Pediatria

Desconforto respiratório no recém-nascido

Desconforto respiratório no recém-nascido

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SanarFlix

4 minhá 594 dias

INTRODUÇÃO:

As doenças respiratórias são as principais responsáveis pela morbimortalidade neonatal, sendo a principal causa de internamento desta faixa etária. Porém, graças aos avanços nas tecnologias de suporte ventilatório, bem como novas abordagens diagnósticas e terapêuticas, têm havido incremento na sobrevida dos recém-nascidos (RN) prematuros e com muito baixo peso.

Imagem: Circulação fetal e neonatal. A: Na circulação fetal, o sangue chega da placenta à veia umbilical. Do átrio direito, uma parte
do sangue chega às artérias pulmonares, isso porque o pulmão não ventilado do feto oferece uma resistência vascular elevada. B:
Imediatamente após o parto é produzida contração dos vasos umbilicais, que além da ligadura do cordão umbilical, provoca uma
redução da pressão na veia cava inferior e no átrio direito. Quando o recém-nascido começa a respirar, seus pulmões se expandem,
os vasos pulmonares se dilatam, diminuindo a resistência vascular, o que permite que maior aporte sanguíneo do tronco pulmonar
chegue até as artérias pulmonares. Fonte: http://professor.ufrgs.br/simonemarcuzzo/files/desenvolvimento_do_coracao_0.pdf

No período fetal as trocas gasosas intraútero são mediadas exclusivamente pela difusão placentária, uma vez que os pulmões ainda não são funcionais e possuem elevada resistência vascular (o que faz com que pouco sangue chegue aos mesmos). É na placenta que as trocas gasosas são feitas e para onde todo o sangue volta para ser reoxigenado, de modo que esta possui baixa resistência vascular. Após o nascimento, com a saída da placenta e elevação da resistência vascular sistêmica ocorre a redução da resistência vascular pulmonar em decorrência da insuflação e oxigenação pulmonar, assim como pela dilatação dos vasos pulmonares. Além disso, com o fechamento do forame oval e do canal arterial, a circulação pulmonar é facilitada. Com isso, ao nascer, o pulmão do RN precisa deixar de ser um órgão repleto de líquido e com pouco fluxo sanguíneo, para ser um órgão arejado, com fluxo sanguíneo e capaz de realizar uma respiração diferente da anterior, pois neste caso trata-se de uma troca de gás com o meio ambiente, ou seja, respiração pulmonar.

A adaptação imediata a vida extrauterina depende essencialmente de uma função cardiopulmonar adequada, de modo que sinais e sintomas de desconforto respiratório são manifestações clínicas importantes e comuns ao nascimento. Com isso, o desconforto pode representar desde uma situação benigna, como um atraso na adaptação cardiorrespiratória, até um sinal de uma infecção grave e letal.

A maioria das doenças que causam esses sinais e sintomas respiratórios acontecem nas primeiras horas de vida e costumam ter apresentações inespecíficas, por este motivo, é importante atentar-se para a coleta de uma boa anamnese materna e do parto para então associar com os sintomas clínicos do R, e até mesmo exames de imagem que auxiliem na elucidação diagnóstica.

Os sinais e sintomas mais comuns são:

O Boletim de Silverman-Andersen (BSA) é um método clínico útil para quantificar o grau de desconforto respiratório e estimar a gravidade do comprometimento pulmonar. As pontuações para cada parâmetro variam de 0 a 2 e, se soma for < 5, indica dificuldade respiratória leve; e se ≥ 10 corresponde ao grau máximo de dispneia. Os parâmetros avaliados são: movimentos de tórax e abdome, retração costal inferior, retração xifoide, batimento de asa de nariz e gemido expiratório.

Imagem: Boletim de Silverman-Andersen para avaliação do desconforto respiratório. Fonte: Tratado de Pediatria, 2010.

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