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Doença de Parkinson | Colunistas

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12 min há 239 dias

Conceito

O mal de Parkinson se trata de um quadro patológico crônico de caráter progressivo e degenerativo. Uma disfunção no sistema nervoso central acarreta degenerações resultantes do depósito anômalo da proteína alfa-sinucleina em agregados denominados corpos de Lewy.

O resultado desse acúmulo provoca uma redução intensa na síntese de dopamina, um neurotransmissor essencial na realização dos movimentos voluntários do corpo. Em sua ausência, particularmente em uma pequena região encefálica denominada substância negra, o controle motor é comprometido, originando os sinais e sintomas clássicos da doença.

Epidemiologia

A enfermidade não possui predileção por raças, acomete principalmente o sexo masculino, ressaltando que as mulheres não estão isentas de serem afetadas. A faixa etária é em média a partir dos 55 aos 65 anos.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que cerca de 1% da população mundial com idade superior a 65 anos tem a doença. No Brasil, em média 200 mil pessoas sofrem com este transtorno.

É uma doença neurológica comum e intrigante no atual cenário global, com ampla distribuição e atinge todos os grupos étnicos e classes socioeconômicas.

Tipos

O parkinsonismo é o termo genérico dado a um grupo de condições que manifestam tais sintomas de Parkinson: tremor, rigidez muscular e lentidão.

O parkinsonismo vascular é oriundo de vários pequenos acidentes vasculares na parte do cérebro que recebe informações sobre a posição e o movimento e podem cursar com os sintomas do Parkinson, tais como a rigidez, lentidão, marcha com passos curtos e lentos e a afasia. O diagnóstico diferencial é difícil, mas os sintomas do derrame, diferentemente do Parkinson, tendem a aparecer de repente e não progridem.

A degeneração corticobasal é um tipo incomum de parkinsonismo, que afeta a parte psíquica e exibe os mesmos sintomas da doença. A condição possui caráter ipsilateral e pode gerar a síndrome do “membro estranho”, na qual os membros superiores e inferiores podem dar a impressão de movimentos independentes.

A demência com corpos de Lewy se caracteriza por lesão da memória e do pensamento. A sintomatologia se baseia em alucinações visuais, rigidez muscular, bradicinesia e tremores. Normalmente, é rara em pessoas com menos de 65 anos, mas torna-se mais comum após os 75 anos.

No parkinsonismo induzido por medicações, as pessoas desenvolvem a doença com todo o quadro clínico citado após a administração com drogas envolvidas no bloqueio da ação da dopamina, dentre as quais pode-se citar os antipsicóticos, a metoclopramida e o proclorperazina.

A atrofia de múltiplos sistemas é um desequilíbrio neural originado pela síntese excessiva do proteico alfa-sinucleina, o qual ocasiona atrofia de muitas células do sistema nervoso. As regiões alvo são os gânglios, o cérebro basal e o cerebelo. As consequências são acometimento motor, perda de equilíbrio e também em funções involuntárias.

O tremor essencial é uma variedade de distúrbio mais visível durante as ações, ou seja, quando as mãos estão a concretizar um ato, como segurar um copo ou manusear um objeto. Este, na maioria das vezes, é confundido com o Parkinson, em razão de a tremedeira ser frequente. Mas, na verdade, pode ser utilizado para se obter um diagnóstico diferencial, pois na doença o tremor encontrado é detectado no repouso e quase desaparece durante a movimentação.

A paralisia supranuclear progressiva manifesta-se na terceira idade, acompanhada de instabilidade postural e quedas, redução dos movimentos oculares e lentificação cognitiva. Na maioria das vezes, em prol de seu percurso clínico, é confundida com o mal de Parkinson e outras enfermidades parkinsonianas atípicas. Se caracteriza neuropatologicamante por gliose com placas astrocíticas, acúmulo de emaranhados neurofibrilares imunorreativos a tau e perda neuronal em zonas especiais do cérebro, principalmente o núcleo subtalâmico e a substância negra.

Etiologia

Apesar de vários estudos e análises da doença, esta ainda se caracteriza como idiopática.

Diante da falta de determinantes, tem se alguns fatores potentes para tal: a genética, pois alguns acometidos apresentavam mutações em determinados genes; a hereditariedade, já que os enfermos apresentavam histórico da doença na família; e a idade avançada, em que a doença, apesar de afetar qualquer faixa etária, tem o grupo dos mais velhos como alvo, relacionando o quadro com a terceira idade. A redução do neurotransmissor dopamina, o acúmulo de beta amiloide, o depósito de placas senis ou neuríticas. Os gatilhos ambientais, como à exposição às toxinas (herbicidas e pesticidas).

Sintomatologia

O acometimento motor se manifesta por bradicinesia, rigidez entre as articulações e tremores característicos denominados tremores de repouso, muito visível quando a mão do paciente está parada, seja em repouso, quando o paciente está sentado, ou em pé com os braços relaxados; além de ser assimétrico e com tendência a diminuir ou até desaparecer na execução dos movimentos. Déficits no planejamento motor: micrografia, dificuldade de realizar tarefas simultâneas e sequenciais.

Os acometimentos não motores são constipação, intestinal, ansiedade, estresse, demência, desmaios, alucinações, perda de memória, anosmia, sialorreia, labilidade emocional, alterações da pressão arterial, disfunção sexual, disfunção cardiopulmonar, dor, fadiga, incontinência urinária e problemas no sono.

O conjunto dos sintomas afeta a postura corporal, a voz, a escrita, e a expressão facial fica diminuída, gerando como consequência obstáculos na realização de tarefas do cotidiano e piora na vida diária.

A progressão dos sintomas segue a ordem de distribuição da alfa-sinucleina pelo cérebro, de baixo para cima, a partir do tronco do cerebral até alcançar o córtex. Quando é atingido o córtex, a doença passa a afetar as funções cognitivas.

Parkinsonismo e doença de Parkinson

Apesar de ambos os conceitos possuírem muita relação, deve-se ressaltar que estes não são necessariamente a mesma coisa e retratam condições distintas.

O termo Parkinsonismo é genérico, usual para agrupar os sintomas observados na doença de Parkinson, sendo eles o clássico tremores, rigidez e flutuações do movimento, mas existem inúmeras outras condições que podem cursar com esse conjunto de sinais.

A doença de Parkinson se trata de um distúrbio neurodegenerativo específico do sistema nervoso, que progride lentamente na maioria das pessoas. Suas principais complicações afetam o movimento, enrijecem as articulações e os transtornos dos tremores. Neuropatologicamante ocasionado por, deficiência ou bloqueio da circulação em níveis necessários do neurotransmissor dopamina.

A doença de Parkinson é uma das manifestações da síndrome Parkinsoniana. Sendo estas chamadas de “atípicas”, pois diferem da doença pelo fato de afetar os dois lados do corpo igualmente, de a resposta à L-Dopa e dos outros medicamentos usados não ser tão eficaz e da cirurgia de estimulação cerebral profunda não possuir tanto valor.

Diagnóstico

O profissional mais capacitado a realizar o diagnóstico é o neurologista, com base no histórico médico do paciente, uma boa anamnese e com o suporte de exames físicos e laboratoriais.

No exame físico, é primordial avaliar os membros superiores, buscando identificar possíveis tipos de tremores, pode-se pedir ao paciente para estender os braços e realizar atos cotidianos como beber um copo de água ou despejar água em um recipiente. Analisar o tipo de marcha, atentando se esta possui inclinação anterior lenta e arrastada, assimetria dos movimentos do braço característicos da doença de Parkinson, além de que uma marcha tida como cerebelar pode ser sinal atípico de parkinsonismo. O tônus muscular e a força da musculatura em movimentos ativos e passivos geralmente denotam hipertonia muscular com consequente limitação dos movimentos passivos dos segmentos dos membros, o que conduz a notar uma resistência que cede lentamente aos sacões sucessivos, lembrando os movimentos de uma roda denteada. Sobre o exame motor para identificar comprometimento, pode-se solicitar ao paciente que batuque com o polegar e o indicador sobre a mesa com ambas as mãos, pedir que este escreva uma frase, na procura por micrografia, fenômeno marcado por padrões irregulares e atos abruptos e inesperados indicativos de Parkinson.

A correta avaliação e valorização dos sinais e sintomas descritos é essencial para a correta identificação do obstáculo e o início da propedêutica o mais precoce possível, evitando as consequências e agravamentos da síndrome.

Os exames de tomografia computadorizada e ressonância magnética são complementares, ou seja, servem para o diagnóstico diferencial de outras condições que podem causar os sintomas.

A tomografia cerebral auxilia a quantificar a dopamina circulante no cérebro, apesar de a evolução da doença já ser nítida com análise clínica. 

Tratamento

Embora a doença de Parkinson não tenha cura, tem diversos e eficientes tratamentos que minimizam a intensidade dos sintomas e melhoram a qualidade de vida.

Na terapia medicamentosa se enquadram os: dopaminérgicos, os inibidores de descarboxilase, os agonistas de dopamina, os anticolinérgicos, os inibidores de MAO-B e COMT. Os medicamentos dopaminérgicos, incluindo a levodopa, possuem ação similar à dopamina usada para tratar os sintomas da enfermidade. Os inibidores de descarboxilase são uma classe de fármacos combinados à levodopa para aliviar os sintomas. Os agonistas de dopamina se unem aos receptores de dopamina e imitam a sua ação. Os anticolinérgicos possuem efeito relaxante sobre os músculos lisos e é indicado para se tratar o tremor característico da doença. Os inibidores de MAO-B são usados para tratar de forma geral todos os sintomas da patologia, além de bloquear uma enzima que fragmenta a dopamina, propiciando que esta permaneça no receptor por um tempo maior. Os inibidores de COMT, assim como os agonistas da dopamina, se juntam aos receptores de dopamina e camuflam sua ação. Entretanto, apesar de existirem muitas opções medicamentosas para ajustar a função motora, estes, com o decorrer do tempo, estão sujeitos a diminuir sua capacidade, gerar os temidos efeitos colaterais ou até ambos simultaneamente. Juntamente ao fato de que à medida que o problema progride, a quantidade de remédios exigidos para a efetividade e controle aumentam, gerando efeitos indesejáveis e de difícil tolerância.

A terapia de estimulação cerebral profunda oferece um tratamento adaptável e, se possível, reversível para a doença. Esta consiste em manusear um dispositivo médico implantado, parecido a um marca-passo, que gera estímulos elétricos em locais próprios do cérebro. A excitação dessas áreas especiais permite que os circuitos neurais responsáveis pelo controle motor funcionem mais razoavelmente.

A talamotomia ventrolateral tem sido considerada como uma opção no tratamento neocirúrgico para doentes incapacitados, indivíduos acometidos pelo mal de Parkinson resistentes à ação dos fármacos e para outros tipos de tremor. Esta se baseia na destruição de uma área do cérebro, o núcleo do tálamo, envolvida no controle do movimento. Os efeitos adversos são a ocorrência de hemorragias, fraquezas, deficiências visuais e afasia.

Mudanças comportamentais são necessárias. A realização de atividades físicas de baixo impacto não só beneficiam o sistema cardiovascular, mas também o sistema nervoso através da liberação de neurotransmissores, que são responsáveis pela cognição, atenção, motivação, memória e a neuroplasticidade. A adoção de uma alimentação deve ser equilibrada, dosando adequadamente os níveis de proteína, evitando o excesso para não atrapalhar a ação dos fármacos, mas também que não seja deficiente, para não acentuar os movimentos involuntários do doente. Também, deve-se ajustar os níveis de carboidratos, pois, com a perda de apetite e maior gasto energético, a perda de peso é evitada; pode ser feita a inclusão de fibras combinadas com uma boa ingesta hídrica para combater a prisão de ventre e a associação de vitaminas E,C e o selênio, que auxiliam a frear a progressão da doença.

Intervenções fisioterapêuticas possibilitam dar o máximo de mobilidade funcional, promovendo a independência no autocuidado tanto em casa como na comunidade. Entre as principais atividades, estão os exercícios de relaxamento, flexibilidade, mobilidade, treino de marcha, exercícios respiratórios, estratégias de aprendizado motor. Todas estas previnem a deficiência músculo esqueléticas, além do fortalecimento e resistência.

É necessária uma orientação familiar, devido ao quadro clínico da doença, pois o acometido, na maioria das vezes, se torna incapacitado e mais dependente, necessitando de cuidados e atenção dos familiares ou cuidadores. Os responsáveis devem se atentar às possíveis quedas, perdas consideráveis de peso, avaliar as atividades físicas, evitar a fadiga e realizar tarefas de acordo com os limites corporais, administrar adequadamente os fármacos indicados, através do horário regular e na dosagem prescrita. Além dos cuidados físicos, o psíquico deve ser priorizado da mesma forma, pois esta doença gera aumento da labilidade emocional e por meio do carinho e atenção pode se evitar ainda uma possível depressão.

O texto acima é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto

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Referências

Conceito- https://www.medtronic.com/br-pt/your-health/conditions/parkinsons-disease.html

Epidemiologia- http://www.blog.saude.gov.br/index.php/34589-doenca-de-parkinson#:~:text=A%20Doen%C3%A7a%20de%20Parkinson%20%C3%A9,pessoas%20sofram%20com%20o%20problema.

Tipos- https://neurodor.com.br/tipos-de-parkinsonismo/

Etiologia- https://www.google.com/amp/s/www.minhavida.com.br/amp/saude/temas/parkinson

Sintomatologia- https://www.google.com/amp/s/www.minhavida.com.br/amp/saude/temas/parkinson

Doença de Parkinson e Parkinsonismo- https://victorbarboza.com.br/sindrome-parkinsoniana/

Diagnóstico- https://www.google.com/amp/s/www.minhavida.com.br/amp/saude/temas/parkinson

Tratamento- https://www.atlasdasaude.pt/publico/content/importancia-da-alimentacao-na-doenca-de-parkinson.

https://www.medtronic.com/br-pt/your-health/treatments-therapies/parkinsons-disease.html

https://bvsms.saude.gov.br/dicas-em-saude/2059-doenca-de-parkinson#:~:text=O%20que%20%C3%A9%3A%20%C3%A9%20uma,do%20c%C3%A9rebro%20chamada%20subst%C3%A2ncia%20negra

https://sbgg.org.br/a-fisioterapia-na-doenca-de-parkinson/#:~:text=De%20uma%20maneira%20geral%2C%20a,altera%C3%A7%C3%B5es%20posturais%20e%20queixa%20%C3%A1lgica.

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-37722019000200204

 

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