Colunistas

Diabetes Mellitus: Critérios Diagnósticos | Colunistas

Diabetes Mellitus: Critérios Diagnósticos | Colunistas

Compartilhar

Herbert Santos

6 minhá 287 dias

O diabetes é uma das doenças crônicas mais prevalentes na vida do brasileiro, sendo uma das principais causas de morte e doenças incapacitantes atualmente. Estima-se que 13 milhões de pessoas no Brasil sejam diabéticas e o país ocupa o 4º lugar no ranking mundial.

Isso se dá, em sua maioria, devido ao diabetes mellitus tipo 2 que, apesar de ter componente genético, está ligado diretamente a fatores ambientais como obesidade e sedentarismo. Por isso, independentemente da especialidade que você siga/queira seguir, é imprescindível ter conhecimento sobre o tema.

Embora os critérios diagnósticos do diabetes mellitus seja o assunto principal aqui, vamos começar falando um pouco sobre a doença.

Classificação

Diabetes Mellitus tipo 1 (DM 1): doença autoimune que corresponde a 5 – 10% dos casos;
Diabetes Mellitus tipo 2 (DM 2): doença genética associada a fatores ambientais corresponde a 90% dos casos.

Fisiopatologia

DM1: por ser uma doença autoimune, você logo imagina que um componente do próprio sistema imunológico do indivíduo ataca, no mínimo, a produção de insulina, não é mesmo? Pois é, acertou! O que ocorre é um processo necroinflamatório nas ilhotas pancreáticas que atacam as células beta (responsáveis pela produção da insulina) de forma irreversível, o que leva a uma deficiência de insulina. Por isso, em sua maioria, o paciente DM1 é insulino-dependente.

DM2: diferente do DM1, o tipo 2 está diretamente relacionada aos hábitos do indivíduo. Ou seja, tem um componente genético, mas fatores como obesidade e sedentarismo são precipitantes bastante importantes.

Classicamente, o DM2 era marcado por uma tríade:
Aumento da produção de glicose hepática;
Redução da captação de glicose muscular;
Redução da secreção de insulina.

Após estudos, De Fronzzo, 2009, propôs mais causas para a patogenia do DM2, publicando seu estudo sobre o Octeto Ameaçador no qual acrescentou: aumento na secreção de Glucagon, disfunção em neurotransmissores, aumento da reabsorção renal de glicose aumento da lipólise, redução do efeito incretina (substâncias produzidas no trato gastrointestinal que regulam o metabolismo da insulina).

Octeto Ameaçador

Todos esses fatores culminam na hiperglicemia crônica. Essa condição provoca lesões em órgãos-alvo, como a retinopatia, nefropatia, cardiopatia isquêmica, neuropatias, doenças cerebrovasculares e vasculares periféricas.

Manifestações Clínicas

Os principais sinais e sintomas estão ligados à hiperglicemia e são os chamados Ps do diabetes:
Polidipsia;
Polifagia;
Poliúria;
Perda de peso.

Mas esses Ps ocorrem em casos mais graves da doença com glicemias acima de 400mg/dl. Então como devemos suspeitar nos assintomáticos que não estão na fase mais descompensada? Você deve se atentar aos fatores de risco.

Fatores de risco

Em muitos casos, é uma doença silenciosa, por isso você deve saber quando suspeitar de acordo com os seguintes fatores de risco:

Parentes de primeiro grau com diabetes;
Risco aumentado em função de fatores étnicos;
História de doença cardiovascular;
Hipertensão (≥ 140/90) ou em terapia para hipertensão;
Colesterol HDL < 35mg/dl e Triglicérides >250mg/dl;
Mulheres com síndrome dos ovários policísticos;
Inatividade física;
Condições que indiquem resistência à insulina: cantose nigricans, por exemplo.

Acantose Nigricans.

Os pacientes obesos que apresentam um ou mais desses fatores de risco devem ser testados para DM2.

Além desses, devem ser testados:

Anualmente, os pré-diabéticos;
De 3 em 3 anos, as mulheres que tiveram diabetes gestacional;
Indivíduos com idade maior que 45 anos (em caso de resultado normal, repetir com 3 anos).

Exames Laboratoriais

Estes são os testes necessários para o diagnóstico:

Glicemia em jejum – aferição por sangue venoso após jejum de 8h;
Teste de tolerância oral a glicose (TTOG) – aferição por sangue venoso 2 horas após sobrecarga de 75g de glicose;
Hemoglobina glicada (HbA1c) – estimativa dos níveis glicêmicos dos últimos três ou quatro meses a partir da hemoglobina;
Glicemia ao acaso – aferição por sangue venoso sem realização de jejum.

Critérios diagnósticos

A glicemia capilar não serve para o diagnóstico de diabetes, mas, sim, para monitorização do tratamento pelo próprio diabético. Porém, em casos de ≥ 240, é um grande indicativo de diabetes caso não haja diagnóstico.

A glicemia ao acaso não é realizada como primeira escolha, nem sequer há classificação para normoglicemia ou pré-diabetes. Nesse caso, é importante para pacientes em emergências que aparecem com sintomas de hiperglicemia – são medidos os níveis ao acaso e pode-se dar o diagnóstico.

A positividade de qualquer um dos critérios indica diabetes, não sendo necessário preencher todos.

Mas quais são as metas terapêuticas?

Essas metas são recomendadas pela Sociedade Brasileira de Diabetes, mas é válido ressaltar que há Sociedades mais exigentes como a Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos (AACE), que define metas como <140 e 6,5% em glicemia pós-prandial e HbA1c, respectivamente.

Tratamento

O tratamento é dividido em:

Não medicamentoso: conhecido como mudanças no estilo de vida ou MEV, é uma série de orientações relacionadas à alimentação, realização de exercício físico, redução do etilismo, entre outras medidas que comprovadamente reduzem os índices glicêmicos do diabético, bem como retardam ou evitam que o pré-diabético avance ao diabetes.

Medicamentoso: está relacionado a medicamentos que atuarão naquele octeto ameaçador que vimos em fisiopatologia. De maneira geral, terão atuação na redução à resistência insulínica, redução na reabsorção de glicose pelo rim, aumento da secreção de insulina, entre outros efeitos. Cada paciente deve ter seu plano terapêutico individualizado de acordo com suas demandas.

AUTOR: Hebert Leão, Estudante de Medicina
INSTAGRAM: @leaoherbert

Compartilhe com seus amigos:
Política de Privacidade. © Copyright, Todos os direitos reservados.