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Dica de Anestesiologia: classificação de Child-Pugh

Dica de Anestesiologia: classificação de Child-Pugh

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A classificação de Child-Pugh, também conhecida como classificação de Child-Turcotte-Pugh, foi desenvolvida na década de 1970 por dois médicos britânicos, John Child e Patrick Pugh.

Nesse contexto, os médicos criaram essa escala para avaliar a gravidade da cirrose hepática em pacientes que iriam ser submetidos a cirurgias abdominais.

O que é a escala de Child-Pugh e quando ela é utilizada?

A classificação de Child-Pugh foi pensada inicialmente para estratificar
pacientes em grupos de risco que seriam submetidos a cirurgia de descompressão portal.

Contudo, atualmente essa escala é utilizada para avaliar o prognóstico da cirrose. Além disso, é responsável por orientar a inscrição no cadastro de transplante hepático.

Essa classificação também é confiável para estabelecer a sobrevida
de várias doenças hepáticas. Além disso, antecipa a probabilidade de complicações importantes da cirrose, como:

  • Sangramento por varizes
  • Peritonite bacteriana espontânea.

Doença hepática crônica

A doença hepática crônica é uma condição na qual o fígado é danificado e não consegue funcionar adequadamente durante um longo período de tempo. Existem várias causas de doença hepática crônica, incluindo:

  • Uso excessivo de álcool
  • Infecções virais, como hepatite B e C
  • Doença hepática gordurosa não alcoólica
  • Doenças autoimunes
  • Entre outras.

A doença hepática crônica pode ser assintomática nos estágios iniciais, mas pode progredir para cirrose, que é uma condição grave em que o fígado é cicatrizado e danificado. Consequentemente, pode levar à insuficiência hepática.

Os sintomas da doença hepática crônica podem incluir:

  • Fadiga
  • Perda de apetite
  • Perda de peso
  • Náusea
  • Vômito
  • Dor abdominal
  • Icterícia
  • Edema nos membros inferiores

Como funciona a classificação de Chil-Pugh?

Ela é baseada em cinco critérios clínicos e laboratoriais:

  1. Bilirrubina sérica
  2. Albumina sérica
  3. Tempo de Protrombina (TP)
  4. Ascite
  5. Encefalopatia Hepática

Cada critério recebe uma pontuação de 1 a 3, dependendo da sua gravidade. A soma dos pontos determina a classe do paciente, que pode ser A, B ou C.

A classe A indica uma doença hepática menos grave, enquanto a classe C indica uma doença mais avançada e uma maior probabilidade de mortalidade.

Bilirrubina sérica

A bilirrubina sérica é um exame que mede a quantidade de bilirrubina no sangue. Dessa forma, a bilirrubina é um produto da degradação da hemoglobina, que é a proteína responsável por transportar o oxigênio no sangue. A bilirrubina é produzida no fígado e excretada na bile para ser eliminada nas fezes.

Níveis elevados de bilirrubina sérica podem indicar um problema no fígado, como:

  • Hepatite
  • Cirrose ou obstrução das vias biliares
  • Problema na degradação da hemoglobina, como anemia hemolítica.

Albumina sérica

A albumina sérica é uma proteína produzida pelo fígado e presente no sangue. Ela desempenha várias funções importantes, como manter a pressão osmótica do sangue, transportar hormônios, nutrientes e medicamentos, além de ajudar na regulação do pH sanguíneo.

O exame de albumina sérica mede a quantidade de albumina presente no sangue. Níveis baixos de albumina sérica podem indicar problemas no fígado, como cirrose ou hepatite, ou em outras partes do corpo, como doenças renais ou intestinais. Também pode indicar desnutrição ou desidratação.

Tempo de Protrombina (TP)

O tempo de protrombina (TP) avalia o tempo necessário para que o sangue coagule quando uma substância química é adicionada a ele. O TP é utilizado para monitorar e diagnosticar distúrbios da coagulação, como doenças do:

  • Fígado
  • Deficiência de vitamina K
  • Uso de medicamentos anticoagulantes.

Ascite

A ascite é caracterizada pela acumulação de líquido na cavidade abdominal.

Como diferenciar ascite de origem hepática e de origem cardíaca pela  paracentese? - CardioPapers
Fonte: PORTO, 2017.

Geralmente, ela ocorre em pacientes com doença hepática avançada, como cirrose, que afeta o funcionamento do fígado e o fluxo sanguíneo no abdômen.

Encefalopatia Hepática

A encefalopatia hepática é uma complicação neurológica grave que ocorre em pacientes com doença hepática avançada, como cirrose hepática. A condição é caracterizada pela incapacidade do fígado em remover toxinas do sangue, o que pode levar a uma acumulação de amônia e outros compostos tóxicos no cérebro.

Isso pode causar uma ampla variedade de sintomas neurológicos, incluindo alterações no:

  • Estado mental
  • Comportamento
  • Coordenação motora
  • Função cognitiva.

Que outras avaliações devem ser feitas junto com a escala de Chil-Pugh?

A escala de Child-Pugh é frequentemente utilizada em conjunto com outras avaliações, como a:

  • Contagem de plaquetas
  • Concentração sérica de creatinina
  • Índice de MELD (Modelo para Doença Hepática em Estágio Final)

Todas essas avaliações são feitas para ajudar a determinar a gravidade da doença hepática crônica e guiar a tomada de decisões clínicas.

Como dominar as doenças hepáticas e mandar bem na prática clínica?

As doenças hepáticas são um problema de saúde pública global. A epidemiologia dessas doenças varia dependendo do tipo específico de doença hepática e da região geográfica considerada. Contudo, dados mostram um aumento considerável dessas doenças.

As doenças hepáticas são bastante estudadas na faculdade de medicina e abordam diversas doenças importantes. Para te ajudar a mandar bem nesse módulo, o SanarFlix conta com:

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Referência bibliográfica

Sugestão de leitura complementar