Coronavírus

Covid-19 no Brasil: Características epidemiológicas e clínicas

Covid-19 no Brasil: Características epidemiológicas e clínicas

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Um grupo de pesquisadores publicou um estudo na revista científica Nature Human Behavior destacando as características epidemiológicas e clínicas da covid-19 no Brasil. 

Entre os resultados observados estão a chegada da Covid-19 nas cinco regiões do país, uma associação positiva entre maior renda per capita e mais diagnósticos da doença e, ainda, os casos de infecção respiratória aguda grave de etiologia desconhecida foram associados a uma renda per capita mais baixa.

Os pesquisadores ainda destacaram a presença de uma co-circulação de seis vírus respiratórios, mas em níveis considerados baixos. E revelaram que as descobertas fornecem uma descrição abrangente da epidemia que pode ajudar a orientar medidas subsequentes para controlar a transmissão do vírus.

Reprodução do vírus no Brasil

O pesquisadores analisaram 514.200 casos do novo Coronavírus no site do Portal do COVID-19 (bancos de dados SIVEP-Gripe e e-SUS-VE combinados) que foram confirmados por diagnóstico molecular e critérios clínicos epidemiológicos até 31 de maio.

Os casos foram notificados em 75,3% dos municípios das cinco regiões do Brasil e incluíram 206.555 (40,2%) pacientes recuperados e 29.314 casos fatais (17,5%) da doença. 

Após serem excluídos os pacientes que viajaram para vários países de origem desconhecida antes de entrar no Brasil, as nações autorreferidas de infecção para casos adquiridos no exterior até o dia 19 de março foram os Estados Unidos (28,6%), Itália (24,4%), o Reino Unido (10,5%) e Espanha (8,3%). 

Em escala nacional, o número de reprodução estimado da Covid-19 para o Brasil foi ligeiramente superior aos valores estimados para outros países gravemente afetados, como Espanha, França, Reino Unido e Itália. 

Diferenças socioeconômicas associadas ao diagnóstico da Covid-19

Os pesquisadores também descobriram com o estudo que a distribuição de renda dos indivíduos com Covid-19 confirmada por critérios laboratoriais e clínicos era inicialmente maior do que a de todos os residentes da região metropolitana de São Paulo e diminuía ao longo do tempo para níveis semelhantes na semana epidemiológica.

Com base em evidências estatísticas de uma associação entre o diagnóstico confirmado da doença e a renda per capita, chegaram a conclusão que existe sim uma diferença socioeconômica no acesso ao diagnóstico de Covid-19. 

Características de casos mais graves da doença

Entre os pacientes hospitalizados e casos mais graves da doença estão os indivíduos de meia ou mais idade. A média de idade dos pacientes foi de 59 anos e a maioria era do sexo masculino.

Da mesma forma, 59% das mortes de Covid-19 analisadas pelo estudo ocorreram em homens e 85% em pessoas com idade igual ou superior a 50 anos.

Entre os pacientes internados em UTI, o tempo médio de permanência foi de cinco dias. A maioria dos sintomas relatados foram tosse (85,2%), febre (79,6%) e dispneia (76,6%). 

Entre as comorbidades pré-existentes mais prevalentes nos pacientes foram doenças cardiovasculares 66,5% e diabetes 54,5%. As faixas etárias mais velhas, como esperado, obtiveram uma proporção maior de comorbidades do que as faixas etárias mais jovens em desfechos diferentes. 

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