E como fica a qualidade de vida na residência médica? | Colunistas

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Gabriel Martinez
3 min80 days ago

Após a conclusão da graduação médica, inúmeros profissionais médicos recém-formados têm como principal objetivo a aprovação em um programa de residência médica. Nesta próxima etapa da carreira, há grandes fatores predisponentes para gerar alta carga de estresse, como por exemplo, a carga horária excessiva, maior responsabilidade profissional, privação de sono e até mesmo síndrome de Burnout.

Tendo como ponto principal o termo “qualidade de vida”, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a define como “percepção dos indivíduos sobre sua posição na vida, no contexto da cultura e sistemas de valores em que vivem e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. Apesar de ser uma percepção subjetiva, atualmente há vários escores para comparar a qualidade de vida entre grupos. Assim, em detrimento de avaliar a qualidade de vida dos médicos residentes, muitos estudos publicaram resultados sobre assunto, tendo alguns deles resultados preocupantes.

Um estudo transversal publicado em 2010 na Revista Brasileira de Educação Médica, 136 médicos residentes do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba foram avaliados pelo questionário WHOQOL – abreviado, um dos métodos de avaliar qualidade de vida idealizado pela OMS. Como resultado, observou-se que os residentes perceberam sua qualidade de vida pior na residência médica quando comparado na vida em geral, sem diferenças estatísticas significantes entre gênero, ano de residência ou especialidade.

Outro estudo mais recente publicado na Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, que aplicou o mesmo questionário acima citado para 97 residentes das mais diversas especialidades no Hospital do Trabalhador – Curitiba, demonstrou que a qualidade de vida dos residentes do primeiro ano é pior em relação aos demais anos, tendo uma variação significativa no domínio psicológico (pensamento, aprendizagem, memória…).

Não permanecendo exclusivo a nível nacional, o assunto também ganhou destaque internacional quando a Revista New England Journal of Medicine publicou no dia 31 de Outubro de 2019 sobre o risco de síndrome de Burnout ou até mesmo pensamentos suicidas em residentes de cirurgia geral. O estudo contou com a participação de 7409 residentes de cirurgia geral de 262 programas distintos e obteve os seguintes resultados: 30.3% reportaram abuso físico e/ou mental de seus preceptores; 16.6% relataram discriminação racial e 10.3% relataram assédio sexual. Os sintomas de Burnout estavam presentes em 38.5% dos participantes e 4.5% de todos participantes tiveram ideação suicida no último ano.

Por fim, a residência médica ainda é um tipo de pós-graduação que mais agrega conhecimento tanto teórico quanto prático ao médico para oferecer melhor assistência aos pacientes. Portanto, há a necessidade de discussão e melhoria nas condições de trabalho oferecidas para os residentes com o intuito de melhorar a qualidade de vida, consequentemente tendo impacto positivo na assistência a saúde e à educação médica.

Segue abaixo artigos complementares sobre o assunto nas referências.
Até o próximo post.

Autor: Gabriel Martinez

Perfil Instagram: gabriel.martinez1995

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