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Doença diverticular – Revisão de literatura | Colunistas

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O que são divertículos?

São alterações anatômicas da parede intestinal em forma de bolsas externas, detectadas muitas vezes através de exames de imagem e de forma incidental. A maioria dos indivíduos são assintomáticos e em torno de 25% pode ocorrer diverticulose sintomática, sendo então denominada doença diverticular.

Doença diverticular do cólon

Definição

A doença diverticular se caracteriza por protrusões em forma de saco na parede do intestino grosso, é uma das doenças mais comuns detectadas na colonoscopia na população adulta. Os divertículos como já definido, são as alterações anatômicas mais frequentes no cólon humano. 

Qual a gravidade da doença diverticular?

A gravidade varia desde uma doença não complicada sintomática até uma forma complicada com diverticulite aguda (inflamação dos divertículos) ou hemorragias.

Epidemiologia da doença diverticular

A prevalência e incidência ‘verdadeiras’ de diverticulose e doença diverticular ainda são desconhecidas, mas a ocorrência aumenta com a faixa etária dos indivíduos. A localização geográfica influencia nos diferentes estilos de vida, ou seja, tipo de dieta e atividade física que são dois determinantes importantes da prevalência da diverticulose. A doença diverticular e suas complicações são um fardo para o sistema de saúde, sendo umas das condições mais comuns nos países ocidentais. Nos EUA a diverticulite sem hemorragia ocorre em 0,3%. A diverticulite é a complicação mais comum da diverticulose, que ocorre em cerca de 10% a 25% dos pacientes.

Fisiopatologia

A patogênese da doença diverticular é considerada multifatorial e inclui fatores ambientais e genéticos, além da etiologia historicamente aceita da deficiência de fibra alimentar. 

Os divertículos do cólon são hérnias da mucosa na camada muscular da parede do cólon através de pontos (relativamente mais fracos) de entrada de vasos sanguíneos através da parede do cólon e são mais comumente encontrados no cólon sigmóide no mundo ocidental, enquanto nos países do oriente são mais frequentes no cólon direito. Os mecanismos para formação dos divertículos (diverticulose) não são completamente compreendidos, mas várias mudanças são conhecidas na arquitetura da parede do cólon, incluindo perda da função de elasticidade e deposição de fibras colágenas imaturas na matriz extracelular, que estão implicadas na formação dos mesmos.

A doença diverticular não complicada sintomática (SUDD) é atualmente considerada um tipo de diverticulose crônica que talvez seja semelhante à síndrome do intestino irritável. O uso de mesalazina, rifaximina e probióticos podem trazer algum alívio para esses pacientes portadores de diverticulose. Já a diverticulite aguda pode variar em gravidade desde inflamação peridiverticular limitada à parede do cólon (diverticulite aguda não complicada) até peritonite (inflamação do revestimento da cavidade abdominal; diverticulite complicada) resultante de perfurações de divertículos. Os quadros de hemorragias diverticular ocorre como consequência da ruptura de artérias associadas aos divertículos, levando a sangramentos que em geral cessam espontaneamente.

Papel das fibras na patogênese da diverticulose e na doença diverticular

Parece não haver evidência no papel da deficiência de fibra alimentar no desenvolvimento da diverticulose, mas provavelmente existe algum benefício para o aumento da ingestão de fibra na redução das complicações da doença diverticular. A diretriz da American Gastroenterology Association (AGA) sobre diverticulite sugere que haja uma alta ingestão de fibra alimentar em pacientes com história prévia de diverticulite aguda.  

Papel do Índice de Massa Corpórea e atividade física da doença diverticular

Os dados são conflitantes sobre o papel da atividade física na redução do risco de diverticulose. Porém na prevenção de recorrência de episódios de diverticulite aguda são recomendados. A AGA também sugere atividade física vigorosa em pacientes apropriados após a diverticulite aguda.

Uso de AINEs (antiinflamatórios não esteroidais) e AAS

Os inibidores da ciclooxigenase têm uma associação conhecida com o aumento do risco de sangramento gastrointestinal, mas também estão sendo cada vez mais reconhecidos como fatores de risco para diverticulite e suas complicações. Não devem ser utilizados nesses pacientes.

Classificação

Diverticulose assintomática

A diverticulose assintomática costuma ser um achado incidental em pacientes, sendo um dos achados mais comuns na colonoscopia, com elevação da prevalência com o aumento da idade. Sem indicação de tratamento.

Doença diverticular assintomática não complicada

É definida como diverticulose crônica com dor abdominal crônica associada na ausência de sintomas agudos de diverticulite ou colite evidente. Pode haver uma sobreposição entre SUDD e síndrome do intestino irritável (SII) devido a mecanismos fisiopatológicos semelhantes subjacentes a ambos os processos da doença, que inclui hipersensibilidade visceral.

Colite segmentar associada à diverticulose

É caracterizada por inflamação segmentar inespecífica no cólon sigmóide cercado por múltiplos divertículos e os fatores de risco incluem sexo masculino e idade acima de 50 anos.  A forma de apresentação inicial costuma ser sangramento retal, acompanhados ou não diarreia e / ou dor abdominal. A colite nesses casos é benigna e autolimitada.

Diverticulite aguda

A diverticulite pode ser ainda classificada como não complicada e complicada

diverticulite complicada é geralmente caracterizada pela formação de abscessos, fístulas, obstrução e / ou perfuração.

Diagnóstico

A diverticulose é um dos achados mais comuns na colonoscopia, podendo ser um achado incidental em exames de rastreios para câncer colorretal em indivíduos acima de 50 anos de idade. A abordagem para as formas de doença sintomática inclui exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Esses exames podem exibir toda a parede do cólon, permitindo assim a visualização do tecido peridiverticular e alterações na parede intestinal na diverticulite aguda.

 Os achados ultrassonográficos típicos na doença diverticular incluem espessamento hipoecogênico da parede intestinal, divertículos com inflamação circundante que aparece como uma borda hiperecogênica, coleção de fluidos, abscessos ou fístulas 

Tratamento

O tratamento da doença diverticular incluem fibras na dieta, antibióticos, antiinflmatórios e probióticos, e eventualmente, cirurgia.

Há uma tentativa de se encontrar tratamentos eficazes para SUDD já que as evidências para o uso da mesalazina não são robustas na prevenção de doença aguda. Os antibióticos não absorvíveis ou os probióticos podem melhorar os sintomas e devem ser utilizados ​​seletivamente, em vez de rotineiramente, na diverticulite aguda, embora a definição dos melhores candidatos para o tratamento conservador ainda não esteja clara.

Referência bibliográfica

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