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É estudante ou médico e quer ser gestor? desafie-se | colunistas

A gestão e a medicina sempre tiveram que caminhar juntos em alguma medida, mesmo para a organização de alguns dos primeiros “hospitais” romanos – os chamados valetudinária – por volta de 100 a.c. há de se pensar que era necessária alguma ordenação de fluxo, de alocação dos pacientes. É claro que neste exemplo simplório e que exige algum esforço imaginativo, estamos tratando da gestão na sua essência, um certo senso de ordenação para possibilitar que as coisas aconteçam, mas é certo que hoje esse tema e toda a complexidade envolvida no setor de saúde determina que a Gestão seja uma área para pessoas preparadas.

Desde a graduação e em nossas carreiras como médicos e médicas somos demandados da universidade, da sociedade e dos nossos pares para assumir cargos de liderança. Desde a participação nos centros acadêmicos e comissões de formatura, até consultórios, hospitais, UTIs, conselhos da classe, sociedades de especialistas.Todas essas atividades demandam habilidades na área de Gestão e todos enfrentamos desafios de forma pessoal e conforme nossas dificuldades individuais, mas alguns desafios merecem ser citados tanto pela frequência com que ocorrem como pelos bons resultados que vêm com sua superação.

Podemos começar então a partir de algumas habilidades básicas interpessoais que todos intuímos quando pensamos num bom gestor – ou mesmo identificamos nos bons gestores médicos com os quais convivemos. Liderança, capacidade de perceber as habilidades dos que o rodeiam e suas necessidades, busca pela excelência, proatividade, ambição, visão ampliada, capacidade de engajar colaboradores e, de forma especial, uma formação médica sólida que lhes garanta credibilidade para liderar outros médicos e profissionais de saúde, bem como lhes inspirar competência. Ignorar a importância dessas habilidades dificulta sua aquisição e pode fazer com que sua ausência se torne um impasse quando se pretende ser um bom gestor. É claro que os cursos estão aí aos montes, mas a vivência prática buscando o melhoramento pessoal na busca por essas aptidões é indispensável – e sua motivação está na própria decisão de ser um bom administrador.

A definição de valores pessoais, a razão de ser médico, os planos para o futuro também são passos indispensáveis para uma boa gestão de carreira – isso mesmo, nossa carreira é um empreendimento maravilhoso e que deve ser amado e cultivado!

Falando em gestão de carreira, além desses desafios, vale salientar a importância de adquirir conhecimentos técnicos para aumentar a competência e competitividade: compreender fluxos de caixa, leis trabalhistas, burocracias, marketing. Aqui devemos entender o marketing eticamente, como o esforço em oferecer um serviço que atenda e supere as expectativas de nossos pacientes – isso vai desde a limpeza do consultório, passa pela simpatia dos funcionários, nossa vestimenta, até a saída – com o intuito de construir uma reputação adequada e justa conforme o serviço prestado.

Adquirir todo esse conhecimento se torna ainda mais desafiador na medida que as faculdades, em geral, não nos ensinam sobre noções de administração de consultório, gestão de clínicas, uso de softwares para tais fins, bem como organização de agendas, marcação de consultas, realização de cálculos, prontuários eletrônicos. O médico pode ser visto como um gestor daquela parte importante da vida de seu paciente: a saúde. E isso envolve a conciliação com a família, a conversa cobre os custos do tratamento, os fluxos de referência e contra referência. Tudo isso aprendemos na universidade, esta, porém ainda não vê a gestão como uma área de atuação prioritária e de reconhecimento para o médico – grande parte não oferece disciplinas nesse sentido. É lógico que os infindáveis conteúdos clínicos já são impossíveis de serem ministrados no nosso curso de seis anos e por isso devemos buscar a qualificação necessária nessa área de forma independente dos nossos cursos de graduação.

Lembre-se, apesar dos desafios a frente, ser gestor carrega consigo um diferencial competitivo e um potencial criador inerente a própria atuação. O bom gestor otimiza recursos, reduz os gastos, sabe alocar o pessoal, conhece cada palmo do seu setor, estuda e se especializa. Como tudo na nossa atividade enquanto médicos, é mais uma área que exige esforço para que realizada de forma competente. Podemos entender, então que o bom gestor deve ser curioso e ávido por superar a si próprio, ele quer compreender os desafios inerentes a nova área, ler este breve artigo talvez seja um pequeno passo inicial.

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