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ECMO: na pandemia de COVID-19, aparelho para pacientes respiratórios ganha popularidade

ECMO: na pandemia de COVID-19, aparelho para pacientes respiratórios ganha popularidade

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Sanar

5 minhá 5 dias

Com a pandemia da COVID-19 e a intensificação de pacientes com quadro respiratório grave, cresce o uso e a popularidade do ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea), um equipamento de alta complexidade que possibilita substituir a atividade do coração e do pulmão.

Em entrevista ao Uol, Celso Freitas, diretor médico da empresa global de tecnologia médica LivaNova, explica que enquanto a ventilação mecânica fornece fluxo de ar para o interior do pulmão do paciente, o ECMO funciona como pulmão adicional para o paciente com COVID-19 cuja função pulmonar foi reduzida. “Isso possibilita ele tenha tempo e condição clínica para se recuperar”.

Por meio da máquina, ligada ao paciente por cateteres, é realizado o procedimento de circulação e oxigenação do sangue em casos graves, em que já há comprometimento severo ou circulatório que podem levar a morte do paciente.

Assim, o equipamento aumenta as chances de sobrevida e pode ser usado em pacientes de qualquer idade, de recém-nascidos à idosos.

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Benefícios e riscos do ECMO

Como elenca a reportagem do Uol, entre os principais benefícios do ECMO estão equilibrar a circulação rapidamente e manter o coração e/ou o pulmão funcionando enquanto o paciente trata a causa que levou ao uso do aparelho. Além disso, ele dá a possibilidade de receber hemodiálise ou fazer procedimentos cirúrgicos paralelamente ao uso da máquina.

Há, porém, alguns riscos de uso que exigem o acompanhamento minucioso do paciente por uma equipe treinada. Entre os principais problemas estão hemorragia (que pode ocorrer se o sangue coagular na tubulação), embolia (pequenos coágulos ou bolhas de ar que podem entrar no sangue dos tubos) e infecção, risco comum para todos os procedimentos que requerem tubos no corpo, especialmente dentro de um vaso sanguíneo.

Além disso, há o risco de AVC (Acidente Vascular Cerebral), que pode ser provocado tanto pelos sangramentos e embolias como pela obstrução da artéria carótida, que é usada na ECMO através do vaso sanguíneo veno-arterial, com o objetivo de levar o sangue para o cérebro.

Recomendações e contraindicações

As indicações são diversas e devem ser bem avaliadas pela equipe médica com treinamento especializado em ECMO. Entre as mais comuns estão insuficiência respiratória aguda, recém-nascidos com problemas no coração e no pulmão, pneumonia ou bronquiolite graves, miocardites ou em casos em que os órgãos não voltam a funcionar num pós-operatório.

Entre as contraindicações estão bebês prematuros com peso de nascimento menor do que 200 gramas, pacientes que já têm danos pulmonares por passarem muito tempo em ventilação mecânica, coagulopatia grave e/ou hemorragia, falência múltipla de órgãos ou doenças pulmonares ou cardiovasculares irreversíveis.

“Para que o paciente tenha a indicação da ECMO, é necessário que seu quadro seja reversível, já que não é possível deixá-lo na máquina para sempre”, aponta Rafaella Calmon, cardiologista pediátrica e especialista em ECMO do Sabará Hospital Infantil (SP).

No Brasil, uso ainda é restrito

Ainda segundo a reportagem do Uol, em 2009  houve um crescimento do uso do ECMO no Brasil impulsionado pela pandemia da H1N1. “Agora, com a COVID-19, a discussão voltou à tona para incorporá-los cada vez mais”, destaca Calmon, acrescentando que há versões da máquina em outros países que não chegaram ainda no Brasil.

O alto custo ainda é um limitador ao uso do ECMO, como apontou uma análise feita pelo NATS (Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).

A incorporação do tratamento, porém, depende de outras questões além da aquisição da máquinas, como explicou Carlos Sousa, médico intensivista e líder do time ECMO do Hospital São Domingos, em São Luís (MA):

“A terapia toda é complexa e, por isso, os hospitais precisam de capacidade de intervenção bem avançada e equipes treinadas para operar o equipamento e acompanhar os pacientes”.

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