Coronavírus

Covid longo parece não poupar crianças, apontam estudos

Covid longo parece não poupar crianças, apontam estudos

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Sanar Medicina

4 min há 13 dias

A síndrome do Covid longo é uma condição já reconhecida nos adultos. Apesar da população pediátrica ter sido poupada, na sua maioria, de complicações graves relacionadas à infecção pelo novo coronavírus, estudos apontam que talvez as crianças não estão sendo poupadas da síndrome do Covid longo. Confira mais detalhes no post de hoje.

A síndrome do Covid longo em adultos

A condição denominada de Covid longa compreende a persistência de sintomas da COVID-19 por meses, ou até anos, ainda não se sabe exatamente a duração. 

Apesar de descrita inicialmente na população de adultos, algumas pesquisas já vem mostrando a presença da condição nas crianças. 

Estudos mostram presença da síndrome em crianças

O pesquisador Danilo Buonsenso, do Hospital Universitário Gemelli, em Roma, foi responsável pelo primeiro estudo com objetivo de averiguar a extensão do problema.

No seu estudo, 129 crianças entre 6 e 16 anos com diagnóstico passado de COVID-19 foram entrevistadas. 

No resultado divulgado previamente em Janeiro, os números assustaram: mais que um terço das crianças permaneciam com pelo menos um sintoma. 

Dentre os sintomas relatados estavam aqueles comuns à síndrome nos adultos: insônia, fadiga, mialgia e resfriado comum.  

Dados do Reino Unido e Rússia corroboram achados

Dados divulgados pelas estatísticas nacionais do Reino Unido corroboram os achados: 9,8% das crianças entre 2 a 11 anos, e 13% das crianças entre 12 a 16 anos possuíam pelo menos um sintoma persistente, após 5 semanas de recuperação. 

Já em um estudo da Rússia, cinco meses após a alta hospitalar, cerca de ¼ das crianças permaneciam com sintomas. 

Confirmação se faz necessária, há fatores confundidores

Apesar dos números gerarem certo alarme, os dados ainda precisarão passar por confirmação. Isto porque alguns fatores podem estar agindo como confundidores.

Por exemplo, os sintomas presentes atribuídos à Covid longa podem ser causados por fatores próprios da situação de pandemia: fechamento de escolas, isolamento social e presenciar morte de entes queridos. 

É por isso que estudam que comparam os achados em grupos de controle ainda se faz necessário, para que os fatores confundidores sejam tirados da jogada.

Estes estudos já estão em andamento e alguns resultados ajudam a compreender melhor a situação.

Resultados parciais mostram que números podem ser menores 

Em estudos publicados em formato preprint, os resultados apontam que, apesar de ser presente em crianças, a síndrome do Covid longo pode ser menor que 10%. 

Em um destes trabalhos, a taxa foi de 4,6% de sintomas persistentes após 4 semanas da infecção.

Outro estudo no Reino Unido encontrou taxa semelhante , com 4,4% de crianças apresentando sintomas como cefaleia, fadiga e perda de olfato persistente. 

Dimensionamento do problema se faz urgente

Os números apresentados são provenientes de estudos com baixo número amostral. O correto dimensionamento do problema se faz urgente pois as consequências no longo prazo podem ser muito prejudiciais para as crianças.

Identificar o tamanho do problema, e quais crianças estão sob maior risco, deverá ser o foco das próximas pesquisas. 

Até o momento, a incerteza permanece, pois o foco da atenção estava ainda voltado para as complicações agudas da doença. 

Mas os dados aqui divulgados chamam a atenção e nos faz ficar atentos às próximas descobertas relacionadas ao tema. 

Referências

Long COVID and kids: scientists race to find answers – Nature

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