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Cuidados paliativos no paciente oncológico | Colunistas

Cuidados paliativos no paciente oncológico | Colunistas

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O que são os cuidados paliativos?

O conceito de cuidados paliativos foi definido em 1990 pela OMS como sendo a prática médica de assistência integral a pacientes terminais oncológicos, visando os cuidados integrais no final da vida desses pacientes. Nessa década, o conceito de cuidados paliativos ainda era somente aplicado a pacientes oncológicos. Porém, em 2002, o conceito foi ampliado e aplicado também a outras doenças, tais como as cardíacas, renais, neurológicas, doenças degenerativas e outras que condicionam os pacientes a um prognóstico sem cura. Entretanto, foi em 2007 que a OMS publicou o atual conceito de cuidados paliativos, que se define pela abordagem através de uma equipe multidisciplinar de saúde para fins de melhoria na qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam uma doença ameaçadora da vida, atuando através do alívio do sofrimento, identificação precoce e tratamento da dor e de outros eventuais problemas físicos, psicossociais e espirituais. 

Na prática, o especialista médico em cuidados paliativos atua através de alguns princípios básicos; dentre eles, o de que a morte deve ser compreendida como um processo natural do ser humano. Além disso, o paciente que vive esse processo de terminalidade deve ter o máximo de qualidade de vida possível, e isso se estende também aos seus familiares. E, ainda, a assistência multidisciplinar de saúde não acaba com o falecimento do paciente, esta deve se manter durante o período de luto familiar pelo tempo que for necessário. 

Ao contrário do que se pensa, os cuidados paliativos não visam o prolongamento da vida, nem a antecipação da morte: deve-se, acima de tudo, respeitar o processo natural do paciente assistido, sendo papel da equipe o alívio do sofrimento em todas as esferas e promoção do bem-estar.

Nesse enfoque, a equipe passa a trabalhar em conjunto de acordo com os preceitos da ortotanásia. Esse termo origina-se do grego, onde o prefixo orto significa certo e thanatos, morte, e é empregado com o significado de “morte certa”, ou seja, morte apropriada, no tempo certo. Nesse sentido, consiste na não utilização de procedimentos desnecessários e desumanos com o intuito de modificar a morte natural do paciente, e sim apenas oferecer o suporte físico no alívio da dor, suporte emocional e espiritual de acordo com as crenças do paciente.  

Ao contrário do senso comum, não significa negligência ou abandono do paciente. Trata-se de um processo terapêutico, com enfoque principal no alívio do sofrimento de forma ampla. 

Qual o papel da prática de cuidados paliativos no paciente oncológico?

De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2015, foram estimados aproximadamente 576 mil casos incidentes de câncer no Brasil. Soma-se a isso o fato de que o câncer, sendo uma condição crônica de saúde, contribui fortemente para o índice de mortalidade brasileiro, sendo uma das principais causas de morte no nosso país. Assim, diante da impossibilidade de cura, a atuação dos profissionais de cuidados paliativos é imprescindível nesse processo de morte que inclui paciente e agregados.

Sendo assim, a equipe multidisciplinar tem o dever de melhorar a qualidade de vida do paciente oncológico terminal. Especificamente no paciente oncológico, os cuidados paliativos devem ser atuantes desde o momento do diagnóstico da doença, de modo a acompanhar as medidas terapêuticas proporcionando maior bem-estar e a cura completa; na falha desta última, as medidas paliativas devem ser continuadas com exclusividade e passa a ser o foco principal da assistência médica e demais profissionais de saúde.

Os cuidados paliativos no dia a dia do paciente oncológico:

Na prática dos casos oncológicos, as condutas de cuidados paliativos podem incluir:  

  • Avaliar e suspender drogas possíveis e reduzir as que não podem ser suspensas, com o objetivo de auxiliar o paciente a viver de maneira ativa até sua morte; 
  • Manter o ambiente em que o paciente se encontra tranquilo e prevenindo acidentes;
  • Prática da empatia durante o tratamento; 
  • Aumento da ingesta hídrica, pois o paciente pode apresentar alterações da mucosa oral como consequência da radio e quimioterapia; 
  • Permitir e incentivar a ingestão de pequenas quantidades de alimentos do agrado do paciente em intervalos regulares, pois a anorexia e inapetência é um dos principais sintomas do paciente com câncer avançado; 
  • Orientação nutricional e retirada digital de fecaloma se necessário, pois a constipação intestinal configura-se também entre os principais sintomas do paciente oncológico avançado; 
  • Abordagem psicológica, pois a depressão é muito comum em pacientes com câncer, sobretudo os terminais; 
  • Nebulização com morfina em casos de dispneia, que ocorre em aproximadamente 60 a 70% dos pacientes em estágio avançado de câncer; 
  • Aconselhamento nutricional para evitar casos de náusea e vômito; 
  • Controle de dores gerais com medicamento analgésico.

            Levando-se em consideração todo o exposto, conclui-se que a prática paliativa oncológica promove, mesmo que durante o processo de morte, a afirmação da vida, garantindo a qualidade de vida do paciente e ajudando-o a viver de maneira ativa até sua morte natural. 

Para fazer isso, a equipe deve integrar os aspectos clínicos, psicológicos, sociais e, se necessário, espirituais do paciente. Acima de tudo, respeitando sua autonomia, promovendo um processo de morrer digno, com o mínimo de estresse, mínimo de intervenção e máximo controle da dor e demais queixas físicas e socioemocionais do paciente. 

Nesse momento, o paciente deve identificar suas prioridades, concentrando-se no encerramento de sua vida para que sua passagem seja significativa e menos dolorosa possível. E, após sua passagem, se necessário, a equipe de profissionais deve estender os cuidados para familiares e agregadores no processo de luto. 

Com tais medidas, o paciente será capaz de “viver a boa morte”, livre de angústias, sofrimentos evitáveis e de acordo com seus desejos e crenças pessoais. 

Por fim, deixo uma citação de Cicely Saunders que resume de forma muito sensível e assertiva o tema abordado: “O sofrimento humano só é intolerável quando ninguém cuida”.

Autoria: Brunna Caroline Spina Viriato, estudante de medicina da Universidade IX de Julho. 

Instagram: @bruspina2



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