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Desenvolvimento Motor Fino: a habilidade do cirurgião | Colunistas

Desenvolvimento Motor Fino: a habilidade do cirurgião | Colunistas

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Lara Brito

5 minhá 44 dias

“E com a lâmina cortante em mãos – número 10 – o cirurgião assume a empunhadura de lápis, fazendo uma incisão precisa e suficientemente delicada naquela que tem tudo para ser uma bem sucedida cirurgia.” Cenas como  essa seriam impossíveis sem aquilo que conhecemos como motricidade fina: capacidade de executar movimentos precisos com controle e destreza, como por exemplo, manusear um bisturi.

O desenvolvimento motor

Desde o momento de nossa concepção até o término da vida estamos em constante desenvolvimento, com destaque para os 10 primeiros anos – etapa em que ocorre a maior parte dessas mudanças – especialmente no que tange ao desenvolvimento motor. Este, por sua vez, é dividido em dois grandes grupos: 

  1. Motricidade Fina: define as atividades relacionadas aos movimentos de preensão e relaciona-se com as etapas do movimento de pinça;
  2. Motricidade Grossa: define as atividades dos grandes músculos do corpo e relaciona-se com as funções de sustentação da cabeça, sentar, andar e correr.

Fatores de Influência

Estudos apontam que o desenvolvimento motor sofre influência de inúmeros fatores, como o ambiental, sendo observado que indivíduos inseridos em ambientes ricos em estímulos têm o desenvolvimento motor favorecido, especialmente as habilidades motoras finas. Nesse contexto insere-se, ainda, o fator sociocultural que determina, por exemplo, quais aptidões serão mais estimuladas e, consequentemente, mais desenvolvidas em detrimento de outras. Em contrapartida, nascimento pré-termo, síndromes genéticas e outras condições podem interferir negativamente no desenvolvimento da motricidade fina, possivelmente afetando a participação das crianças em tarefas como vestir-se, alimentar-se e brincar.

Motricidade fina

Quando falamos especificamente do controle motor fino, este permite a coordenação de sistemas (ósseo, muscular e nervoso) que, de forma integrada, possibilitam a execução de movimentos essenciais para a vida individual e em sociedade, como vestir-se, amarrar o cadarço e escrever, sendo este último considerado como o ato motor mais fino realizado pela espécie humana.  

O desenvolvimento da habilidade motora fina ocorre de forma acentuada na primeira infância, grande parte desse marco se deve ao fato da inserção desses indivíduos no âmbito escolar, onde são expostos a diversas atividades motoras e diferentes objetos, apropriando-se de suas formas e aprendendo a manipulá-los. Acredita-se que, durante essa fase, as crianças devem estar aptas para realizar algumas atividades relacionadas com a motricidade fina e coordenação óculo-manual (essencial para a execução da habilidade fina):

  • Empilhar blocos;
  • Agarrar um lápis grosso e fazer marcas em um papel;
  • Copiar um círculo;
  • Transpor água de um jarro em um recipiente largo.

A partir dos 5 anos a criança é capaz de realizar diversas atividades motoras finas e, com o tempo e prática, aperfeiçoa os movimentos, conferindo maior destreza à sua execução.

Preensão

Como estimular?

Todas as crianças devem ser estimuladas ao desenvolvimento motor fino, já que o bom desempenho nesta área implica na capacidade do autocuidado e vida em sociedade. Para isso, é importante que a criança tenha contato com um ambiente rico em estímulos motores e sensoriais, tanto no espaço escolar como também no domiciliar. São exemplos de atividades que trabalham a motricidade fina:

  • Manusear massinha de modelar, criando formas e imprimindo distintos níveis de pressão sobre ela;
  • Oferecer fios de barbante e diferentes miçangas, permitindo que as crianças trabalhem a coordenação motora, ao mesmo tempo que afloram a criatividade;
  • Pintura com as próprias mãos ou pinceis;
  • Dobradura simples com papel.  

Conclusão

O controle motor é uma importante habilidade responsável por gerir diversas outras áreas da vida dos indivíduos. A motricidade fina, de forma especial, é uma das responsáveis pelo sucesso dos cirurgiões: sem ela não seria possível manusear o bisturi, imprimir a pressão adequada à pinça e nem mesmo montar um porta agulha. Diante da sua importância dentro e fora das salas cirúrgicas, é preciso que as crianças sejam estimuladas precocemente, principalmente durante a primeira infância, com atividades motoras e sensoriais, a fim de se apropriarem do uso de suas mãos para, posteriormente, aperfeiçoarem seus movimentos. Ao passo em que um ambiente rico em estímulos auxilia no desenvolvimento motor, algumas condições servem de alerta, como o nascimento pré-termo e síndromes genéticas (sendo a síndrome de Down uma das mais conhecidas). Portanto, apesar de existirem os marcos temporais do desenvolvimento motor, é preciso acompanhar e individualizar os avanços de cada criança.

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Referências

COPPEDE, Aline Cirelli; CAMPOS, Ana Carolina de; SANTOS, Denise Castilho Cabrera; et al. Desempenho motor fino e funcionalidade em crianças com síndrome de Down. Fisioterapia e Pesquisa, v. 19, n. 4, p. 363–368, 2012.

COSTA, Ana. O desenvolvimento da motricidade fina: um estudo de intervenção com crianças em idade pré-escolar (Dissertação de Mestrado em Educação Pré-escolar). 2013. Disponível em: .

Gabbard C. P. (1992). Lifelong motor development. Texas: Editor Scon Spoolman.

Empresa Brasil de Comunicação – https://bit.ly/2KUzr0i

O Meu Bebé – https://bit.ly/34LuH4b

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