Coronavírus

Covid-19 na população pediátrica | Ligas

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ABLAM

12 minhá 80 dias

PERÍODO DE INCUBAÇÃO DO VÍRUS

O período de incubação estimado do novo coronavírus, COVID-19, é de aproximadamente 5 dias (IC95% de 4,1-7,0 dias), apesar de termos descrições de casos com até 2 semanas (14 dias) desde a infecção até o início dos sintomas. (AURÉLIO et al., 2020)

PORCENTAGEM DE CASOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES AFETADAS PELO COVID-19

Estudos realizados nos Estados Unidos no período de 12 de fevereiro de 2020 a 2 de abril de 2020 indicam que em 149.760 casos confirmados de Covid-19, 2.572 ocorreram em crianças com idade de 0 a 18 anos, o que representa, até o momento do estudo, um total de 1,7% dos casos registrados no país. Ainda não há estudos que comprovem o porquê do vírus infectar menos as crianças, mas acredita-se que seja devido a menor expressão dos receptores de angiotensina-2, os quais são utilizados como receptores virais nos pneumócitos. (BIALEK et al., 2020)

Confira a aula completa:

TAXA DE MORTALIDADE EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES AFETADOS

Devido à baixa infecção de crianças e adolescentes, essas faixas etárias apresentam taxa de mortalidade baixa quando comparadas a outras faixas etárias e grupos de risco.

Segundo esses dados atualizados apresentados na tabela acima, no Brasil, a faixa etária de 0-5 anos não apresentou nenhum registro de óbito por Covid-19 enquanto que na faixa etária de 6-19 anos houve registro de um óbito.

PODER 360. Covid-19: death toll by age groups in Brazil, Italy, Spain and the US. Disponível em: https://www.poder360.com.br/coronavirus/covid-19- death-toll-by-age-groups-in-brazil-italy-spain-the-us/. Acesso em: 14 abr. 2020.

RISCOS DE COVID-19 PARA CRIANÇAS COM CARDIOPATIA

Até o momento não há dados referentes à incidência de COVID-19 especificamente em crianças com cardiopatia congênita. Por isso, utilizam-se medidas de precaução com o conhecimento adquirido com outras doenças virais do trato respiratório, como a Influenza. (BRASILEIRA et al., 2020)

É importante salientar a existência de dois grupos de cardiopatias:

  • Cardiopatias congênitas ou adquiridas sem repercussão hemodinâmica e cardiopatias que foram corrigidas por cirurgia ou cateterismo intervencionista e que estejam clinicamente bem e sem sinais de insuficiência cardíaca. Para este grupo, o risco é semelhante ao da população pediátrica geral e a evolução da doença provavelmente será benigna na maioria dos casos.
  • Cardiopatias congênitas ou adquiridas que apresentem repercussão hemodinâmica significativa (insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar ou hipoxemia) e cardiopatias que já foram submetidas à correção cirúrgica, porém mantêm sinais de insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar, cianose ou hipoxemia. Crianças deste grupo apresentam risco para COVID-19, pois poderão ter agravamento das condições ventilatórias de forma mais precoce e intensa diante desta infecção.

Em casos em que há a necessidade de cirurgia e em que o seu adiamento leve a uma piora do quadro clínico geral, o ideal é que seja realizada conforme fora marcada. Para os pacientes que não tem risco de piora no quadro clínico, a realização de cirurgias cardíacas, de cateterismos, de exames e de consultas cardiológicas devem ser evitados na medida do possível neste momento de pandemia.

Para a retirada de receitas, o responsável ou alguém intitulado por ele pode fazê-lo, evitando a exposição da criança. Já para consultas, tem-se a possibilidade da realização de consultas por meio da telemedicina.

Quanto ao uso de medicamentos, tendo como base estudos realizados em adultos, deve-se ter cautela no uso de ibuprofeno e corticoesteroides. Além disso, a imunização de crianças cardiopatas deve ter continuidade.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS EM CRIANÇAS

Os sintomas mais comuns em crianças são de uma síndrome gripal, como a tosse, febre, congestão nasal, coriza e dor de garganta. Entretanto, pode ocorrer um aumento na frequência respiratória, presença de sibilos e pneumonia. (NAYARA, 2019)

Os sinais e sintomas de alerta são: inapetência para amamentação ou ingestão de algum líquido, piora nas condições clínicas de doenças de base, alteração do estado mental, confusão, letargia e convulsão. (SAÚDE, 2020)

(JUNIOR et al., 2021)

Entretanto, é importante lembrar que as crianças podem ser assintomáticas e, por isso, apresentam um risco grande de contaminar idosos ou pessoas de risco.

POSSÍVEIS FONTES DE INFECÇÃO PARA A CRIANÇA

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a maioria dos relatos de crianças infectadas pelo SARS-CoV-2 demonstra um contato familiar com diagnóstico comprovado da infecção. Entre as infectadas na China, em 82% dos casos foi comprovado este contato domiciliar. Destacam-se também o risco de infecção em playground de prédios e condomínios, creches, escolas, hospitais e unidades básicas de saúde pela exposição ampla a maior concentração de pessoas e superfícies possivelmente contaminadas. (NAYARA, 2019)

Prevenção da infecção por COVID-19 na criança

Este é um bom momento para ensinar as crianças a fazerem as mesmas coisas que todos devem fazer para prevenir a infecção por COVID-19:

→ Higienizar as mãos com frequência usando água e sabão em quantidade suficiente e de maneira adequada (40 a 60 segundos, entre os dedos, palma e dorso das mãos, esfregar as unhas, estendendo a lavação até os punhos) ou, caso não seja possível lavar as mãos em algumas situações, utilizar preparações alcoólicas a 70%; (FALTA et al., 2020)

→ Limpar e desinfetar diariamente as superfícies de toque frequente nas áreas comuns da casa (mesas, cadeiras de encosto alto, maçanetas, interruptores de luz, controles remotos, banheiros, pias, etc.). Para desinfetar as superfícies, usar saneantes domésticos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

→ Limpar e desinfetar com frequência as telas, em especial de telefones celulares, tablets e computadores com fricção de pano úmido com solução alcoólica 70%;

→ Lavar objetos e brinquedos, incluindo os de pelúcia laváveis;

→ Evitar contato com pessoas doentes, que estejam com algum sintoma como tosse, espirros ou febre;

→ Manter distância de 1,5m a 2,0m de outras pessoas;

→ Permanecer em casa o máximo possível, evitando locais públicos onde é provável o contato próximo;

→ Manter os ambientes bem ventilados com janelas abertas;

→ Ensinar as crianças a tossirem e espirrarem em um lenço de papel, o qual deve ser jogado fora após cada uso e as mãos lavadas de maneira adequada;

→ Caso na hora da tosse ou espirro não tiver disponível um lenço de papel, tossir e espirrar no braço ou cotovelo, não nas mãos;

→ Orientar as crianças a evitarem tocar o rosto;

→ Evitar viagens.

De modo geral, a prevenção do SARS-CoV-2 em crianças segue as mesmas orientações para adultos, no entanto, há uma barreira de entendimento e da maturidade mental, que diz respeito à capacidade de se adaptar ao ambiente de acordo com o que é demandado, usando as ferramentas cognitivas, físicas e sociais esperadas para aquela faixa etária. (“O que é Maturidade Mental?”, 2020)

Orientações para crianças e adolescentes sobre a pandemia – O que abordar e como fazê-lo

As orientações às crianças e aos adolescentes, segundo o Governo Federal, devem ser embasadas em informações confiáveis obtidas pelos seus pais ou e/ou responsáveis, sendo necessária a preparação prévia para supostos questionamentos e para desmentir falsos boatos.

Algumas dicas para abordar a questão com as crianças são:

→ Antes de conversar com a criança sobre a Pandemia, pergunte sobre o que ela já sabe a respeito. É provável que ela já tenha ouvido sobre o assunto e isso definirá o rumo da conversa;

→ Não informe sobre mortes, pois isso poderá criar ansiedade desnecessária;

→ A UNICEF sugere que os pais relatem à criança as informações do Coronavírus explicando que ainda não existe vacina e que, por isso, os hábitos higiênicos são necessários;

→ Explicar que o isolamento social se deve à uma crise relacionada a saúde que está ocorrendo no mundo todo e que ele é uma das melhores formas de prevenir a propagação do vírus;

→ Estimular comportamentos alimentares saudáveis e uma boa ingesta hídrica;

→ Explicar que as crianças podem transmitir o vírus para outras pessoas, mesmo sem a manifestação dos sintomas da doença;

→ Relatar quais são os principais sintomas da doença para que eles fiquem atentos aos sinais que o corpo dá;

→ Explicar que a ida aos locais públicos dissemina o vírus de forma muito rápida;

→ Reforçar a importância do isolamento social e do distanciamento de pessoas idosas;

→ Explicar que os idosos são os mais acometidos e os que mais sofrem com o vírus, frisar que as crianças precisam ficar afastadas de seus avós;

→ Colocar em locais de fácil visualização orientações para proteção para o COVID-19 e orientações sobre higiene das mãos;

→ Escutar atenciosamente o que a criança tem a dizer, acalmá-la se estiver em pânico e esclarecer as possíveis dúvidas;

→ No período do isolamento social, criar uma rotina com a criança para ela entender que esse momento em casa é necessário e que não é um período de férias;

→ Realizar as atividades que as escolas mandam para casa;

→ Orientá-los a manter a casa organizada;

→ Realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente.

→ Tentar mostrar o livrinho “A história da ostra e da borboleta: o coronavírus e eu” de autoria de Ana Gomez, o qual faz uma analogia entre as ostras, as borboletas e as crianças em tempos de coronavírus. O livro incentiva a criança, de forma atrativa e descontraída, a registrar seus sentimentos e seus pensamentos. Além disso, incentiva a ouvir o que o corpo está dizendo e dá dicas de como lidar com toda essa situação.

→Lembrar sempre que é um tempo importante para que pais e filhos fiquem mais unidos e possam criar vínculos de amor ainda maiores.

A seguir, tem-se algumas dicas para a higienização das mãos de acordo com as fases da criança: (“Higiene infantil: hora de lavar as mãos”, 2020)

→ Lactente (0-2 anos): o cuidador que deve prover a higienização das mãos de tempo em tempo ou sempre que estiver com sujidade aparente. Além disso, a limpeza das superfícies e dos brinquedos devem ser rigorosas, visto que é uma fase que, por meio do tato, as crianças descobrem o mundo.

→ Pré-escola (2-4 anos): aprende-se a lavar as mãos através da imitação. Então, para que elas adquiram o hábito, é pertinente que os pais ou responsáveis mostrem como devem fazer. A recomendação é de uma lavagem de, no mínimo, 20 segundos. Assim, para se ter uma prática adequada, os pais podem utilizar a música “Parabéns a você” como referência, pois tem o tempo necessário para uma lavagem. (REVERB, 2020)

→ Escola (5-10 anos): nessa idade o questionamento surge. Então, as didáticas da importância da higienização das mãos são as mais efetivas. Como por exemplo a experiência realizada com um prato de água e pimenta desenvolvida pela professora Amanda Lorenzo: o “truque” consiste em pedir para a criança colocar o dedo em um prato ou tigela com água e grãos de pimenta-do-reino e, em seguida, pedir para que ela tente fazer o mesmo com o dedo embebido em sabonete líquido. (LORENZO, 2020)

→ Adolescente (11-19 anos): com os adolescentes, é sugerida uma conversa com liberdade de opinião, sempre frisando a importância do hábito de higienização. (“Higiene infantil: hora de lavar as mãos”, 2020)

Por fim, as orientações tem papel fundamental no entendimento da criança e do adolescente, pois quando eles entendem a situação de pandemia pela qual estamos passando, eles despertam o desejo de ajudar e melhorar o ambiente familiar durante o período de isolamento social.

Autores: membros da Liga Acadêmica de Pediatria da UNINOVE Osasco; Alessandra Vaz Fernandes Fiuza Teles, Aline Cristina Poyato, Ana Luísa Godinho Resende, Bruna Elisa Lasch, Camila Medeiros Gomes, Caroline Georgeto de Souza, Caterine da Silva Santos, Gabriele Caroline Florentino, Hellen Cristina Cinésio, Jefferson Roberto Diniz Lopes, Lara Bellini Franco, Leandra de Lima Rosa, Stefanie Sara Schultz

Orientadora: Dra. Anna Beatriz Willemes Batalha Instagram: @liped.osasco

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