Coronavírus

Desinformação é um dos grandes vilões da pandemia; entenda o cenário

Desinformação é um dos grandes vilões da pandemia; entenda o cenário

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Sanar

7 min há 14 dias

A desinformação tem prejudicado o combate à pandemia do novo coronavírus (SARS-Cov 2) e sido um dos grandes desafios para comunicação no Brasil. Esse cenário se deve principalmente a falta de informação qualificada por parte dos órgãos oficiais e ao peso das redes sociais na vida das pessoas.

Twitter, WhatsApp, Instagram e outras redes, para a maioria, é o principal meio para se manter informado. E com isso, seja direta ou indiretamente, as pessoas acabam sendo impactados por uma fake news ou informação tirada de contexto.

Afinal, nesse momento pandêmico, postagens sobre ineficiência de vacina, medicamentos milagrosos e similares estão circulando com força nas redes. E, por mais loucas que muitas delas pareçam, elas influenciam nas decisões das pessoas. Tem até aqueles que além de levar aquilo como “verdade absoluta” ainda compartilham com os conhecidos.

O resultado disso? Cada vez mais pessoas sendo resistentes a seguir as recomendações que são de fato baseadas em evidências científicas.

De acordo com um estudo divulgado pela Associação Médica Brasileira (AMB), 91,6% dos médicos acreditam que as fake news são prejudiciais na luta contra a Covid-19. A pesquisa apontou que, por consequência das notícias falsas, muitos pacientes têm dificuldade de aceitar as decisões dos profissionais de saúde.

Impactos da desinformação na saúde

A comunicação eficiente e qualidade é essencial nesse momento. Por isso, a Sanar convidou a jornalista Mariana Varella para palestrar sobre o tema durante o Sanarcon 2021. Como um esquente para o congresso, conversamos com a editora-chefe do portal Dráuzio Varella sobre os impactos da desinformação.

A especialista avalia que o problema vai muito além do alcance que uma informação errada ou equivocada toma nas redes. “Existem campanhas feitas com o intuito de desinformar que causam um estrago grande em todas as áreas, principalmente na saúde. Essas campanhas são organizadas, tem gente colocando dinheiro nisso e elas são bem sucedidas. Desinformam um grande número de pessoas”, analisa Mariana.

O uso em massa de ivermectina para prevenir o Covid é um exemplo de estrago que a desinformação pode causar. O medicamento caiu no “gosto do povo” mesmo sem ter nenhuma comprovação cientifica da sua eficiência para tal. E as consequências disso já começaram a aparecer.

Médicos, assim como a literatura, vem relatando casos de em que o uso da substância levou pacientes à falência hepática. E, consequentemente, a necessidade de um transplante de fígado.

Vale lembrar que a ivermectina é um remédio antiparasitário. Ele é indicado para tratar condições causadas por vermes ou parasitas.

Confira o papo da Sanar com Mariana Varella

  1. Para você, quais são os maiores desafios de trabalhar comunicação no Brasil neste momento?

Mariana: o principal desafio tem sido a falta de informação unificada. A gente não tem hoje uma boa comunicação por parte dos órgãos competentes e unidades sanitárias.

Outro desafio é que a desinformação vem ganhando muita força. Muito pela falta de informação oficial unificada, coordenada e qualificada. Sem isso, as pessoas ficam soltas. Cada um se informa dentro das suas possibilidades e isso é um terreno muito fértil para desinformação.

  1. Muitos governantes estão tendo péssimos comportamentos durante a pandemia. A falta ou a utilização errada das máscaras nos ambientes políticos são um exemplo disso. Você acredita que isso também tem sido prejudicial?

Mariana: sim, sem dúvida nenhuma. A campanha de desinformação vinda por parte dos governantes é até mais grave que a ausência de informação oficial. Como você disse, os governantes acabam incentivando comportamentos que são prejudiciais. Eles ajudam a piorar a nossa situação, que já seria grave por si só.

Um pouco dos bastidores do portal Drauzio Varella

  1. Atualmente, trabalhar com jornalismo de saúde é quase sinônimo de combater desinformação. Como tem isso a cobertura jornalística da pandemia no portal?

Mariana: a gente procura não concentrar nosso trabalho em rebater desinformação. O nosso principal foco é na divulgação de informação qualificada e baseada em evidências. Sempre com o respaldo de especialistas que seguem a medicina baseada em evidências e que também têm uma visão de saúde pública.

Agora, quando a gente sente que uma desinformação ganhou muito espaço e é preciso dar uma resposta a ela. Aí sim a gente responde. E o grande desafio tem sido é esse. Saber quais desinformações devem ser ignoradas e quais chegaram a um nível de exposição que é preciso desmentir.

  1. Quais foram as situações mais delicadas que vocês precisaram fazer checagem?

Mariana: questões envolvendo vacinação sempre causam desinformação. A gente teve, por exemplo, um trabalho muito forte de levar informação verdadeira sobre a vacinação de HPV no Brasil. Quando começou, a campanha estava indo muito bem. Tinha um número alto de meninas adolescentes tomando a primeira dose. Depois, o número foi caindo na segunda dose e quando chegou a vez dos meninos foi um fracasso. Muito disso foi por causa de preconceito, fruto de desinformação.

Fique mais atento(a) nas redes:

  1. Quais orientações daria para as pessoas se blindarem das fake news?

Mariana: a primeira coisa é checar a informação. Recebeu um conteúdo? Procure saber de onde ele veio. Se for uma informação verdadeira e relevante, provavelmente vai sair nos grandes veículos de comunicação.

Outro orientação importante é não acreditar logo de cara no que parece estranho. Isso inclui ter atenção com:

  • Página de site mal feita
  • Textos com a escrita errada
  • Publicações com falta de citação de estudos ou fontes desconhecidas
  • E aquela coisa de “o marido do primo de uma amiga disse…”

Além de não acreditar, evite passar esses conteúdos para frente. O compartilhamento é que faz a gente perder o controle das coisas.

Mariana Varella no Sanarcon 2021

A jornalista é uma das atrações do maior congresso médico online do Brasil. O Sanarcon 2021 acontece no dia 18 de setembro, das 9h às 18h. No evento, Mariana Varella vai falar exatamente sobre os “Desafios da comunicação em ciência no Brasil”.

Para acompanhar a palestra de Mariana e várias outras, é só se inscrever no site oficial. O evento é gratuito e 100% online.

“Eu pretendo falar sobre a importância da comunicação efetiva em saúde. Especialmente em momentos de crise sanitária, como a que estamos vivendo agora. Vou abordar o cenário atual, o como a comunicação vem sendo feita no Brasil. E o como essa comunicação efetiva e de qualidade não foi adotada pelo Governo Federal e pelo Ministério da Saúde”, conta Mariana Varella.

A especialista também reforça que a pandemia tornou muito clara a importância do jornalismo científico. E o quanto é necessário investir nesse segmento.

Clique aqui para saber todas as palestras do Sanarcon.

Veja mais entrevistas com convidados do Sanarcon

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