Ciclo ClínicoGeriatria

DESAFIO | Frauda geriátrica?

DESAFIO 2- DÉBORA FONTENELE ALVES- FRALDA GERIÁTRICA?
GERIATRIA- SISTEMA GÊNITO URINÁRIO
Idosa, 80 anos, durante visita domiciliar relatou cansaço, pois não dormia bem há semanas. Ao exame físico: Normocorada. Aparentemente hidratada e bem nutrida. Fáscies atípica. Orientado no tempo e no espaço. Vigil, ativa, reativa e cooperativa.
A paciente queixa-se, principalmente, de acordar várias vezes à noite para ter que ir ao banheiro (cerca de 5 vezes durante 6 horas de sono), além de perda involuntária da urina. Deixou de dormir no mesmo quarto que o marido, e se mudou para um quarto mais próximo do banheiro. Tem usado fraudas para dormir, pois tem medo de não conseguir segurar a urina.  Diz ter vergonha de conversar com o cônjuge sobre isso, preferiu explicar que são problemas da “velhice”. Relata que desde então não há mais “noites de amor” entre os dois, o que tem complicado sua relação com o esposo.
Questões para orientar a discussão:

  1. Qual a principal hipótese diagnóstica?
  2.  O que deve ser avaliado de forma correta no exame físico?
  3. Que abordagens terapêuticas podem ser sugeridas?
  4. Por que nesta condição é importante se atentar aos impactos da enfermidade nas relações interpessoais da paciente?

GABARITO

1.Incontinência de urgência.
 
2.Deve-se avaliar, no exame do abdome, se há massas palpáveis e a presença de cirurgias prévias. No exame retal: identificar impactação fecal, tônus do esfíncter, massa retal e volume prostático(em homens). No exame genital é importante avaliar a atrofia genital, a musculatura, a coloração, se há presença de prolapso uterino. Exame neurológico: avaliação do estado cognitivo é importante.
 
3.As abordagens e tratamentos da urgência/incontinência urinária não são padronizadas, cada paciente deve receber orientações personalizadas. É imprescindível investigar a causa e tratar as reversíveis como infecções, atrofia genital, impactação fecal, o que pode trazer benefícios rapidamente. No tratamento não farmacológico é importante que haja modificações ambientais, para que o acesso ao banheiro seja facilitado, exercícios que fortaleçam a musculatura e ajudem a estabelecer um hábito miccional. Envolver a família é importante, comunicar o idoso e seus familiares sobre a incontinência e seus impactos poderá surtir efeitos positivos no acolhimento da pessoa idosa e na sua qualidade de vida.
 
4.O impacto social da incontinência urinária é extremamente relevante, pois se configura como um grande estigma social. Muda, principalmente, a forma do idoso se enxergar e se relacionar com o mundo ao redor. Essa condição é capaz de causar restrição das atividades sociais, isolamento e depressão. A paciente em questão abandonou a vida sexual, se isolou e preferiu não conversar com o marido a respeito, o que, claramente, afetou seu relacionamento afetivo.
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