutações, pode-se entender que quando mais pessoas estiverem vacinadas devidamente, menos casos serão identificados, reduzindo consideravelmente a possibilidade de mutações do Sars-Cov-2. Dessa forma, com uma imunização massiva, a esperança de dias normais fica cada vez mais real.

Priscila Maria 

Instagram: priscila_mariap

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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REFERÊNCIAS 

FIO CRUZ https://agencia.fiocruz.br/o-que-sao-mutacoes-linhagens-cepas-e-variantes

SAÚDE ABRIL – https://saude.abril.com.br/blog/virosfera/as-variantes-do-coronavirus-qual-e-o-tamanho-do-problema/

NSCTOTAL – https://www.nsctotal.com.br/noticias/variante-mu-tudo-o-que-se-sabe-sobre-a-nova-cepa-da-covid-19# 

UOL – https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/bbc/2021/09/07/variante-mu-o-que-se-sabe-sobre-linhagem-do-coronavirus-prevalente-na-colombia.htm

NAÇÕES UNIDAS BRASIL – https://brasil.un.org/index.php/pt-br/142857-oms-monitora-nova-variante-do-coronavirus-mu

ANAD – https://www.anad.org.br/mu-a-nova-variante-sars-cov-2-o-que-sabemos-ate-agora/ 

TUA SAÚDE – https://www.tuasaude.com/variantes-covid/

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